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Ricardo Menezes

O presidente da Caixa de Assistência dos Advogados do Estado do Rio de Janeiro (Caarj) trata de temas de interesse público, justiça e cidadania

Reforma para quem?

Tenho acompanhado atentamente tudo o que tem acontecido em Brasília relacionado à Reforma da Previdência com um certo espanto. A pressa, sabemos bem, é muito conhecida como a inimiga da perfeição. Decisões políticas importantes para o país não só não podem, como não devem ser tomadas às pressas, de afogadilho, sem as necessárias discussões e debates amplos com toda a sociedade.

E não precisamos voltar muito na estrada do tempo para encontrarmos exemplos claros do que estou dizendo. Diziam que a reforma trabalhista iria gerar milhões de empregos. Não vimos nada nem perto disso, muito pelo contrário. Geramos a retirada de direitos, isto sim.

“A PEC do teto de gastos vai equilibrar as contas públicas”, diziam os que conseguiram colocar nas nossas mentes que recursos para saúde e educação não são investimentos essenciais para o país, mas gastos quase que supérfluos e passíveis de congelamento. Não houve equilíbrio algum, muito pelo contrário.

A bola da vez é que “a reforma previdenciária vai salvar o Brasil”. Uma reforma que começa a ser aprovada pelo mesmo Congresso que há dois anos, por unanimidade, considerou nossa previdência superavitária. Estranho, não? Também acho. Bastante.

Meus anos de vida e advocacia mostram que retirar direitos, sobretudo dos que menos têm, nunca foi solução para progresso de nenhum país desenvolvido. Pode ser que eu esteja errado. Mas não creio que seja desta vez. Aguardemos os próximos capítulos.

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