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Dom José Francisco

Dom José Francisco Rezende Dias oferece uma reflexão sobre a evolução da sociedade e como a fé contribui para essas mudanças de maneira positiva

Perder a fé

Muitos dos que dizem que perderam a fé ainda não perceberam que a fé não se perde como se fosse a chave de alguma gaveta, nem é um sentimento que se altere conforme o humor.

O que muitas pessoas não conseguem é conciliar as alegações da fé com os fatos da vida. Onde, antes, havia uma ponte, aparece um gap. É comum encontrar questionamentos, em pessoas sérias, sobre como pode haver um Deus bom e todo-poderoso, ativamente envolvido com o mundo, considerando o estado atual das coisas, ao mesmo tempo, aparentemente, distante e frio.

O problema do sofrimento se tornou o problema central da fé, a pedra de escândalo e tropeço, na qual muitos escorregam e caem. 

Bart Ehrman, escritor que chefia o departamento de estudos religiosos da Universidade da Carolina do Norte, EUA, faz perguntas cortantes nos seus livros. Onde estaria Deus nesse mundo de dor, sofrimento e infelicidade? Por que a escuridão é tão opressiva?

Ele conta que, certa vez, participava de uma Vigília de Natal, quando, entre hinos religiosos e reflexões, alguém proferiu uma oração, que não foi tirada do livro de preces comunitárias, mas feita, especialmente, para a ocasião. Um leigo, de pé, a voz enchendo o enorme espaço da nave da igreja, assim proclamou: “Você mergulhou na escuridão e fez diferença. Mergulhe na escuridão novamente!”

Na próxima Vigília da Páscoa, a mãe de todas as vigílias, serão proclamadas as ações de Deus em benefício dos que nele acreditam.

Ainda que muitos perguntem onde está esse Deus, ele continua o mesmo. Se Ele mergulhou na nossa escuridão e fez diferença, uma vez, nada nos leva a imaginar que não o fará novamente. E se pensamos que Ele não age, o problema deve estar na nossa percepção. Não em Deus. 

Ele age por dentro da realidade. Se não alcançamos, o problema não seria mais nosso?

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