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Desbravando Noel

Gomalina Clube desvenda o lado B musical do sambista em apresentação nesta quarta, às 19 horas, no palco do Teatro Municipal de Niterói

O grupo aposta em arranjos arrojados, com instrumentos modernos adaptados a canções não muito conhecidas de Noel

Foto: Divulgação/Bruno Pavão

Buscando desvendar ao público um lado não muito conhecido do lendário compositor Noel Rosa, o grupo Gomalina Clube se apresenta nesta quarta-feira (17), às 19h, no Teatro Municipal de Niterói, em um show que também marcará o lançamento do CD “Gomalina Clube canta Noel Rosa”. 

O grupo aposta em arranjos arrojados, com instrumentos modernos adaptados a canções não muito conhecidas de Noel, mas nem por isso menos geniais, já que, enquanto um narrador do cotidiano carioca, o sambista abordava questões sociais muito à frente de seu tempo.

A ideia surgiu ainda em 2015, quando o grupo, inicialmente formado pelos músicos Renato Badeco, Cadu Pacheco e Rafael Tavares, motivados pelo interesse mútuo que compartilhavam pela obra do compositor, começou a mergulhar fundo no chamado “lado B” da produção de Noel, composto por músicas pouco conhecidas do grande público. 

“Com essa vontade, a gente começou a pesquisar, se aprofundar em toda a obra dele e acabamos descobrindo que o Noel foi um cara que falou sobre tudo. Ele foi um dos primeiros compositores, sobretudo de samba, que começou a falar sobre a rotina das pessoas, sobre a rua, sobre a política, sobre a mulher na sociedade. A gente se identificou muito e viu que valia muito mais a pena falar sobre o lado B do trabalho do Noel do que sobre o lado A, que todo o mundo conhece, através de músicas como “Com Que Roupa?”, “Palpite Infeliz”. Foi percorrendo esse caminho que o grupo teve seu start”, conta o vocalista Renato Badeco. 

O grupo recebeu o convite de ser dirigido pela Duda Maia, uma diretora de teatro que trouxe uma provocação um pouco diferente.

“Ela resolveu perguntar se a gente imaginava quem seria o Noel hoje, porque a ideia dela era justamente que a gente trouxesse o Noel para a nossa realidade atual, do que voltar no tempo e viver uma época. Essa indagação fez a gente repensar toda a estrutura do show”, lembra Badeco. 

Foi a partir daí que o grupo chegou ao formato atual, levando aos palcos arranjos muito mais modernos e repaginados.

A formação atual do Gomalina Clube é composta por Renato Badeco, Cadu Pacheco, Rafael Tavares, Felipe Tauil e Marcos Luz, com o objetivo de seguir a característica de Noel de sempre se manter à margem do lugar-comum. Com isso, eles fazem uma miscelânea com o intuito de, em alguns segundos, surpreender o público. O Gomalina pega, por exemplo, a música “Positivismo” – que se caracteriza por apresentar reflexões filosóficas – e adapta um arranjo pesado de rock‘n’roll; pega a canção “Fita Amarela”, um samba fúnebre, e adapta um arranjo de salsa. 

“O Noel era um cronista. Ele tem músicas que descrevem uma cena de uma forma sensacional, e isso não era comum naquela época. Ele foi o primeiro cara que conseguiu influenciar o que veio depois, como a Bossa Nova e outros movimentos. Isso já era muito moderno para a época”, observa o vocalista, que também explica que o CD foi todo financiado através do Benfeitoria, uma plataforma de financiamento coletivo, popularmente conhecida como crowdfunding. 

Segundo Renato, a recepção do público é sempre muito boa, tanto no formato inicial quanto no atual. 

“Tem pessoas que assistiram tanto o formato de show atual quanto o anterior, e gostaram muito dos dois, porque também é legal você rememorar algo que não viveu, com base em referências que são dadas por avós ou pessoas mais antigas. Mas, ao mesmo tempo, a gente também tem um público que teve contato mais intenso com a obra do Noel e vai assistir ao show para relembrar. A gente tinha medo desse público, por achar que eles seriam conservadores, mas não. A resposta é sempre muito legal”, acrescenta Renato, que explica que, apesar do grupo estar muito envolvido com a obra de Noel, a proposta do Gomalina é revisitar, reinventar e ressignificar alguns outros compositores que têm lados interessantes, como Carmen Miranda, Ary Barroso, Dorival Caymmi, entre outros. 

O Teatro Municipal de Niterói João Caetano fica na Rua Quinze de Novembro, 35, no Centro. Quarta-feira, às 19h. Preço: R$ 40 (inteira). Classificação: livre. Telefone: 2620-1624.

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