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Mortandade de peixes em Maricá

Lagoa da Praia das Amendoeiras amanheceu com milhares de animais sem vida. Inea vai analisar a qualidade da água

A Prefeitura de Maricá iniciou a retirada dos peixes mortos da lagoa

Foto: Reprodução

Milhares de peixes foram encontrados mortos na lagoa da Praia das Amendoeiras, em São José do Imbassaí, além da lagoa da Barra de Maricá e Araçatiba. Banhistas e pescadores que estiveram nas regiões se surpreenderam com os animais boiando próximo à faixa de areia e reclamaram do mau cheiro. Funcionários da Prefeitura de Maricá estiveram no início da tarde recolhendo os peixes.

Ainda não se sabe o que levou à mortandade dos animais, no entanto, para o biólogo Guilherme Santiago, da Universidade Federal Fluminense, um dos motivos pode ser a falta de oxigenação das águas, já que não há passagem do mar entre a lagoa e o mar da Barra de Maricá, impedindo a renovação da água.

“Também é importante ressaltar que essa renovação só acontece pelo canal de Ponta Negra, o que pode ter reforçado a mortandade em São José do Imbassaí e Araçatiba. Também podemos observar dois potenciais motivadores para as mortes: o primeiro é a alta temperatura da água. O segundo é o despejo do esgoto in natura nas lagoas. De qualquer forma, apenas uma análise mais a fundo do Inea vai dizer o que pode ter ocasionado essas mortes”, avaliou. 

O Instituto Estadual do Ambiente (Inea) informou que equipes do órgão vão ao local hoje para realizar a vistoria e análise da qualidade da água. No entanto, o órgão não informou quanto tempo levará para sair o resultado da análise

Pescadores da região relataram que o esgoto jogado in natura na lagoa e a falta de chuvas podem ocasionar essas tragédias, que não são frequentes nesta época do ano. “Eu sou pescador há mais de 20 anos e não me lembro de ter acontecido isso nessa época. De qualquer forma é triste, porque muitos banhistas não cuidam da praia, também tem indícios de despejo de esgoto. A gente fica preocupado”, desabafou o pescador na internet. 

Com o objetivo de apurar as causas e solucionar o problema a Secretaria de Cidade Sustentável, além de monitorar o local, encaminhou um ofício para o Instituto Estadual do Ambiente (Inea), solicitando a presença de representantes do órgão para a realização de estudos com analise da água da região para que se avalie a causa do dano ambiental registrado.

Dano ambiental

A equipe da Superintendência Regional da Baía de Guanabara do Instituto Estadual do Ambiente (Inea) comprovou denúncia de aterramento e construção irregular na Faixa Marginal de Proteção do Complexo Lagunar, em Ponta Negra, no município de Maricá, na Região dos Lagos. 

No local foram identificadas quatro construções em andamento e o aterramento da Faixa Marginal de Proteção do Complexo Lagunar até a altura do espelho-d’água. 

Foram lavrados dois autos de embargo cautelar de obra para três dos imóveis. No outro, não havia o responsável para receber a notificação. Por este motivo, a equipe do Inea voltará ao local para fazer nova vistoria e entregar o embargo. 

Após a operação, agentes do Inea e da Secretaria de Meio Ambiente do município de Maricá acordaram que as construções serão demolidas e haverá reflorestamento da área. Também serão instaladas placas informando que o local é um espaço de proteção ambiental e, por isso, as construções e aterramentos são proibidos.

O superintendente regional da Baía de Guanabara, do Inea, Paulo Cunha, faz um alerta para que as pessoas não tenham esse tipo de surpresa ao comprarem um terreno. “É essencial que o cidadão procure o Inea antes de adquirir o terreno, quando o mesmo for perto de lagoa ou rio, para verificar se está em Área de Proteção Permanente – APP – ou em uma área não edificável”, declarou. 

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