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Mão na Massa

O chef Romeu Valadares apresenta as novidades do mundo gastronômico e dicas sobre pratos saborosos e cheios de detalhes curiosos

A janela da cozinha

A janela da cozinha

Divulgação

Na medida que as grandes cidades se espalham, o campo fica cada vez mais longe, diluindo, como uma foto antiga, a noção que temos da atividade agrícola. Quem experimentou cultivar uma horta, já teve uma amostra do esforço e dedicação necessários para extrair, sem uso de química, as belezas nutritivas da terra. Há anos, ressalto o valor do pequeno agricultor e seus produtos de excelência, como uma seta que aponta para a valorização da gastronomia. Que tal comer um pouco menos e melhor? Vamos nos proteger dos efeitos colaterais do raio gourmetizador? 

Quando fizer uma viagem para a Região dos Lagos ou Serrana, observe as vendas na estrada. Alguns daqueles produtos são plantados e colhidos por pequenos lavradores, e algumas boas surpresas podem surgir. Por enquanto, a sugestão é pôr uma jardineira, que pode funcionar na área de serviço, na varanda do apartamento e até bem fixada numa janela qualquer, desde que o local seja assistido pelo sol da manhã. Você já contabilizou a quantidade de salsa, coentro e outras ervas aromáticas que envelhecem na geladeira e acabam no lixo? 

Num contexto onde as famílias encolheram em número, uma jardineira fornece o suficiente para manter quatro pessoas abastecidas com um toque nos pratos. Claro que, quando uma receita pedir maior quantidade, há sempre o mercado. Quem mora em casa e se animar, pode plantar em vasos as ervas separadas. Ervas frescas batidas com azeite, um toque de alho, sal e pimenta do reino resultam num delicioso acompanhamento para umas fatias de queijo de cabra, ou mesmo o nosso queijo minas do café da manhã. 

O acompanhamento é vinho branco. E aproveito para falar do Vale do Luar, cem por cento chenin blanc. Por todo lado onde se ama, fala e bebe vinho, o engenheiro Luiz Carlos Cattacini Gelli vem conquistando seu lugar nas adegas de enófilos com os vinhos Cattacini. Gelli não tem vinhedo, nem estrutura de adega, mas suas escolhas técnicas e intuitivas têm produzido excelentes resultados, e com esse já são oito. 

O Vale do Luar tem uma acidez brilhante, que chega na boca, no colo de uma cremosidade encantadora. No nariz, a maçã característica da casta. E mais, frutas tropicais e uma untuosidade de avelã herdada da parte que fermenta em carvalho. Tudo isso no Brasil, e por um valor abaixo dos três dígitos.

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