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Charbel Tauil

O presidente do Sindicato dos Lojistas de Niterói traz os bastidores da rede varejistas da cidade e as principais novidades do setor

A demagogia dos feriados

Terminado novembro, confirmamos ter ocorrido com o Comércio de Niterói exatamente o que havíamos previsto: foi disparado o pior mês do ano, com faturamentos desesperadoramente ínfimos para todo o setor (e provavelmente também para os Serviços).  Um triste resultado, decorrente da soma da grave crise econômica nacional com o verdadeiro festival de feriados, pontos facultativos e dias "enforcados" que as autoridades insistem em manter.

Estamos fechando o foco no nosso município porque, aqui, a situação dos novembros é ainda mais triste: além dos feriados de Finados (dia 2), Proclamação da República (15) e Zumbi/Consciência Negra (20), em Niterói há mais um feriado, que é o do Aniversário da Cidade (dia 22). Uma extravagância, um absurdo, que só mesmo aqui acontece.

Para começo de conversa, sequer o aniversário o Brasil é feriado. E nas capitais brasileiras, o aniversário municipal também jamais é feriado.  O Rio de Janeiro, tão próximo a nós, é o exemplo mais gritante disto.  Niterói já tem o seu feriado no dia 24 de junho, Dia de São João, padroeiro da cidade.  Mas o 22 de Novembro continua lá, marcado para o Comércio não funcionar, para a cidade ficar esvaziada, fazendo as portas fechadas e as ruas sem transeuntes um cenário cada vez mais frequente. Num grotesco excesso de demagogia, o Poder Público se mantém de braços cruzados.

Aliás, a propósito do aniversário da cidade: o leitor já notou que a data é cada vez menos comemorada no exato dia 22? Este ano mesmo, houve várias solenidades, shows e atividades alusivas aos 445 anos do município — todas elas ao longo do mês de novembro.  Ou seja, sequer é válido o argumento de que a cidade "precisa parar" para poder festejar devidamente. É conversa fiada.

Voltando ao balanço geral do mês que passou, podemos dizer que novembro só não foi uma catástrofe total devido aos dois dias da Black Friday, que de fato foram de intensa movimentação comercial. Aliviam, mas não resolvem: é que o movimento das Black Fridays basicamente se constitui numa antecipação das vendas de Natal. O consumidor não vai comprar duas vezes. Ele ultimamente compra no final de novembro para aproveitar os descontos oferecidos — e só.  Aquelas já são as compras natalinas.

Mas sempre se pode piorar. No âmbito estadual, como se não bastassem tanto dias parados, ainda há quem queira mais: ainda nos últimos dias, tramitava na Alerj dois projetos de leis nesse sentido. Um estabelecendo feriado no segundo domingo de maio (Dia das Mães), e outro criando feriado bancário na Quarta-Feira de Cinzas.

Enfim, haja arrocho tributário sobre o empresariado, para bancar tanta indolência!

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Comentários

Ricardo Roale
Porque esta coluna está em Latim? Sr. Charbel, esta língua está morta mas a cidade nao!
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Ricardo Roale
Charbel, o Latim morreu mas Niteroi nao!
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