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Transtornos de todas as formas em Niterói

Bairros sem luz, ruas alagadas, árvores caídas e barco encalhado

Um veleiro, que estaria à deriva na Baía de Guanabara, acabou encalhando na Praia de Icaraí com a força dos ventos que atingiram a cidade na noite de quarta-feira

Evelen Gouvêa

Na Rua Dr. Borman, no Centro, parte do reboco de um prédio caiu, atingindo a rede elétrica, comprometendo o fornecimento

Evelen Gouvêa

Após o temporal e ventos fortes que atingiram Niterói na noite da última quarta-feira (6), a cidade amanheceu com falta de energia em diversos bairros. Comerciantes e moradores do Centro, Icaraí, Pendotiba e Região Oceânica chegaram a ficar mais de 15h sem luz. Por conta dos fortes ventos, um barco à deriva ficou encalhado na Praia de Icaraí e muitas ruas do município ainda estavam alagadas durante a manhã, principalmente na Região Oceânica.

Diversas árvores caíram em diferentes bairros de Niterói, obstruindo ruas e prejudicando a distribuição de energia. A cidade ficou em estágio de atenção até a tarde quinta-feira (7). No início da noite, a Praia de Icaraí ainda apresentava uma faixa de lixo.

De acordo com a Prefeitura de Niterói, nenhuma sirene precisou ser acionada e não houve registros de feridos, deslizamentos ou desabrigados. Segundo a Defesa Civil, as regiões do Morro do Bumba, Várzea das Moças e São Francisco registraram os maiores acumulados pluviométricos em uma hora. Também foram registrados ventos de 66km/hora em Charitas e 62km/hora em Piratininga.

A Defesa Civil municipal conta com plantão 24h de monitoramento meteorológico, com envio detalhado de informações sobre a previsão do tempo e de avisos através do aplicativo Alerta DCNIT, SMS (40199) e grupos no WhatsApp. Em caso de emergência, a população deve ligar para o 199 ou 2620-0199. 

Sem luz – Alvo de reclamações, a distribuição de energia voltou a ser problema para moradores de Niterói. Após o início da chuva e dos ventos, diversos bairros ficaram sem luz e muitos transformadores explodiram. O comércio do Centro e de Icaraí sofreu com prejuízos por conta da falta de luz, que ocorreu desde a noite de quarta-feira (6). Alguns estabelecimentos comerciais nem chegaram a funcionar.

Moradores dos bairros de Pendotiba, Centro, Largo da Batalha, Icaraí, Santa Rosa, Pé Pequeno, Região Oceânica, Várzea das Moças, Charitas e Jurujuba relataram nas redes sociais a falta de energia desde a noite de quarta, com oscilações e picos de energia em algumas ruas. Na Travessa Santa Rosa do Viterbo, em Santa Rosa, a previsão de retorno de luz na casa do analista de sistemas Felipe Duval, de 33 anos, era para as 23h de ontem, mais de 24h após a queda.

“Moro em um condomínio com mais de 140 apartamentos. A luz acabou às 22h de quarta, a primeira previsão da Enel era para volta da luz às 3h. Depois, ligamos novamente, e ficou para às 23h de quinta. Um absurdo”, disse. 

Segundo o gerente administrativo Sérgio Freitas, de 51 anos, esta não é a primeira vez que o bar e restaurante Friends, na Presidente Backer, fica sem energia durante horas. No final do ano, foram mais de 15h sem luz, o que interrompeu o funcionamento durante a noite e dia. 

Já na Rua Dr Borman, o reboco do edifício do número 23 caiu, atingindo a fiação da via, causando uma grande explosão. Além dos diversos comércios afetados na rua, a Acadêmico Walter Gonçalves e Rua da Conceição também ficaram sem energia. O prédio antigo da Prefeitura, onde funciona a Secretaria da Fazenda de Niterói, também ficou às escuras, prejudicando o expediente e cidadãos que buscavam atendimento no local. O fornecimento de energia na região foi normalizado por volta das 16h30. 

Em nota, a concessionária Enel, responsável pelo fornecimento de energia elétrica na cidade, informou que as fortes chuvas e ventos que atingiram parte da Região Metropolitana na noite de quarta-feira (6) causaram a interrupção do fornecimento de energia em algumas regiões de Niterói e São Gonçalo. 

Em Icaraí, parte do comércio da Rua Presidente Backer ficou sem luz, e alguns estabelecimentos nem abriram

Evelen Gouvêa

Alagamentos – As horas de chuva, iniciada por volta das 19h, foram suficientes para causar diversos pontos de alagamento na cidade. Na Rua Presidente Backer, próximo ao Estádio Caio Martins, as pistas ficaram intransitáveis, assim como no Largo do Marrão, em Santa Rosa.  

Em Charitas, a Avenida Professor Silvio Picanço ficou, novamente, alagada. Na Alameda São Boaventura, no Fonseca, as duas pistas ficaram inundadas com o temporal. O canal que corta as vias transbordou, e os carros tiveram dificuldades para transitar. As águas tomaram as calçadas e as baias dos ônibus, que praticamente desapareceram devido ao grande volume de água provocado pela chuva.

Na Região Oceânica, as recentes obras da TransOceânica, o corredor viário, não suportaram a quantidade de chuva e diversos pontos de alagamento foram registrados, principalmente próximo ao Trevo de Piratininga. Na Estrada Francisco da Cruz Nunes, no ponto final de ônibus de Itaipu, estavam inundadas, atrapalhando a movimentação de passageiros e funcionários dos coletivo. 

Árvores – Árvores tradicionais, como na Avenida Rui Barbosa e do Canal da Avenida Presidente Roosevelt, em São Francisco, não aguentaram a ventania. Em outros pontos, como Icaraí, também na Zona Sul, Região Oceânica e na Zona Norte também houve registro de quedas e obstruções de ruas e avenidas.

Na Região Oceânica, todos os bairros registraram queda de árvores, sendo alguns com obstrução de rua e até interdição de residência. Na Rua André Serpa Pinto, em Camboinhas, a árvore de uma vizinha caiu e acabou interditando o quarto, varanda e a área da piscina da casa da microempresária Gisele Guimarães, de 54 anos. 

“Levei um susto! Os galhos quase entraram no meu quarto, e a árvore é tão grande que tomou o quintal quase todo. Quebrou o guarda-corpo da varanda de vidro e o piso afundou, a laje e o pilar de sustentação foram condenados. Condenaram uma outra árvore da vizinha e deixaram uma notificação de risco de queda de outra, tanto pedimos que ela podasse, eu mesmo já havia pago duas vezes. Agora, temos um prejuízo que não tenho o dinheiro para consertar e liberar”, lamentou. 

De acordo com a Prefeitura de Niterói, equipes da Secretaria de Conservação e Serviços Públicos (Seconser) e a Companhia de Limpeza de Niterói (Clin) atuaram na cidade desde a noite de ontem nos serviços emergenciais de retirada de árvores, limpeza de ralos, caixas de passagem e ruas. Na manhã de ontem, equipes trabalhavam para liberar ruas e calçadas de São Francisco, como na Rua Timbiras. 

 

Em Itaipu, um grande alagamento da Estrada Francisco da Cruz Nunes causou transtorno para moradores e motoristas. Já o bairro de São Francisco foi um dos pontos da cidade que sofreram com a queda de árvores durante o temporal

Evelen Gouvêa
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