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Dom José Francisco

Dom José Francisco Rezende Dias oferece uma reflexão sobre a evolução da sociedade e como a fé contribui para essas mudanças de maneira positiva

A parábola de um filho – como só aquele (2)

A tempestade caiu, estrondosa, arrastando tudo, espalhando desolação.

O que doía àquele pai não era saber que a herança seria dilapidada, como tanta coisa havia sido! Doía ver a prontidão do filho considerá-lo morto. Afinal, só se repartem heranças depois que os pais morreram.

Mesmo assim,

“O pai repartiu os bens entre os dois.”

Não se passou muito tempo, e o mais moço ajuntou o que era seu e partiu para um lugar distante. Ele tinha fome de viver o que achava que fosse vida. Da sua nova vida, jamais escreveu uma linha sequer, um telefonema sequer.

Na sua fome de viver, desperdiçou tudo, inclusive, seus melhores anos. Mas, o problema das heranças é que elas acabam. 

Quando ele já havia jogado fora a herança, o país entrou em crise, houve desemprego e fome. Ele jamais havia passado fome. Era essa a novidade que ele buscava e que sempre havia reclamado não saber o que era. Só não esperava que fosse tão cruel.

Pessoas assim se sentem impenetráveis aos constrangimentos e adversidades, pensam que sempre estarão por cima de tudo e que sempre haverá um sorriso e um aceno quando despontem em qualquer ambiente. Com ele foi assim. Pelo menos, enquanto teve dinheiro.

Com os cartões de crédito suspensos, deixou de ser recebido com abraços e apertos de mãos; foi despejado, sem poder sequer levar as roupas, confiscadas. Quando se viu sozinho, na rua, na noite, lembrou-se da tempestade daquele dia, no dia da conversa com o pai.

Então, pela primeira vez, chorou, como nunca mais havia feito desde os 6 anos. Desde o primeiro grande evento da vida. A casa caiu. Ele desabou.

Tudo é a ponta de um mistério. Inclusive os fatos, ou a ausência deles. Quando nada acontece, há um milagre que não estamos vendo.

Quem sabe aquela não seria a ponta de um milagre?

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