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Ato contra a falta de luz no Preventório

Moradores atearam fogo em lixo e fecharam a via na noite desta segunda

Moradores da Comunidade do Preventório que sofrem com a falta de energia elétrica desde a noite de domingo tacaram fogo em lixo e fecharam o túnel

Douglas Macedo

O temporal da noite do último domingo (28) provocou transtornos e deixou resquícios em diversos bairros de Niterói, como quedas de árvores e interrupção no fornecimento de energia elétrica por longos períodos. Por conta da falta de energia, alguns protestos foram registrados na cidade, como nos bairros do Sapê e Charitas. 

Uma manifestação parou o trânsito e dificultou a vida de motoristas que tentavam passar pelo túnel Charitas-Cafubá, na Zona Sul de Niterói, na noite desta segunda-feira (29). Moradores do Morro do Preventório fizeram barricadas para impedir a passagem de condutores em protesto contra a falta de luz que atinge a região.

Os moradores atearam fogo em móveis e outros objetos e bloquearam a pista sentido Cafubá do túnel por volta de 18h30. Os mais exaltados chegaram a danificar dois veículos que estavam estacionados na via, além de arremessar objetos nos agentes de trânsito que tentavam desobstruir a pista. 

Segundo a polícia, agentes tentaram chegar a um acordo com os manifestantes. Para que o protesto prosseguisse sem tumulto, um pedaço da via teria que ser liberado para facilitar a passagem dos motoristas, mas o acordo não foi aceito pelos moradores e policiais precisaram dispersar os manifestantes com armas não letais. A polícia contou com um grande efetivo de agentes do 12º BPM (Niterói) para conter o protesto. Ninguém ficou ferido no local.

Por conta da confusão, um grande congestionamento se estendeu por toda orla de São Francisco e teve reflexos na entrada do túnel Roberto Silveira. Agentes da Polícia Militar e da Niterói Transporte e Trânsito (NitTrans) precisaram fechar a Avenida Prefeito Silvio Picanço no sentido Jurujuba, na altura do restaurante À Mineira, para que motoristas não corressem riscos.

O trânsito voltou a ser liberado por volta de 20h.

Os manifestantes foram dispersados com uso de armas não letais por policiais militares do 12º BPM (Niterói)

Douglas Macedo

O Centro de Monitoramento e Operações da Defesa Civil informou que a cidade entrou em estágio de atenção às 20h29 do domingo devido a registros de ventos fortes e pancadas de chuva. As rajadas que atingiram o município chegaram a velocidades de 72km/h, em Charitas, e 71,4 km/h, em Itaipu. Nenhuma sirene precisou ser acionada e não houve relatos de vítimas.

Durante esta segunda-feira (29), a Secretaria de Conservação e Serviços Públicos (Seconser), recebeu cerca de 40 chamados, principalmente, de quedas de árvores. Ainda no domingo, segundo a Seconser, 20 funcionários da secretaria trabalharam no atendimento das ocorrências. Até segunda a tarde, 40 pessoas - entre equipes da Seconser, com o auxílio da Companhia de Limpeza (Clin) e do Corpo de Bombeiros - solucionaram 11 chamados. A Clin disponibilizou, na noite do último domingo, 75 profissionais para atender à população. E na manhã desta segunda, cerca de 800 funcionários trabalham, em diferentes pontos da cidade, fazendo a varrição, coleta e auxiliando as equipes da Seconser. 

A Defesa Civil registrou quatro ocorrências relativas aos ventos e chuva, incluindo uma casa destelhada - que não teve o endereço informado - por conta do vento forte. A Defesa Civil informa também que o município voltou, às 11h50 desta segunda-feira, para o estágio de vigilância. 

Residentes do Largo da Batalha, Sapê, Badu e Maceió, na Região de Pendotiba, relataram que a energia elétrica só normalizou durante a madrugada desta segunda, cerca de oito horas após a forte ventania. 

Tempo – Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a previsão para esta terça é de tempo nublado com possibilidade de chuva ao longo do dia. Os ventos deverão ser fracos ou moderados. A previsão da temperatura é de mínima de 21 graus e máxima de 30 graus. 

Rio – A chuva forte que atingiu a cidade causou diversos transtornos para os cariocas, principalmente nas zonas Norte e Oeste, mas, desta vez, os principais problemas foram causados pelo vendaval. As rajadas mais fortes foram registradas na estação do Forte de Copacabana, onde o vento chegou a 105,5 km/h.

De acordo com o Centro de Operações da prefeitura, a ventania provocou a queda de pelo menos 63 árvores. Algumas delas caíram sobre a rede elétrica, interrompendo o fornecimento de energia na Grande Tijuca, no Engenho de Dentro, no Méier e em Vila Isabel.

