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Niterói: UFRJ detecta nova febre

Doença que teve seus três primeiros casos registrados na cidade é causada por um novo vírus, ‘primo’ do chikungunya

Nos 3 casos diagnosticados, as pessoas eram de Niterói e foram infectadas no ano de 2016 por pessoas que não viajaram para regiões endêmicas

Foto: Divulgação

Um novo vírus está em circulação no estado do Rio de Janeiro, segundo pesquisa divulgada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Trata-se do mayaro, um primo do chikungunya que causa uma doença com sintomas semelhantes ao deste, como febre e dores nas articulações, mas que se prolongam por meses. Três casos já foram identificados, todos em Niterói, infectados no ano de 2016.  

Difícil de diagnosticar, a nova doença só foi descoberta graças a um estudo molecular realizado pelo Laboratório de Virologia Molecular, da UFRJ.

Confundido com o chikungunya por causa dos sintomas, o mayaro, segundo o estudo, está no Rio desde 2016.  

O problema é que agora os casos descobertos são autóctones, ou seja, são pessoas infectadas aqui mesmo, sem terem se contaminado viajando para regiões endêmicas.

Fora isso, os três episódios, em escala populacional, significam que em cada cem pessoas com chikungunya, dez têm, na verdade, febre do mayaro. Ainda segundo o estudo, além de Niterói, o vírus já está transitando por toda a região do Grande Rio.

A doença causa febre alta e dores articulares crônicas, que se prolongam por meses. Testes de laboratório mostraram que o vírus pode ser transmitido tanto pelo Aedes aegypti quanto pelo pernilongo comum, o que aumenta o risco de epidemia.

O próximo passo dos cientistas será descobrir de onde veio o vírus, trabalha-se com a possibilidade de que o microrganismo tenha origem na Amazônia ou no Haiti, onde aconteceu recentemente uma epidemia. Como prevenção, é preciso seguir os mesmos procedimentos já adotados para combate aos mosquitos da dengue.

“Desde os anos 50, temos casos isolados dessa doença. As duas epidemias na América Latina aconteceram na Venezuela, em 2010, e em Goiás, em 2014. Os casos registrados em Niterói foram de moradores do Centro. Os sintomas são praticamente os mesmos da chikungunya, mas não sabemos a evolução clínica. Sobre a situação atual, a gente ainda não sabe nada. Toda vez que aparece um vírus novo, ele precisa ser estudado. Infelizmente estamos em um momento ruim de verbas para pesquisa”, destaca Amilcar Tanuri, lembrando que a pesquisa ainda vai ser notificada no Ministério da Saúde, mesmo se tratando de um trabalho retroativo. 

Niterói – A Fundação Municipal de Saúde (FMS) de Niterói informa que não foi comunicada oficialmente pelo Ministério da Saúde (MS) e Secretaria de Estado de Saúde (SES) sobre o resultado dessa pesquisa realizada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A FMS, por meio da Coordenação de Vigilância em Saúde do município, esclarece que atua de acordo com protocolos e diretrizes do MS e SES, portanto, aguarda comunicado formal e orientações dos órgãos. 

De acordo com os dados da FMS, houve uma redução de 95% dos casos das arboviroses em relação ao mesmo período do ano passado. Nos 4 primeiros meses do ano de 2019, foram notificados 102 casos de chikungunya, 108 de dengue e 13 de zika. Já no ano passado, foram 2272 casos de chikungunya, 1390 de dengue e 256 de zika.

Trabalho de rotina – Agentes do Departamento de Vigilância Sanitária e Controle de Zoonoses (Devic) vistoriam diariamente imóveis em todas as regiões do município, combatendo possíveis focos do mosquito e orientando a população.

 
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