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Amor e ódio, por Shakespeare

OST apresenta no Teatro Popular a montagem ‘Muito Barulho por Quase Nada’, adaptada do clássico

“Muito Barulho por Nada”, de 1598/1599, inspirou a montagem da Oficina Social de Teatro que conta com 11 atores no elenco, em cartaz até dia 2 de setembro

Tom Marinho / Divulgação

Quando a raiva decide mostrar sua outra face, o amor, nasce uma história, e o Teatro Popular Oscar Niemeyer será palco desta trama amorosa dirigida por Erika Ferreira e José Geraldo Demezio, chamada “Muito Barulho por Quase Nada”. A peça é uma adaptação da clássica comédia de William Shakespeare “Much Ado About Nothing” (1598), e está em cartaz nos sábados e domingos, a partir deste até 2 de setembro, às 11h, realizada pela Oficina Social de Teatro (OST).

“Após uma armação, o amor de um casal é posto à prova. Em paralelo a isso, um novo romance nasce, em duas pessoas improváveis que se odeiam e, mais uma vez, o ódio, ainda que oposto, floresce como amor”, revela o ator Rafael Lima, que interpreta o Monge na montagem.

A peça se passa na cidade italiana de Messina, em meio a um cenário de guerras consecutivas onde os jovens nobres, Cláudio e Hero, ganham o consentimento de suas famílias para se casarem. O melhor amigo de Cláudio, Benedito, está apaixonado por Beatriz, irmã de Hero, uma jovem que rejeita suas cortesias e nega o desejo de se apaixonar. Cada encontro entre Benedito e Beatriz é marcado por insultos mútuos e agressões, que acabam revelando aos demais o que já desconfiavam: ambos estão apaixonados. 

“A partir dessas suspeitas, toda uma trama é armada pelos familiares e amigos para que o casal assuma essa paixão e fiquem juntos”, conta Cris Mathias, a Beatriz na peça.

O espetáculo evidencia as contradições presentes nas relações amorosas, mostrando a posição da mulher no relacionamento. Representada pela personagem Beatriz, uma mulher que, apesar de amar e de desejar uma relação amorosa, acaba negando a união com qualquer homem porque não quer ver-se obrigada a cumprir o papel de noiva e esposa, destino inevitável para uma mulher de sua época e classe social. 

“Embora tenha sido escrita em 1598/1599, Beatriz, representa as mulheres atuais que, apesar de suas conquistas, ainda são socialmente cobradas a cumprirem o papel de esposa, sob pena de não serem plenamente valorizadas na sociedade”, avalia Cris Mathias.

Shakespeare apresenta o amor por uma outra ótica, aponta a existência de um sentimento real. 

“Nas relações o amor nem sempre é um mar de rosas. A desconfiança e o ódio (oposto e igualitário do amor) fazem ver as coisas mais corriqueiras presentes em diferentes casais. Desconfiar do grande amor não significa ‘não amar’. É como dizer que o amor não é cego. E quando fazemos isso na peça, o público pode identificar sua própria história no texto”, diz Rafael Lima. 

Para os artistas, embora o texto tenha sido escrito há tempos, é algo atual, pois fala de questões, competências, medos, angústias e amores presentes nos dias de hoje. 

“Interpretar Shakespeare é um grande desafio, é vencer a barreira da construção textual que exige a compreensão de tudo o que é dito, tendo em vista que cada diálogo revela as nuances das personalidades, não só do seu próprio personagem, como dos outros que orbitam na história”, diz a atriz Cris Mathias.

A peça se utiliza da comédia para levantar questões de fundo filosófico, interagindo com o espectador.

“A interação com o público é um desafio, pelo fato de que podemos encontrar as reações mais variadas possíveis. Como alguém já disse: ‘O ser humano já é naturalmente acostumado com o drama, com a tragédia’. Sendo assim, fazer comédia é acreditar na humanidade e na sua capacidade de rir”, diz Rafael, que acredita que os recursos da comédia ajudam a chegar com mais vivacidade ao público jovem: “Este público, cada vez mais, vem se atualizando, se modificando, e isso principalmente no âmbito de suas relações. Na peça, queremos cativar esse público, com toda a descontração possível, passando de forma leve, porém dinâmica, as questões e histórias apresentadas pelo texto”, completa. 

O elenco é formado por 11 atores que interpretam Leonato (Octavio Vargas), Beatriz (Cris Mathias), Hero (Bianca Pontes), Margarida (Karla Abreu), Dom Pedro (Tom Marinho), Claudio (Bernardo Marques), Benedito (Sylvio Moura), Dom João (Wesley Marinho), Borracho (Victor Braga), Dogberry (Ian Oliveiras) e o Monge (Rafael Lima). 

O Teatro Popular Oscar Niemeyer fica na Rua Jornalista Rogério Coelho Neto, s/n - no Centro de Niterói. Hoje e amanhã, às 11h. Preço: R$ 20. Censura: livre. Telefone: 2613-2734. 

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Comentários

Mariavanilda
Boa matéria sobre está peça que é uma comédia. Parabéns
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