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Seus Direitos na Justiça

Guaraci Campos Viana e Alcides Fonseca Neto aprofundam o conhecimento sobre o Poder Judiciário

Milícias tomam conta do Estado do Rio (I)



Seus Direitos na Justiça

 

 

As milícias se espalharam de vez pelo Estado do Rio de Janeiro. Elas já eram uma realidade na Zona Oeste do Rio há mais de dez anos, mas agora se fazem presentes, dentre outros lugares, na Praça Seca (Jacarepaguá), Vila Valqueire, Campinho, na Zona Norte da cidade, bem como em toda Baixada Fluminense. Igualmente seus tentáculos já alcançaram a outrora tranquila cidade de Niterói e adjacências, como Itaboraí, onde crescem denúncias contra  milicianos.

Portanto, caro leitor, entenda que as milícias se constituem no maior problema da Segurança Pública do nosso estado, no maior desafio a ser imediatamente enfrentado, antes que seja tarde.

De fato, os milicianos evoluem na passarela do crime às escâncaras e não se tem notícia de que o Poder Público tenha tomado medidas efetivas e definitivas para evitar a expansão das milícias, daí porque elas parecem invisíveis, ao menos para quem devia detê-las.

Aliás, neste particular é extremamente emblemática é a situação da comunidade da Muzema, onde os milicianos, travestidos de empresários, criaram uma imobiliária e até uma construtora e desenvolveram uma expansão imobiliária impressionante nos últimos catorze anos, mas que não impressionou o Poder Público, que os deixou vender, construir, ligar luz elétrica, água, serviço de gás, tudo na maior normalidade. Por onde andaram os agentes da prefeitura e do governo estadual na última década, principalmente diante da devastação de um pedaço da Mata Atlântica? 

Todavia, o que causa mais perplexidade é que mesmo depois de terem ruído dois prédios na citada comunidade da Muzema, os milicianos continuaram agindo como se nada tivesse acontecido e o que se verifica é que o Estado abandonou os moradores daquela região à sua própria sorte.

De fato, através de uma carta anônima, escrita por um morador daquela comunidade, mostrada há alguns dias em reportagem do RJ2, da Rede Globo,  e que virou matéria de O Globo, na parte de “Opinião”, em 08.05.2019, ele relata que lá impera o medo. “Estão nos obrigando a pagar mensalidades, seguro de vida. Se não pagar os impostos, perde a casa, ou paga com a própria vida. Ninguém denuncia, com medo de morrer”, diz o trecho da carta, que também assinala: “A maioria não tem condição de pagar. É expulsão ou mala do carro. Ninguém viu, ninguém vê”.

E agora vem a pior parte. O morador ainda afirma a existência de um ambiente de completa intimidação por parte da quadrilha de milicianos, à medida que bandidos de comunidades vizinhas, como Taquara, Rio das Pedras e Gardênia, monitoram e ameaçam constantemente os moradores. “Não podemos contar com a PM. Estão juntos com o chefe da facção”, afirma ele.

De tudo o que denunciou o morador, o que mais causa indignação é saber que o poder público abandonou esses moradores ao “Deus dará” para serem livremente explorados, isto é, para serem, vítimas de extorsão. Cidadãos brasileiros abandonados pelo Estado para servirem de alimento à criminalidade organizada.  Esta também é a conclusão do apontado morador, pois ele termina sua atormentada carta com um pedido desesperado: “O poder público nos abandonou há muitos anos. Também estou correndo risco de vida. Que esta carta vaze para as autoridades. Urgente”. Vazar para as autoridades ? Que autoridades ? 

A situação na Muzema é tão surreal, que a Revista Veja, edição do dia 05.06.2019, escancarou algo que já era possível imaginar: os milicianos da Muzema já puseram literalmente a mão na massa e já estão construindo novos prédios ! E as autoridades ? Essas não foram vistas por lá. Ninguém sabe, ningém viu.

Mas não é tudo.

Já os milicianos da Praça Seca adotaram uma prática bastante peculiar: estão cobrando através de boleto bancário pelos serviços ilegais que executam, como segurança, gatonet, internet, etc. Isso mesmo caro leitor, pode deixar cair o queixo. Através de boleto bancário !São 9 parcelas de R$ 60  ou então um pagamento único, de R$ 540.

Tudo muito limpo, fácil, rápido e com a comodidade do pagamento bancário !Nunca foi tão simples ser vítima de uma extorsão.Além do absurdo da situação em si, o que me parece mais grave, é que eles, os milicianos, nem se preocupam se serão rastreados ou não, já que o pagamento é no banco e alguém é o destinatário do depósito. 

Isto apenas demonstra que eles estão certos da impunidade, eles estão certos de que não serão incomodados. 
Mas por que será que os milicianos têm tanta certeza da impunidade ?  

Continua na próxima semana.

Por Alcides da Fonseca Neto

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