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Tesouro encontrado no fundo do mar

Expedição encontrou, em março deste ano, uma embarcação que naufragou próximo à Ilha Mãe há seis anos

O instrutor de mergulho da Escola Diving Club Niterói Sebastião Mariani de Oliveira, foi o autor dessa descoberta

Foto: Divulgação

O mar esconde muitos mistérios e alguns deles podem revelar incríveis histórias, como a que o jornalista e velejador Murillo Novaes viveu ao lado de seu filho Pedro, de 13 anos, e seu amigo de longa data, Fábio Collichio. Os três embarcavam em uma aventura há seis anos atrás e resquícios do acontecimento foram encontrados por mergulhadores no final do mês de março deste ano, mais de cinco anos depois do ocorrido. 
Os três sobreviveram a um naufrágio de um veleiro na Ilha Mãe, na Região Oceânica de Niterói, e tiveram um pedaço dessa história registrada por profissinais do mergulho. 

Durante um bate papo entre mergulhadores no dia 23 de março de 2019, um deles contou que tinha ouvido falar que na Ilha Mãe alguma pessoa havia avistado um barco no fundo do mar, mas não conseguia ter certeza de onde era o naufrágio. Esse barco era um pedaço da história vivida por Murillo e seus parceiros de viagem. 

O instrutor de mergulho da Escola Diving Club Niterói Sebastião Mariani de Oliveira, mais conhecido como “Mineiro” foi o autor dessa descoberta. 
“Sai com um grupo de ex-alunos para uma expedição na ilha. Utilizamos o equipamento que faz a leitura do fundo do mar e identificamos o lugar em que estava a estrutura de um barco. Ao mergulhamos, fizemos fotos e vídeos e identificamos que se tratava de um veleiro de 32 pés e começamos a preparar um material para ser colocado nas redes sociais. A equipe do Clube Naval de Charitas publicou em um grupo e três horas depois o Murillo me ligou em busca da embarcação”, contou.

Murillo, que sobreviveu há aventura ao lado de seu filho e amigo, pretende marcar com o Mineiro um mergulho para reencontrar o veleiro perdido.

“Apesar de muitos acharem que eu não deva voltar ao local do acidente, por se tratar de um capítulo passado da minha vida, tenho vontade de ir.” avalia Murillo 

Resquícios de embarcação que naufragou próximo a Ilha Mãe, há seis anos, foram encontrados por grupo de mergulhadores

Foto: Divulgação

Sebastião, que promove passeios de barcos pelo Rio de Janeiro, diz ter poucos naufrágios pela região e que cada vez mais pessoas se interessam em conhecer o fundo do mar. 

“Todas as pessoas que comento sobre o naufrágio ficam muito interessadas para fazer mergulho por lá. Já podemos considerar um novo ponto de turístico de Niterói. O mar é imenso e achar uma embarcação é como se fosse encontrar um pingo d’água no oceano. Quando a gente procura as informações sobre o que possa ser esse achado, a gente tenta pegar todos os detalhes para ter sucesso nas buscas. E mesmo com uma certa experiência, já fiz diversas expedições sem sucesso. Conseguir encontrar um naufrágio é de imensa felicidade“, conclui Sebastião. 

Naufrágio  - O que era para ser somente mais uma velejada na trajetória do jornalista e velejador Murillo Novaes se tornou um capítulo marcante de sua vida. Ele, juntamente com seu com filho Pedro, de 13 anos, que realizava a primeira travessia no oceano, e o amigo Fábio Collichio, navegava na noite 8 de dezembro de 2013 e sobreviveram a um naufrágio de um veleiro na Ilha Mãe. 

De acordo com o velejador, seu amigo tinha pedido para que ele levasse o Velamar 32, ou “Fratelli”, de Cabo Frio com destino ao Clube Naval Charitas, onde seria realizada a pintura do fundo do veleiro, que estava terminando de ser reformado.

Antes de embarcarem, o velejador realizou estudos da área que mostraram que ventos seriam de, no máximo, 14 nós, de E-NE, e haveria um swell grande residual da grande tempestade que tinha passado 48 horas antes pela costa do Rio. Nada muito preocupante. Às 7h30 do sábado, os três saíram para a viagem. Passaram por Arraial do Cabo, Saquarema e sem problemas. Já de noite, ao chegarem nas águas niteroienses, o cenário já não era o mesmo. Quando passaram por Itacoatiara, o mar já estava mexido. Ao se aproximarem da Ilha Mãe, passaram por uma arrebentação. 

Ao guinar o barco para boreste, uma parede íngreme de água (de quase 3 metros) pegou em cheio a embarcação. 

Murillo conta que sua próxima lembrança é já embaixo d´água lutando contra cabos e velas para subir à superfície. “Lutei pela minha vida. Pensava que não podia morrer pois tinha que salvar meu filho que estava dentro da cabine. Na minha cabeça foram intermináveis momentos de angústia total”, relembra.

O velejador não lembra como voltou a bordo, apenas se recorda dos gritos de seu filho, que estava dentro da cabine com água até a cintura. O menino foi regastado pelo pai e por Fábio. 

Ao retornarem ao veleiro, eles viram que o cenário era de completa destruição, mas o celular de Murillo ainda estava intacto e, com apenas 4% de bateria, o velejador entrou em contato com seu outro filho que contatou à Marinha que enviou uma lancha da capitania para realizar o resgate. 

“Com o veleiro aparentemente não fazendo água (ou muito pouca) eu e Fábio tentamos ajeitar as coisas a bordo. Colocamos o mastro mais para cima e o amarramos para evitar que ficasse batendo contra o casco. As ondas já haviam nos empurrado para fora da laje e estávamos à deriva, bem no embate da ilha, indo para fora. Resolvi lançar o ferro e ficamos ali, protegidos do vento e das ondas, por mais de duas horas no fim”, contou.

Pouco depois das 2h do domingo, a lancha “Anchova” da Marinha do Brasil resgatou as vítimas. Após todos salvos, Murillo resolveu voltar, ao local do acidente. Mas para a surpresa de Murilo, ao chegarem próximo à Ilha Mãe, o “Fratelli” já estava no fundo do mar.

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