NITERÓI/RJ
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Arte em 3 tempos

Benjamin Rothstein, Dorys Daher, MarQo Rocha e Bet Katon são os artistas que compõem a mostra coletiva “Ensaios Imagéticos”

Foto: Divulgação

Nova fase, estar aberto para o novo compreendendo as perdas e ganhos, valorização das origens e reflexão sobre o mundo à nossa volta são perspectivas em aberto na temporada de exposições 2019 do Espaço Cultural Correios Niterói (ECCN). Domingo (13), às 15h, o local apresenta três novas mostras: “Tessituras”, com cerca de 10 obras da artista Sílvia Neves; “Renda-se”, com 29 trabalhos de Maria Goretti; e a coletiva “Ensaios Imagéticos”, com obras de Bet Katona, Benjamin Rothstein, Dorys Daher e MarQo Rocha.

Sílvia trabalha com arte desde 1986 e, a partir de 2004, começou a pintar. Suas obras abstratas estarão no primeiro piso do Espaço Cultural Correios Niterói e apresentam um conjunto de formas em movimento, sinuosas e curvilíneas, repletas de cor e luz. Essa é a primeira individual da carioca, que mora em Rio das Ostras e é aluna de João Magalhães na Escola de Artes Visuais do Parque Lage. A curadoria da exposição é assinada por Luiz Badia.

“‘Tessitura’ é uma palavra mágica utilizada tanto na música quanto na pintura, por isso, foi a mais adequada para expressar esse novo ensaio. Tanto pode ser um conjunto de estruturas musicais ou pictóricas, que são confortáveis à criação do artista”, analisa o curador.

Através da pesquisa desenvolvida, a artista abre um novo capítulo em sua carreira, que decorre de um processo de luto e ausências, que representam situações marcantes que provocam mudanças. As pinturas também passaram por uma transformação e ganharam uma conexão com a música. 

“Minha relação com a música, particularmente nessa exposição, vem de um resgate de memória de um livro de partituras que recebi de herança e usei como um ponto de afeto subjetivo para a construção das imagens. Essas ausências e o resgate de memória estão pela primeira vez no meu trabalho. São elementos que usei como uma camada subjetiva de acesso ao trabalho”, confessa Sílvia. 

A curadoria é de Aureo Guilherme Mendonça, com colaboração de Sílvia Neves

Fotos: Divulgação

Renda-se – Entre os 29 trabalhos da artista carioca Maria Goretti estão um caleidoscópio, 10 trabalhos pequenos em formato 3D, um díptico, um tríptico e 17 telas de tamanhos variados feitas a partir de técnicas mistas de pintura acrílica. O processo pictórico inicia-se com a construção de imagens por “monotipia por retirada”, processo autoral da artista. A intenção é explorar as diversas sensações produzidas pelo olhar, tais como a significação das imagens, cores, profundidade, formas e textura, entre outras, a partir de materiais recolhidos em brechós ou feiras. 

“Pintar é prazer. É o momento em que eu desligo de tudo, me divirto, me expresso, e coloco meus sentimentos mais puros e íntegros em arte. É como uma oração, onde parece que meu universo se amplia. Meu objetivo com a exposição é que o público consiga uma condução imaginária da arte com as rendas e bordados. Se conseguir tirá-los dos problemas e corre-corre do dia a dia, mesmo que por alguns minutos, estarei realizada e plena”, ressalta, Maria Goretti. 

Para a construção da arte em “monotipia por retirada” são utilizados materiais de fabricação artesanal, como tricô ou crochê, além de elementos industrializados, tais como rendas e bordados. Ao reunir esses elementos em suas pinturas, a artista cria uma nova leitura de suas origens, oferecendo-as em uma nova narrativa. A arte ganha forma em “Renda-se”.
“Meus quadros carregam muitos sentimentos e lembranças de minha infância. Minha mãe era costureira e cresci vendo e aprendendo essa arte de transformar um pedaço de pano em roupas feitas com muito carinho e perfeição (ela era ótima nos detalhes). Cresci entre linhas e agulhas, e essa lembrança aflorou quando me deparei com uma tela em branco. Desde então, uso rendas, bordados, tricô e crochê para realizar minhas pinturas”, pondera a artista.

Técnicas mistas de pintura acrílica sobre tela compõem os trabalhos de Maria Goretti, que estreia a exposição “Renda-se”: um mergulho em sentimentos e lembranças de sua infância

Foto: Divulgação

Ensaios Imagéticos – O quarteto de “Ensaios Imagéticos”, que ficará até 16 de março no segundo andar do ECCN, conta com a curadoria de Aureo Guilherme Mendonça, e com colaboração de Silvia Neves. São nove trabalhos de Bet Katona; sete de Benjamin Rothstein; oito de Doris Daher; e sete de MarQo Rocha.
A exposição é inspirada na ideia original dos ensaios literários, trazendo a possibilidade de lançarem ideias que fiquem abertas ao público. 

“Pensamos em imagens que façam fissuras delicadas em nossos neurônios e nos estimulem a pensar mais sobre o mundo à nossa volta. Sempre tive muita simpatia pela ideia do ensaio por ele permitir voos mais altos do que as narrativas mais comedidas”, resume Aureo, que aproveita para comentar sobre as técnicas empregadas pelos artistas, reconhecendo que cada um inclui sempre algum elemento novo em alguma obra: “Bet Katona, Benjamin Rothstein e MarQo Rocha trabalham de formas variadas as técnicas de acrílica e óleo sobre tela, enquanto a Dorys Daher segue a linha do conceito de escultura expandida da crítica Rosalind Krauss, trabalhando vários materiais em formas escultóricas bem sugestivas no âmbito de uma linguagem contemporânea”, explica o curador. 

O curador sempre teve uma inclinação meio kantiana/schilleriana de perceber a arte como elemento fundamental e ressalta: “A arte faz equipar as pessoas com os instrumentos necessários para saber agir sobre o mundo com autonomia, além de libertar da malfadada servidão do pensamento, tão disseminado nos nossos dias com a chuva de informação das nossas mídias hegemônicas. A arte pode se transformar em uma espécie de passaporte para uma vida mais plena. Quando fazemos nosso trabalho de curadoria é nessa possibilidade que estamos acreditando”.

O Espaço Cultural Correios Niterói fica na Av. Visconde do Rio Branco, 481, no Centro – Niterói (em frente à estação das Barcas). De segunda a sábado, das 11h às 18h. Exceto feriados. Entrada franca. Vernissage: 12/01, das 15h às 18h. Visitação: 12 de janeiro a 16 de março. 

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