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Convivência pacífica no trânsito

Conhecimento dos deveres e obrigações de cada um ajuda ciclistas, motoristas e pedestres a seguirem em harmonia pelas ruas da cidade

Seja para o lazer ou como meio de transporte, a bicicleta vem conquistando cada vez mais adeptos em Niterói

Foto: Douglas Macedo

A iniciativa sustentável do uso da bicicleta como meio de transporte vem crescendo cada vez mais na Cidade Sorriso. Além de promover bem-estar, a atitude visa à diminuição dos carros nas vias. Porém, a convivência entre carros e bicicletas ainda está longe do ideal. Ao todo são 30 quilômetros de malha cicloviária, segundo a Prefeitura de Niterói, porém, a falta de entrosamento entre motoristas, ciclistas e pedestres tem causado constantes acidentes. 

Uma das vítimas foi a professora Priscilla Vieira, de 30 anos. Ela foi atropelada por um carro quando voltava do trabalho, enquanto atravessava na faixa de pedestres da Avenida Roberto Silveira com a Rua Dr. Paulo César e não recebeu socorro do motorista. O caso teve repercussão nas redes sociais. 

“Eu estava atravessando a faixa normalmente, com o sinal aberto para mim. Quando eu estava no final da faixa, o semáforo abriu para os carros. O motorista acelerou com tudo e me atropelou. Caí junto com minha bicicleta e machuquei minha perna. O motorista saiu do carro, me pediu desculpas e fugiu sem prestar socorro. Uma falta de respeito”, relata. 

A falta de segurança tem mobilizado diversos grupos de ciclistas da cidade a trabalharem com a conscientização. Eles incentivam as “bicicletadas” para mostrar que a bicicleta tem espaço em vias da cidade. Porém os ciclistas também têm seus deveres e obrigações no trânsito.  

A arquiteta Thais Finóchio, integrante do coletivo Pedal Sonoro ressalta que não só os ciclistas de Niterói, mas todos os que compõem o trânsito da cidade precisam de campanhas de educação para o trânsito, fiscalização efetiva e redução do limite de velocidade.
  
“Mobilidade urbana é fluidez de trânsito para todos os usuários das vias públicas. Por exemplo, um ciclista que pedala na calçada atrapalha o fluxo de pedestres e coloca estas pessoas em risco, assim como um carro que estaciona bloqueando uma rampa de acessibilidade ou calçada. As ciclovias e ciclofaixas ainda podem ser consideradas novidades, o que dá margem a algumas confusões. Muitos motoristas não sabem que não podem estacionar sobre este espaço mesmo em caso de pane. Estamos aguardando pela campanha da prefeitura em parceira com o programa Niterói de Bicicleta, anunciado para este mês de maio ainda. Mas é importante frisar que educar sem fiscalizar dificilmente vai resolver os problemas”, destaca Thaís. 

Busca pela mobilidade  –  A Prefeitura, através do programa Niterói de Bicicleta, tem um plano de estudos para duplicação da malha cicloviária até 2016. Além disso, uma campanha publicitária de educação no trânsito será lançada ainda neste mês. Segundo a Prefeitura, o Programa Niterói de Bicicleta participa constantemente de campanhas, como, por exemplo, o projeto Motorista Amigo do Ciclista, organizado pelo Sindicato das Empresas de Transportes Rodoviários do Estado do Rio de Janeiro (Setrerj). 
Foram instalados nesta gestão 183 suportes para bicicleta e está prevista a colocação de mais 167 suportes. Segundo a prefeitura, a falta de fiscalização e falta de manutenção nas ciclovias são as reclamações mais comuns dos ciclistas, por isso, o governo municipal está intensificando a fiscalização nas ciclovias. 
“Há fiscalização constante nas ciclofaixas da cidade, com agentes em bicicletas ou a pé monitorando irregularidades. Só este ano, mais de 7 mil veículos foram autuados por estacionar em ciclofaixa, calçadas e passeios públicos, e outros 204 por transitar nas ciclofaixas. Uma das campanhas utilizadas de conscientização é a Multa Moral, advertência em forma de panfleto, explicando a irregularidade cometida”, garantiu. 

Icaraí: reduto das bikes 

Moradores de Icaraí foram apontados como os que mais usam a bicicleta como meio de transporte para o dia a dia, de acordo com pesquisas feitas pelo grupo Mobilidade Niterói, no final de 2014. O relatório – que mostra o perfil, origem e destino dos ciclistas de Niterói – ainda informou que Santa Rosa e Fonseca são bairros de origem, onde foram contabilizados grande número de usuários das magrelas. 

A pesquisa foi feita nos meses de setembro, outubro e novembro, online, por ser tratar de um público específico. Tinha como objetivo conhecer o perfil dos ciclistas da cidade e seus pontos de origem e destino dentro de Niterói. Contou com a participação de 397 ciclistas moradores da cidade. O Centro foi apontado como o destino da maioria dos ciclistas. 

O representante do grupo Mobilidade Niterói, Sergio Franco, diz que logo nos primeiros estudos puderam constatar o grande número de usuários de bicicleta e outros ciclos. “Já era perceptível o crescimento da bicicleta como meio de transporte em nossa cidade, crescimento este que nós temos notado nos últimos 4 ou 5 anos, contudo não tínhamos nada contabilizado que pudéssemos demonstrar e usar como argumento da necessidade da implantação de um sistema cicloviário mais seguro. O principal bairro de origem é Icaraí, com 19,65% dos ciclistas, o que não chegou a nos surpreender, mas também é o segundo em destino, com 18,14%, o que nos surpreendeu, ficando apenas atrás do Centro que tem 47,61% dos destinos. Centro e Icaraí são dois grandes polos de comércio e serviços”, diz. 

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