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Paulo Afonso Cunha

O presidente da Nittrans, coronel Paulo Afonso Cunha, fala sobre o sistema de trânsito na cidade e a relação entre motoristas e pedestres no fluxo de tráfego do dia a dia

Rocinha: Mais uma vergonha

Nos idos de 1995/96 tive a honra de comandar o 23º BPMERJ e atuar no exercício constitucional da autoridade de polícia ostensiva e de preservação da ordem pública, nos bairros do Leblon, Ipanema e São Conrado no RJ, cuidando também do direito à incolumidade das pessoas, nos estritos termos da vontade popular brasileira expressa no artigo 144 da Constituição Federal.

Convivi com pessoas maravilhosas da comunidade como D. DALVA, Sr JORGE “MAMÃO”- administrador regional, D. IRENE, entre muitos outros, os quais me honraram com loas ao trabalho desenvolvido, na minha ausência, sendo certo que, já nomeado no cargo de Secretário de Trânsito do RJ, nosso saudoso ex-Prefeito LUIZ PAULO CONDE, ligou-me para dizer que estava com as lideranças locais em seu gabinete, pedindo-o para que retornasse ao comando do 23º BPM e ao convívio com a ROCINHA, interrompido em 08 de Janeiro de 1997, para assumir o cargo municipal, por ordem superior.

Estes fatos denotam com lógica cartesiana que, os moradores e o povo local, em sua imensa maioria, não apoiam, não defendem, não querem e não fazem nenhuma apologia ao comércio clandestino de drogas na comunidade, eis que, nesta data mencionada passei o comando da Unidade do Leblon, a um Cel PM falecido, sem que houvesse um ponto de venda de drogas no agora bairro, sem que houvesse um tiroteio, sem que houvesse qualquer disputa por poder ilegal na comunidade, até por não existir, e ainda, honrado no fundo da alma por uma homenagem surpresa (fui pego pelo braço) da Sra Diretora da Escola Municipal local, “por ter acabado com os tiroteios diários que obrigavam as crianças a deitarem-se no chão para proteção pessoal”, segundo narrou-me na oportunidade.

Por oportuno, convém mencionar que o efetivo total permanente de PMs nos PPC-03 e 05 era de 30 (trinta), nada mais!

Faço esta narrativa para justificar o título deste texto e afirmar que, infelizmente, quem quer e produz os lamentáveis acontecimentos de violência, criminalidade na ROCINHA (quiçá em outros locais!), são as autoridades, o poder público e a polícia, ao negociar patifarias com bandidos, em troca de leniência. Não tenho dúvida alguma desta afirmação e quem a tem é porque não vai lá ver para crer. O vetor social é ínfimo e residual.

A saída da Força Armada e a entrada da Polícia, com a continuidade do comércio ilegal de drogas e o comando “espúrio” de traficante é uma medida antidemocrática acima de tudo, corrupta, deprimente, falaz e conotadora de gravíssimas ilações políticas e administrativas de poderes chafurdados na ladravagem e distantes da vontade e do interesse do povo.

Em suma, também são ditadores, na linha direta do antigo Rei da França, LUIS XIV.

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