Na Zona Oeste, faltou luz em pontos da Barra da Tijuca, Jacarepaguá e Realengo, onde o Hospital Albert Schweitzer ficou sem energia por pelo menos duas horas. Os ventos fortes também causaram a interdição da Ponte Rio-Niterói, que ficou fechada por dez minutos, no sentido Niterói, às 20h15 desta segunda.

Árvores pelo caminho

Na Rua Capitão Dalvo Rabello Sampaio, no Fonseca, Zona Norte da cidade, moradores enfrentaram transtornos após a queda de uma árvore, ocasionada pelas fortes rajadas de vento. A rua ficou completamente bloqueada e motoristas se arriscavam ao passar pelo local. 

O galho caiu sobre a rede elétrica e interrompeu o fornecimento de energia na região. Moradores relataram que não conseguiram contato com a concessionária Enel, responsável pelo fornecimento de eletricidade, ou com a Prefeitura de Niterói para pedir a retirada do galho.

Na Zona Sul, moradores de Icaraí, São Francisco e Charitas ficaram mais de 17 horas sem luz após o vendaval. O empresário Thomás Alves, morador da Av. Jornalista Alberto Francisco Torres, na Praia de Icaraí, disse que desde a noite do último domingo tenta contato com a distribuidora de energia, mas não consegue completar a ligação. 

“No meu prédio, de 12 andares, moram idosos com mais de 80 anos que necessitam da energia elétrica por questões de saúde. Eles não podem ficar descendo pelas escadas, é inviável cogitar essa possibilidade”, disse o empresário. 

Também foi registrada queda de árvore próximo ao Museu de arte Contemporânea (MAC), no mirante da Boa Viagem. 

Prejuízos para todos os lados

Por conta dos fortes ventos que atingiram a cidade, muitas ruas do Centro de Niterói também ficaram sem luz, prejudicando inclusive prédios da Polícia Militar e Polícia Civil. O fornecimento de energia foi interrompido na Delegacia de Homicídios de Niterói e São Gonçalo (DHNSG), localizada na Rua Desidério de Oliveira e também no 12º BPM, que fica na Avenida Jansen de Melo. Casos que teriam de ser registrados na Divisão de Homicídios chegaram a ser transferidos para distritais de São Gonçalo. 

Próximo à Praça do Rink, lojas e escritórios não puderam funcionar por conta da falta de energia elétrica. O problema também afetou a sede da Secretaria de Fazenda, na Rua da Conceição. Em uma barbearia no final da Rua General Andrade Neves, eram realizados apenas corte à tesoura, e, segundo o proprietário do estabelecimento, o expediente terminaria mais cedo. Na via, um transformador explodiu, afetando milhares de pessoas, e até o meio-dia, nenhuma equipe foi vista no local.

Trabalhando há mais de 10 anos em um restaurante na Rua Dr. Fróes da Cruz, no Centro de Niterói, o proprietário Ramiro Lemos teve um prejuízo de quase R$ 4 mil por conta da falta de energia elétrica. Frequentadores que iam em busca do almoço, encontravam Ramiro na porta do estabelecimento prestando esclarecimentos.  

“Com esse dia perdido de trabalho, tive um prejuízo enorme que não estava previsto. Essa situação atrapalha todo o meu planejamento, pois ainda temos nesta semana o feriado de quarta-feira, que é menos um dia de trabalho. Quando liguei para a Enel, fui informado que a previsão era que voltasse 11h30, o que ainda daria tempo de tentar preparar alguma refeição. Mas o prazo já venceu, e sigo sem energia elétrica e de portas fechadas”, disse Ramiro. 

Procurada, a Enel Distribuição Rio informou que triplicou o número de equipes trabalhando para normalizar o fornecimento de energia para os clientes que tiveram o serviço afetado pela chuva, acompanhada de ventos e descargas atmosféricas. 

A concessionária disse, ainda, que reforça os canais digitais para os clientes comunicarem ocorrências, como o aplicativo, site, redes sociais, mensagem de texto e telefones. 
Questionada sobre as reclamações de moradores que não conseguiam sequer contato com os atendentes da companhia, a Enel não se pronunciou até o fechamento desta edição.

(Colaborou Isabelle Villas Boas) 

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Comentários

L Pires
A Rua Maestro Carlos Monteiro de Souza( antiga 54), no Cafubá continua sem energia desde a noite de domingo,e os moradores não conseguem contato com a Enel até o momento.
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Elson Luiz
É realmente digno de parabéns a atitude dos moradores que tiveram que ir prás ruas para poderem ter suas queixas atendidas pela concessionária de energia elétrica!!!!! Desde domingo sem luz! Cadê as agências reguladoras? Cadê o Procon? cadê MP?????
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