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Arte em 4 tempos

MAC recebe três exposições inéditas e uma com recorte especial a partir deste sábado

Cartão postal de Niterói receberá quatro exposições

Foto: Felippe Moraes / Divulgação

As mostras são: “Baía de Guanabara: Águas e Vidas Escondidas”, que conta com a participação de diversos artistas (até 23 de outubro); “Provar, Aprovar, Reprovar”, de Agostinho Moreira (até 11 de setembro); “Progressão”, do artista Felippe Moraes (até 11 de setembro); e “Ephemera: Diálogos Entre-Vistas”, que está em cartaz desde junho e ganha um recorte especial (até 14 de agosto)

Foto: Paulinho Muniz / Divulgação

Projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer, o Museu de Arte Contemporânea é o principal cartão-postal de Niterói e já sediou grandes eventos, como o desfile da marca francesa Louis Vuitton, em maio deste ano. Reinaugurado – no ano em que completa duas décadas –, o MAC desta vez será palco, a partir deste sábado (6), às 10h, de quatro exposições: “Baía de Guanabara: Águas e Vidas Escondidas”, que conta com a participação de diversos artistas; “Provar, Aprovar, Reprovar”, de Agostinho Moreira; “Progressão”, do artista Felippe Moraes; e um recorte especial da mostra “Ephemera: Diálogos Entre-Vistas”, que está em cartaz desde junho.

“O ano inteiro nós iremos manter a ‘Ephemera’, apenas inovando o eixo de obras dessa exposição.
Logo, serão três estreias, uma dentro do museu e duas fora. A ideia é tratar o MAC como uma estrutura viva onde todos os espaços podem ser suporte para exposições, performances e intervenções”, explica Luiz Guilherme Vergara, diretor e curador do MAC.

Todos os eventos desde a reabertura fazem parte do programa “MAC + 20”, com mostras que enaltecem a importância e potência histórica da Coleção MAC Sattamini e, simultaneamente, celebram novas perspectivas curatoriais por meio de colaborações nacionais e internacionais. 

“Progressão”, de Felippe Moraes, conta com a curadoria de Michelle Sommer e possui 26 bandeiras diferentes, localizadas na rampa do museu. As obras estão organizadas de maneira a produzir uma progressão de tons passando do preto para o branco, com uma escala gradativa de cinza entre elas. No centro de cada uma delas está a inscrição de uma porcentagem, partindo de 100% preto até 0%.

“Acho que essa obra traz algo interessante para a minha trajetória como artista, assim como minha própria compreensão dela, de que o universo em que vivemos é feito de nuances e, a maior parte da obra, não é feita de extremos, mas sim de gradações intermediárias”, analisa Felippe. 

O trabalho do artista é uma manifestação da tensão da linguagem matemática e da ciência com o mundo tangível, quantificando a experiência das nuances entre o preto e o cinza.

“Há algo importante nesse trabalho – que surgiu por meio da relação com o momento das Olimpíadas que estamos vivendo, fazendo uma ponte entre o fato de as fronteiras nos mapas terem, em geral, a cor preta. Estamos vivendo um momento de discussão de questões territoriais, suas implicações políticas, como a crise dos refugiados e, de alguma maneira, essa obra propõe que as fronteiras talvez não precisem mais ser linhas estanques em um mapa. Elas podem ser a proposição de novas relações e do desmantelamento de limites geopolíticos”, explica o artista. 

Já a mostra “Provar, Aprovar, Reprovar”, de Agostinho Moreira, é uma instalação participativa, na qual tampas redondas de plástico, reutilizadas em diversas dimensões e cores, formam uma pintura em movimento proporcionada pela ação do vento. Serão colocadas de início, aproximadamente, 60 mil tampas no espelho-d’água do museu. 

“O espelho-d’água do MAC casa com elementos importantíssimos do nosso tempo. Consegui fazer uma ligação com a Fontana di Trevi na Itália, que possui exatamente a ideia oposta à que eu proponho. Em vez de jogar as tampas e pensar em nós mesmos, pensamos nos outros seres humanos e não só na nossa própria identidade”, diz Agostinho. 

O público pode participar da exposição, levando mais tampas, que poderão ser assinadas pelos contribuintes. Cada tampa levada poderá ser trocada por alguma já presente no trabalho, criando uma interação entre público e obra.

“Todo o meu trabalho vai para materiais que têm ligação íntima com pessoas. A obra toca na reflexão. Quero que todos possam tirar da obra a sua própria história”, conta Agostinho.

As exposições “Baía de Guanabara: Águas e Vidas Escondidas” e “Ephemera: Diálogos Entre-Vistas” possuem curadoria de Luiz Guilherme Vergara. “Ephemera” abriu junto com a reinauguração do museu, em junho. Mas, a partir deste sábado, será apresentada ao público um recorte especial da mostra, que faz parte da coleção MAC-Sattamini. “Baía de Guanabara” conta com a participação de diversos artistas nacionais e internacionais, como Nuno Sacramento, Aurelien Gamboni, Gabriela Bandeira e Rodrigo Freitas, Inês Albuquerque junto com Priscila Grimberg, entre outros.

“É uma exposição que lida com a Baía de Guanabara, mas que lida também com outros universos, não só o humano, pois são diversas as vidas que estão escondidas na paisagem. É uma coleta de experiências, depoimentos e vídeos”, afirma Luiz Guilherme Vergara. 

Gabriela Bandeira e Rodrigo Freitas apresentam o projeto audiovisual “Entornos-Vozes de Gradim” na exposição que tem como tema a Baía de Guanabara. Nele é possível conhecer as histórias, de quatro pescadores do Gradim, que são costuradas e ilustradas com imagens cotidianas desses homens, margeados por uma Baía de Guanabara vivendo em uma quase “sobrevida” gerada pela ação da poluição. 

“Vivenciamos cada dia com os personagens e tentamos diminuir ao máximo a equipe de gravação para lidarmos de uma forma mais íntima com eles, criando um pacto de vínculo e confiança. Exploramos, ainda, uma quebra da simetria cinematográfica, potencializando as imagens com uma instalação sonora para proporcionar uma quebra extracampo do que é visto na tela”, conta Gabriela. 

O Museu de Arte Contemporânea fica no Mirante da Boa Viagem, s/nº, Boa Viagem, em Niterói. Horário de funcionamento: espaço expositivo, de terça a domingo, das 10h às 18h. Pátio, de segunda a domingo, das 9 às 18h. Telefone: 2620-2481. Preço: R$ 10 (inteira). Entrada franca para crianças abaixo de 7 anos, estudantes da rede pública de ensino, responsáveis pelos grupos de alunos, representantes da instituição de ensino de origem; moradores de Niterói mediante apresentação do comprovante de residência e visitantes que chegarem ao museu de bicicleta. Às quartas-feiras, a entrada é franca para todos.

Colaborou Mayara Aguiar

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