Assine o fluminense

SG: desapropriações para a Linha 3 não foram pagas

Cerca de 50 famílias perderam seus imóveis e não viram dinheiro nem metrô

Advogado diz que indenizações para famílias podem chegar a R$ 800 mil

Foto: Evelen Gouvêa

Cerca de 50 famílias, entre moradores e comerciantes do Jardim Catarina, em São Gonçalo, que tiveram seus imóveis desapropriados da Rua Alfredo Backer para as obras da Linha 3 do Metrô, reclamam na Justiça pela falta de assistência da prefeitura da cidade. Na época, segundo eles, foi prometida a entrega de boxes para os comerciantes em Alcântara e de moradias para as pessoas que residiam no local, porém, até agora nada foi feito. Segundo o advogado Sandro Guimarães, que representa parte das famílias, as indenizações, juntas, chegam a R$ 800 mil.

Sandro é responsável por 20 ações de indenização. Segundo ele, os moradores foram chamados pela prefeitura em 2013 para uma reunião, onde promessas foram feitas, mas não resolveram nada.

“A maioria das pessoas tinha comércios antigos e morava em cima, ou ao lado, e com a promessa de ganhar um box para continuar as atividades em um lugar melhor, e de uma moradia do projeto Minha Casa, Minha Vida, eles assinaram um documento da prefeitura para sair do local. Mas a promessa não foi cumprida, muitos estão desempregados, passando fome e até morando na casa de familiares de favor. Isso é um absurdo”, declarou.

Ainda segundo Sandro, o local desapropriado há quase três anos está atualmente abandonado. Repleto de mato, sujeira e vazamento de esgoto, a rua ainda se tornou deserta, sendo assim, um trecho perigoso, onde ocorrem diversos assaltos. 

“Até agora nenhum sinal da obra do Metrô. E os moradores estão tendo que dar um jeito para viver dignamente. Estamos com as ações desde o fim do ano passado e por ser contra a prefeitura da cidade, mesmo mudando a gestão, o órgão tem que assumir e dar uma solução para o caso. Até agora não tivemos nenhum posicionamento”, declarou.
Antigo proprietário de uma barbearia no bairro, Carlos Henrique de 26 anos, diz que a situação está complicada.

“Perdemos tudo e não ganhamos nada por isso. Consegui alugar outro espaço, mas por conta própria, e isso não é justo. Estamos trabalhando para tentar recuperar o que perdemos”, desabafou.

O comerciante Marcelo Antônio Tavares, de 44 anos, tinha um comércio na rua há vinte anos e relatou ter saído com a esperança de ganhar um novo espaço e assim ter uma vida melhor.

“Assinamos para sair. Mais duas pessoas trabalhavam comigo, e ficaram desempregadas. Agora aluguei uma outra loja no bairro, e estou pagando R$ 800 de aluguel, é uma situação difícil. Tive que arrumar recursos próprios para continuar a vida, mas muitos não conseguiram e estão passando por situação ainda pior”, contou.

A Procuradoria Municipal informou que ainda não recebeu contato em relação a qualquer ação sobre esta demanda. Sobre os comerciantes, a Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciências e Tecnologia, Agricultura e Pesca, e Trabalho esclarece que também não foi procurada pelos interessados e que não tem ciência sobre o acordo feito na gestão passada. 

O órgão orienta que os comerciantes que tenham alvará e foram desalojados se dirijam até a Prefeitura para discutir a situação. 

A Secretaria de Desenvolvimento Social está realizando levantamento e apurando a situação dos moradores que perderam as casas na gestão passada e seriam incluídos no programa do Governo Federal.

Faça seu login ou cadastre-se para enviar seus comentários

Comentários

camila da silva costa
É lamentável o posicionamento da prefeitura, que faz promessas que não pode cumprir e, ainda, prejudica inúmeras famílias que dependem do local. Espero que a atual gestão consiga resolver o problema causado, fazendo com que todos esses comerciantes sejam indenizados de maneira digna a fim de retomarem as suas vidas.
Vote up!
Vote down!

: 0

You voted ‘up’

camila da silva costa
A
Vote up!
Vote down!

: 0

You voted ‘up’

Scroll To Top