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Por outro lado

Ozéas Lopes Filho é doutor em Sociologia e Direito pela Universidade Federal Fluminense (UFF)

Temos muito o que falar...

A Modernidade, era da razão científica, se comunica através de recursos tecnológicos cada vez mais sofisticados. Como outrora, não transmite mais suas principais notícias em manuscritos, valendo-se de estradas de barro, conduzidas em lombo animal, misturadas com tecidos, especiarias e a ração de sustento da empreitada; na era atual, as notícias fluem pelas vias invisíveis das ondas de rádio, dos sinais de satélite, por microfibras – pelo ciberespaço da Internet. A Modernidade tem pressa de se comunicar, de se aproximar e, pelo menos em discurso, envolver tudo e todos em um só projeto. 

Vivemos um mundo cada vez mais rápido, ao ponto de alterarmos nossas medidas tradicionais, adaptando-as aos tempos da velocidade, mesmo porque o tempo é uma invenção da razão, só existe porque foi codificado em dados parâmetros e medidas; fizemos hábito a indicação de tempo em relação a determinada distância a ser empreendida, ou massa, a quantidade de informações transmitidas e, a inteligência passou a ser unidade quântica de informação, ou “medida de informação”, como se transportássemos pesos e corpos através de fibras óticas ou ondas de rádio. 

Já foi dito que, nos dias atuais, a quantidade de informações que as pessoas acumulam diariamente segue numa quase incalculável proporção volume/tempo, inclusive, é comum serem divulgados estudos, anunciando que os conhecimentos dobram, ou triplicam a cada cinco ou dois anos, dependendo da metodologia empregada. Entretanto, não há dúvidas em se afirmar que a espécie humana vive seu momento áureo na propagação quantitativa de informação e conhecimentos. 

Responsável direta pela disseminação desses conhecimentos, a Internet, como moderna tecnologia de informação, ocupa cada vez mais um espaço já transformado por outras mídias integrantes de um sistema cultural, que se consolidaram no século passado; ombreada ao cinema, a televisão, a telefonia celular digital e mesmo as renovadas ondas de rádio, que teve suas transmissões ainda em 1906, a Internet deixará marcada na história do planeta através da World Wide Web – Rede Mundial de Computadores –, a maior revolução até então vista em termos de disseminação multicultural. 

Por outro lado, inobstante a tantas tecnologias, recursos e meios à produzir, transmitir e circular a informação, salta aos olhos nossas dificuldades comunicativas; temos muito o que falar, meios para fazê-lo, no entanto, estamos cada vez mais individuais, solitários e egoístas, nossas verdades, além de abafadas estão restritas aos nossos círculos, crenças e tribos.  

Destarte, devemos perguntar por que ainda temos tantas dificuldades de comunicação, de trocas de ideias; por que no mundo Moderno ainda não conseguimos estabelecer um processo racional comunicativo – não instrumental/estratégico –; por que é tão difícil estabelecer mínimos denominadores comuns, onde aparentes pontos de tensões se tornem balizas de partidas para a construção da convivências plurais; por que é tão difícil aceitar o outro como semelhante, mesmo quando sua inclusão significa a nossa própria inclusão no seu mundo sortido(?) 

2016 está chegando, com toda sua potência transformadora de novos ares, que refrescam e renovam os tempos; assim sendo, minha proposta de final de ano é que aproveitemos o momento e individualmente, cada um fazendo a sua parte, usemos de toda as nossas capacidades e tecnologias para nos aproximarmos dos mais afastados e estranhos à nós, na tentativa de ouvirmos seus argumentos, em gesto de renovação de fé na humanidade, acreditando que somos capazes de superar obstáculos quando os interesses passam a ser comuns, viabilizando um projeto de paz, solidariedade e liberdade, para todos os seres que vivem neste planeta. Feliz Ano Novo!

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