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Conscientização pela animação

Daniel Bruver é responsável pela criação dos personagens e dos cenários para um game que emula o ciclo de vida de um carrapato e faz parte da campanha contra doenças transmitidas pelos insetos

Foto: Divulgação

Por: Daniel Malafaia

Os jogos eletrônicos fazem parte da formação de gerações, desde que ganharam a atenção da massa nos anos 70. A oportunidade de se transportar para uma realidade fantástica, onde os limites são mínimos e as possibilidades infinitas, garantiu aos games um “lugarzinho” especial no coração dos jovens e o atributo de ícone “sagrado” na cultura pop mundial.

Com uma proposta visionária e inovadora, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) resolveu apostar nessa tecnologia, criando um jogo como suporte à divulgação da campanha contra as doenças transmitidas pelo carrapato - até então desconhecidas por boa parte da população brasileira.

A ideia é buscar a atenção do público juvenil, aproveitando o máximo do potencial pedagógico que a interatividade proporcionada pelo jogo pode oferecer. Para manter o caráter lúdico vivo na proposta é que o ilustrador niteroiense Daniel Bruver, de 28 anos, foi selecionado para participar do projeto.

“Um amigo que acompanhava meu trabalho nas redes sociais conseguiu uma oportunidade para participar do edital desse projeto e me perguntou se eu tinha interesse de fazer a criação dos personagens e do cenário. Eu aceitei, eles gostaram do meu trabalho e foi aprovado”, conta Daniel, que, além de possuir formação em jogos eletrônicos, construiu grande parte da sua carreira atuando no ramo da ilustração. “Sou muito curioso, então já trabalhei em estúdio, em design de papéis de parede e também fiz muitas gravuras autorais. De lá pra cá, já são sete anos de ilustração”.

Daniel afirma que nunca teve dúvida quanto ao caminho que queria seguir. Cercado de artistas no seu dia a dia - mãe arquiteta e artista plástica e pai cineasta - ele acredita que o amor pela arte vêm de berço.

“Desenho minha vida inteira. Quando fui prestar vestibular, não pensei duas vezes antes de decidir fazer algo relacionado a desenho. Só que foi difícil, porque eu não me enquadrava na maioria dos cursos que tinham na época, até que descobri um que era relativamente novo: artes visuais com foco em desenho de ilustração - que, inclusive, nem existe mais. Para mim, foi uma experiência muito boa”, lembra Daniel, que faz questão de enfatizar a importância do nível superior em sua formação. “Muitas pessoas perguntam - não só para mim, como para muitos outros ilustradores - se é necessário fazer alguma faculdade para ser ilustrador. Minha resposta é que não, não é necessário, mas a faculdade tem uma coisa muito boa de troca, com os professores e com os alunos, que me fez ver a ilustração tanto como lazer quanto como meio de vida. Me acrescentou muito”.

Por trás da criação do jogo está um trabalho muito responsável da Fiocruz, que se preocupou em selecionar uma equipe focada 100% em educar e instruir os jovens quanto à trágica realidade do problema.

“Por ser educativo, não pude fugir muito da realidade. Tive que estudar muito sobre o tema antes da produção e, para meu auxílio, tive aulas regulares sobre carrapato com um professor especialista no assunto. Tudo isso para o jogo se manter fiel à natureza”, explica.

De acordo com Claudio Rodrigues, analista de gestão de saúde com função em desenvolvimento tecnológico, as doenças transmitidas pelo carrapato são, silenciosamente, responsáveis por um crescente número de óbitos entre pessoas de 9 a 18 anos no Brasil.

“O jogo é um divertido emulador do ciclo de vida de um carrapato fêmea, desde o ovo até sua fase adulta reprodutiva. O jogador deverá passar pelos desafios inerentes a cada um dos estágios de vida do carrapato, buscando alimento através do repasto sanguíneo em animais de diversos habitats e portes, e completar as três fases do game, que equivalem aos três possíveis cenários da Febre Maculosa no Brasil: urbano, silvestre e rural”, diz Claudio, que também esclarece o porquê de terem escolhido o público juvenil como alvo: “Elegemos os jovens acima de dez anos por acreditar que são estes os formadores de opinião e indutores do comportamento preventivo entre seus pares e familiares”.

A previsão de lançamento do game é para o final de 2018, e será distribuído gratuitamente pela Fundação Oswaldo Cruz em plataforma HTML5, e para smartphones de sistema operacional Android.

 

 

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