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Luciano Bandeira

Luciano Bandeira é presidente da OAB/RJ e aborda temas do mundo jurídico e cidadania. Entre em contato pelo Facebook e Instagram @lucianobandeiraoab

Para que serve o 1º de janeiro?

Inicialmente, queria desejar a todos um ótimo Ano Novo, mas como ontem foi dia 1º de janeiro, eu queria aproveitar para perguntar se a gente lembra o motivo pelo qual é feriado nesta data. Entendo que ele passe despercebido pela maioria, afinal, o Ano Novo costuma ser tempo de a gente se desligar dos problemas do mundo. Os menos festeiros, como eu, preferem sair um pouco de cena. Os demais aproveitam as festas da virada, sobretudo aqui no Rio de Janeiro, onde temos uma das maiores celebrações de todo o planeta, em Copacabana.

Queria lembrar, porém, que 1º de janeiro é feriado no Brasil desde 1935, graças a Getúlio Vargas que, inspirado pelos portugueses em 1910, decretou que nesta data seria celebrado o Dia da Fraternidade Universal, ou Dia da Confraternização Universal. O sucesso foi tanto que, em 1967, o Papa Paulo VI propôs a criação do Dia Mundial da Paz, a ser comemorado não apenas pelos católicos, mas por todas as religiões, e também pelos que não têm religião. Uma data com “caráter sincero e forte de uma humanidade consciente e liberta dos seus tristes e fatais conflitos bélicos, que quer dar à história do mundo um devir mais feliz, ordenado e civil”, pediu Paulo VI, à época.

Portanto, neste primeiro artigo de 2019, queria fazer coro com estas palavras do antigo Papa para reiterar a importância da fraternidade para que a gente consiga construir um mundo melhor para nós e nossos filhos. E fraternidade não tem a ver com concordância irrestrita, muito pelo contrário. Tem a ver com o respeito, sobretudo às diferenças e ao contraditório, pois não há possibilidade de construirmos um mundo melhor para nós todos sem respeitarmos as diferenças que existem entre todos nós.

É com este espírito que gostaria que entrássemos neste ano que se inicia. Nós, brasileiros, sobretudo cariocas e fluminenses, já temos sofrido bastante nos últimos tempos não apenas com a crise econômica, mas também com uma grave crise política e institucional. E não há outra saída que não seja através do trabalho e do fortalecimento das instituições democráticas, a começar pelo respeito aos novos governadores e ao presidente eleito.

As divergências que surgirão, e é natural e necessário que surjam, em quaisquer governos, também precisam ser republicanas, e tratadas como tal. Qualquer coisa diferente disso cheira a autoritarismo e a retrocesso. E acho que todos concordam que os anos de estagnação já foram suficientes e precisamos, neste momento, avançar, em vez de retroceder. Vivemos numa república onde todos, de uma maneira ou de outra, por ação ou omissão, somos responsáveis pelo ambiente em que vivemos.  E este ambiente só haverá de melhorar a partir do momento em que entendermos a mensagem que está por trás do feriado do dia 1º de janeiro. Feliz 2019.

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