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Dom José Francisco

Dom José Francisco Rezende Dias oferece uma reflexão sobre a evolução da sociedade e como a fé contribui para essas mudanças de maneira positiva

Um tríduo de amor

A partir de amanhã, os católicos no mundo inteiro irão celebrar o ponto central e culminante do Ano Litúrgico: o Tríduo Pascal. Quinta, sexta e sábado são os momentos solenes em que celebramos a Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor.

A Quinta-Feira Santa é marcada pela Instituição da Eucaristia e do Sacerdócio. Um dos gestos mais significativos desta celebração é o lava-pés, quando o Senhor do Universo se inclina aos pés dos homens, e os lava. “Eu vos dei o exemplo, para que como eu fiz, vocês façam o mesmo” (Evangelho de João, capítulo 13). É séria demais essa proposta. 

A Sexta-Feira Santa é o único dia do ano em que a Igreja Católica não celebra missas. Ela se debruça na Paixão e Morte do Senhor, o Servo Sofredor. A celebração das 3h da tarde compõe-se de quatro partes: leitura dos textos sagrados, oração universal, adoração do Crucificado e comunhão. O povo cristão também quis dar sua contribuição e fez bonito; por todo lado existem procissões, vias-sacras, sermões das 7 Palavras e grandes encenações, que enriquecem a devoção com um fecundo feitio emocional. 

No Sábado Santo canta-se a vitória da Vida, a Ressurreição do Senhor, numa maravilhosa celebração, à noite. É tamanha a riqueza dessa celebração que este espaço seria pequeno demais para comentar.  

Estes três momentos, na verdade, são um momento só. Quem deles participar estará no centro da vida da Igreja, no centro da história humana e no centro do universo – esse conjunto de forças regido pelo amor. 

O que falta é o amor. No mundo marcado pela estupidez da guerra, pelo horror do recente atentado com bombas químicas na Síria, por mortes de crianças e inocentes, pela destruição sistemática de hospitais, como faz falta a afirmação de que o amor supera a dor, de que a vida canta a vitória sobre a morte.

É tudo o que os humanos foram capazes de fazer ao longo de sua tumultuada história. É o que nos garantiu a sobrevivência: acreditar no amor. Os livros de história e os jornais são páginas ensanguentadas. A grande proposta destes três dias é a de lavar a alma no Sangue do Cordeiro, o único capaz de limpar a nódoa do ódio, que por pouco não tem a última palavra. 

A última palavra é a do amor.

Este foi o critério de Cristo. O critério que guiou cada escolha dele durante a sua vida toda foi o decisivo desejo de amar o Pai, de ser um com o Pai e de Lhe ser fiel. Essa decisão de corresponder ao amor eterno levou Jesus a abraçar, em todas as circunstâncias, o projeto de amar. O mesmo projeto de Deus.

Neste Tríduo Pascal, nós nos dispomos a despertar do sono e a acreditar e confiar na força do amor. A sonolência dos discípulos, no Horto das Oliveiras, não foi somente um problema daquele momento, mas de toda nossa trajetória. Cair no sono da insensibilidade é o maior perigo que nos ronda. Sair da comodidade é tudo o que nos salva. 

Deixemo-nos ser despertados de nós mesmos nesta Páscoa. Esta é a proposta, a razão, nossa saída desse mundo de ódio, nossa essência humana: o amor.  

Feliz Páscoa a todos os queridos leitores.

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