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Diversidade de expressões

Com uma pluralidade de estilos, mostra ‘My Way’ reúne, a partir de hoje, 23 artistas na Casa França-Brasil, entre eles cinco de Niterói

Os trabalhos não se fecham em uma temática, mas expressam uma questão pessoal

Foto: Divulgação

“My Way”, no caso de intitular uma exposição de arte contemporânea, é uma expressão que não seria tão significativa se não levássemos em conta o contexto em que estamos inseridos, principalmente quando se trata da expressão artística. Esta é justamente a expressão que dá nome à exposição que ocupará a partir desta sexta-feira (18), às 18h, a galeria da Casa França-Brasil, reunindo obras de 23 artistas, entre eles cinco de Niterói: Cesar Coelho, Gabriel Grecco, Rafael Vicente, Rodrigo Pedrosa e Hugo Houayek. 

A exposição ficará aberta à visitação até dia 11 de fevereiro, de terça a domingo, das 10h às 20h. A proposta é ressaltar a diversidade de pensamentos. Como reflete o curador Osvaldo Carvalho, trata-se de uma mostra que revela “como é possível estarem lado a lado, conviverem pacífica e harmoniosamente linguagens das mais variadas”. É uma maneira de juntar em um só lugar um coletivo de individualidades que mostram o valor da diferença nas relações humanas. 
A expressão “My Way” não está em inglês por acaso ou por fins estilísticos. Surgiu por um interesse do curador na ambivalência de sentidos que a expressão possui tanto na versão inglesa original, como na tradução do inglês para o português. 

“Convidei os artistas para se expressarem do jeito deles, porque ‘My Way’, em inglês, serve para entendermos como ‘meu caminho’ e ‘meu jeito’. Tem uma dupla valência que serve para dizer essas duas coisas. Tanto que, na música do Frank Sinatra, ele brinca com isso. Quando ele canta ‘I did it my way’, podemos entender como ‘eu fiz isso do meu jeito’ ou ‘eu fiz disso meu caminho’. Me inspirei, justamente, nessa música. Há muito tempo gosto dela, principalmente pelo jogo de palavras”, esclarece o curador. 

Osvaldo fez convite a artistas que pudessem apresentar trabalhos que não fechassem a exposição em uma temática, mas que trouxessem um olhar intimista, de modo que eles se voltassem para alguma inspiração ou questão pessoal e colocassem isso pra fora em forma de arte. 

A proposta é ressaltar a diversidade de pensamentos.

Foto: Divulgação

“Eu não queria que eles se preocupassem em ter uma relação de trabalho um com o outro. Essa relação acabaria acontecendo no decorrer da montagem. No início do ano, eu os convidei e pedi para que fizessem um balanço do que foi o ano de 2018 para que produzissem uma obra ou, até mesmo, que revisitassem uma obra que havia sido trabalhada antes. Com isso, temos artistas como a Lia do Rio, que foi buscar memórias fotográficas da mãe e da filha dela, trabalhando as relações entre mãe, filha e neta; temos artistas com trabalhos que foram muito complicados de desenvolver, mas que correram em prol da exposição e conseguiram terminar; outros pesquisaram e fizeram coisas novas. Deu muito certo”, explica. 

Um dos integrantes da exposição, radicado em Niterói, que podemos destacar, é o artista visual Hugo Houayek, doutor em Linguagens Visuais pela Escola de Belas Artes da UFRJ, que conhece o Osvaldo há mais de 10 anos, tendo participado junto dele de várias exposições no decorrer do tempo. 

“Na verdade, a cena carioca de artistas é muito pequena, então acabamos conhecendo todo mundo. Ele me fez o convite e eu topei porque é um momento complicado. A Casa França-Brasil acabou de passar por um episódio chato de censura e não podemos ficar calados. Censurou, temos que fazer, porque, se ficarmos acuados, perdemos espaço. Já perdemos o Ministério da Cultura, estamos perdendo vários editais de cultura… São essas precariedades que temos que lidar no dia a dia para continuar fazendo arte”, critica o artista. 

O curador Osvaldo Carvalho revela que quis mostrar como é possível para a diversidade conviver pacífica e harmoniosamente

Foto: Divulgação

Houayek estará expondo uma de suas obras, chamada “Cimento Vermelho”, que faz parte de uma pesquisa que se estende há mais de 15 anos e que consiste na produção de objetos de cimento pigmentado, que ele classifica como uma provocação à imagem pictórica, ao fazer uma aproximação de objetos tridimensionais com a pintura. 

Outro artista da cidade que estará presente, dessa vez natural de Niterói, é Gabriel Grecco, que estará expondo pela primeira vez no local sua pintura de grandes dimensões intitulada “A lista das 400 crianças mais famintas do mundo”, que consiste em uma crítica a si mesmo e à sociedade. 

“Meus trabalhos são todos muito críticos e o que eu mostro nessa série, que eu venho trabalhando há mais de um ano, é, na verdade, uma crítica a mim mesmo. Só que acaba sendo uma crítica à humanidade. A série é composta de quatro quadros que retratam capas de revista com críticas sociais, e o que eu estarei expondo é uma Revista Forbes com uma criança africana que passa fome, o que é contraditório, porque ela sempre promove essas listas anuais dos 400 mais ricos e influentes do mundo. Eu fiz uma capa que é o lado oposto da balança, porque, enquanto na revista eles estão exaltando a riqueza, no meu quadro denuncio a miséria”, analisa Gabriel. 

A Casa França-Brasil fica na Rua Visconde de Itaboraí, 78, no Centro do Rio. Inaugura nesta sexta-feira (18), às 18h, e fica aberta à visitação de terça a domingo, das 10h às 20h até 11 de fevereiro. Entrada franca. Telefone: 2332-5275.

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