Assine o fluminense

Tradição pelas ruas de Niterói

Apesar da violência e falta de adesão da população, crianças fizeram a festa no dia de São Cosme e São Damião

No Barreto, dezenas de crianças, algumas acompanhadas dos responsáveis, ficaram à espera de doces na manhã desta quinta

Evelen Gouvêa

Como manda a tradição, crianças saíram às ruas de Niterói ao longo de todo a quinta-feira (27) atrás de doces distribuídos em homenagem ao Dia de São Cosme e São Damião. Considerados os protetores dos gêmeos e das crianças, os irmãos são lembrados nesta data por religiosos e também por quem faz a alegria da criançada com as guloseimas. 

Desde as primeiras horas da manhã, as vizinhas Monique Baptista da Silva, de 33 anos, e Luzia Ferreira da Conceição, 68, ocuparam a calçada da esquina entre as ruas Presidente Craveiro Lopes e Travessa do Silva, no Barreto, com a afilhada (9 anos) e neta (5 anos), respectivamente. Moradoras do bairro, em pouco menos de 2h, já haviam arrecadado 8 saquinhos de doce.

“Sempre levamos as meninas para pegar doce, mas como está perigoso para andar por aí, escolhemos há alguns anos ficar aqui na esquina. É perto de casa e ainda é um ponto bom, sempre passa carro com gente entregando”, contou Monique, completando que é uma tradição desde sua infância.

Luzia já está na terceira geração desta tradição. Acostumada a pegar doces na infância, levou os filhos e agora leva a neta. Em sua visão, a história mudou ao longo dos anos e foi perdendo a aderência da população por conta de divergências de religião, porém, para a aposentada esta interação entre as crianças é importante. 

A aposentada Sandra Bezerra Chaves, 64, é uma das niteroienses que sempre distribuem as guloseimas pela cidade. Antes, costumava entregar em sua casa, mas agora sai com o marido de carro, aumentando a distribuição e a segurança. 

“É uma satisfação participar, dou o doce desde a época do meu pai, quando era mais nova. Achei confuso em casa, às vezes queriam para adultos também, mas não quis parar, mudei a abordagem”, conta. 

Médica veterinária, Jane Pinheiro, 67 anos, aprendeu com a família a tradição por frequentar festas da umbanda desde criança e adotou a prática. Em seus ‘saquinhos’, coloca três balas e sete doces, prioritariamente claros, pois há a crença de que as crianças espirituais não gostam de doces escuros, como o chocolate.

“Não é mais questão de promessa, mas dou todo ano. Antes, via muita criança nas ruas, sinais, correndo atrás dos carros, neste ano quase não vi. Na minha época, iamos nas casas, davam senhas, pessoas faziam festa. Já cheguei a fazer mesas de doces também, mas ‘saquinho’ é mais fácil”, disse.

Apesar de em menor escala, a tradição se manteve por todas as regiões da cidade. Na Zona Norte, muitos carros distribuíram os doces, assim como nas ruas mais tranquilas da Região Oceânica. Em Icaraí, na Zona Sul, munícipes escolheram o Campo de São Bento para a distribuição. 

Tradição - São Cosme e São Damião são considerados protetores dos gêmeos e também das crianças. Por isso, as pessoas criaram o costume de distribuir os doces para homenagear os santos ou cumprir promessas feitas a eles. 

Faça seu login ou cadastre-se para enviar seus comentários

Comentários

Veja também

Scroll To Top