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Cultura delivery

Clubes de assinaturas de literatura e cinema são a nova aposta do mercado

Além do delivery, editoras também oferecem um curadoria

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Uma pesquisa feita em 2017 pela consultoria JLeiva Cultura e Esporte junto do Datafolha entrevistou cerca de 10 mil pessoas de 12 capitais brasileiras, com o objetivo de fazer um mapeamento dos hábitos culturais no País. Em contraste com a opinião predominante no senso comum, de que "o brasileiro não gosta de ler", dentre as 12 atividades culturais listadas, a leitura aparece em primeiro lugar, representando a preferência de 68% dos entrevistados.

Trata-se de uma revelação interessante do ponto de vista sociológico, já que estima-se que o Brasil possua 11,5 milhões de analfabetos maiores de 15 anos, segundo dado divulgado pelo IBGE no ano passado.

Nesta conjuntura contrastante, têm surgido novas formas e dinâmicas de fomento à leitura e cultura em geral, além de um número crescente de instituições que adotam essas configurações, como, por exemplo, o serviço de delivery de cultura. No Brasil, o serviço foi introduzido em 2014 pela TAG Livros, uma empresa fundada por três jovens que decidiram dar uma nova roupagem aos tradicionais clubes de leitura.

A TAG surgiu junto à onda de clubes de assinatura, que eram voltados a inúmeros nichos, menos à literatura. “O que hoje parece, mais ou menos, óbvio, em 2014 o clube de assinaturas era um mercado voltado para produtos como vinho, cerveja, produtos de beleza, mas não de livros. Tivemos algumas experiências predecessoras, como o Círculo do Livro, e o antigo Clube do Livro na década de 60, mas, em um modelo de negócio moderno, não tínhamos. Fomos os primeiros e já estamos com quatro anos e meio de existência”, explica Arthur Dambros, diretor de marketing e sócio-fundador da TAG.

Em algumas editoras, o clube de assinaturas nasceu da necessidade de estreitar relações com o leitor

 

O sistema funciona da seguinte forma: a pessoa paga um valor mensal e recebe, periodicamente, kits com edições exclusivas de livros surpresa - que podem ser títulos indicados por grandes escritores ou títulos best-sellers -, além de itens como marcador de página e mimos literários. Arthur revela que tinham consciência do cenário do Brasil. No início foi difícil, mas, segundo ele, foi motivante, pois, se esperassem que o Brasil se tornasse um país reconhecidamente leitor para iniciar a TAG, talvez isso nunca acontecesse.

“Se caso isso acontecesse, nós saberíamos que não fizemos parte disso. Eu gosto de saber que, de alguma forma, nós botamos um grãozinho de areia para melhorar esse cenário. Isso que nos motivou a iniciar. O Brasil, claro, tem muitos problemas relacionados à educação e literatura, mas o mercado literário brasileiro não é insignificante em termos de volume, porque somos um País grande”, conta.

Seguindo a mesma linha, o mercado de assinatura de livros brasileiro também conta com a Intrínsecos, projeto da editora Intrínseca que vinha sendo pensado há um tempo como uma maneira de aproximar mais o leitor da editora. Heloiza Daou diz que, desde a época do lançamento do fenômeno literário Crepúsculo, em 2008, a editora já despertava para a necessidade de conhecer melhor os leitores.

Após alguns eventos organizados, a conclusão foi que nada mais eficaz do que um clube, pensado para o público leitor, com livros inéditos e materiais exclusivos chegando dentro da casa de cada um.

“Foram feitos vários estudos para avaliarmos os custos de cada caixa: formas de entrega, manipulação de materiais, produção do livro exclusivo e brindes, entre outros detalhes, para entendermos o que poderia ser colocado na caixinha para que o projeto fosse viável. Acabamos encontrando esse modelo que consiste em livro em capa dura, com uma cor só e fitilho, revista exclusiva com conteúdo que expande o universo de leitura, marcador, postal e brinde exclusivo”, esclarece.
 

Filmes também já apostam nas assinaturas

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Dedicada inteiramente ao cinema, surgiu a Rosebud, criada há 3 meses por Gleisson Dias. A empresa se propõe a ir além de um clube de assinatura - com distribuição de kits cinematográficos compostos de pôsteres, uma revista com conteúdo exclusivo, mimos cinéfilos, entre outros -, mas ampliar os horizontes cinematográficos dos assinantes, tanto através dos itens dos kits quanto através de uma rede social exclusiva, em que os membros podem falar sobre qualquer assunto sobre cinema e ter acesso a master classes organizadas pela Rosebud.

“Éramos três estudantes de cinema e começamos a querer compartilhar o conhecimento que adquiríamos na faculdade com as outras pessoas. Uma pessoa, hoje, que se interesse por cinema, vai encontrar muito conteúdo espalhado. Nós queríamos concentrar isso em um só lugar. Foi assim que surgiu a Rosebud. Nosso interesse não é tanto só entretenimento ou só enviar filmes. Temos um cuidado educativo, com o objetivo que os assinantes realmente se aprofundem no tema”, declara Gleisson.

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