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Dois em um

Em ‘Velho Chico’, Carol Castro exalta processo criativo de Luiz Fernando Carvalho

A atriz vive Iolanda, no fim dos anos 1960, no início da Tropicália

Jorge Rodrigues Jorge/CZN

Atuar em “Velho Chico” significa a consolidação de alguns desejos para Carol Castro. Ao longo de seus 13 anos de trajetória na televisão, a atriz sempre ouviu falar do método de direção de Luiz Fernando Carvalho, atualmente à frente dos trabalhos da nova trama das 21h. Até então, ela nunca havia tido a chance de ser dirigida por ele e queria conhecer de perto como funcionava seu processo de criação. Além disso, por ter crescido assistindo às tramas de Benedito Ruy Barbosa, sonhava fazer parte de uma obra do autor – a história de “Velho Chico” é uma ideia de Benedito, mas escrita por Edmara Barbosa e Bruno Luperi, filha e neto do autor, respectivamente. Por isso, ser escalada para interpretar Iolanda é tão importante para a atriz.

“Para mim, é um momento especial, sem dúvida. O Benedito é quase um patrimônio nacional e o Luiz consegue tirar de nós coisas que nem imaginávamos ter. É minha primeira vez com os dois, estou muito realizada”, derrama-se.

Na trama, Iolanda é uma crooner do fim dos anos 1960, período em que surgia a Tropicália e quando se passa a primeira fase da novela. Em Salvador, na Bahia, a personagem vive um tórrido romance com Afrânio, papel defendido por Rodrigo Santoro no primeiro mês de novela e, em seguida, por Antonio Fagundes. No entanto, ele precisa voltar para o sertão e assumir o lugar do falecido pai no comando das terras da família. “Iolanda tem uma intuição aguçada, o que vai ser crucial para que essa história aconteça na segunda fase. No fundo, ela sempre soube que eles iriam se reencontrar”, conta.

Na segunda fase, aliás, a personagem é assumida por Christiane Torloni. Por isso, as duas atrizes se envolveram em um trabalho de investigação corporal para encontrar um jeito comum de se portar em cena. No galpão de Luiz Fernando Carvalho, elas caminharam lado a lado e fizeram improvisações juntas. Sempre observando os movimentos uma da outra.

“As coisas acontecem naturalmente. Por isso, é um trabalho diferente, tudo fica meio no ar. Ser dirigida pelo Luiz é como dançar com o invisível, ele vai guiando você através das cenas”, ressalta Carol, que também fez algumas aulas de canto com Torloni. “Tínhamos de olhar uma para a outra, a gente tinha de ser um espelho. Foi muito interessante, nos debulhamos em lágrimas”, lembra.

Já no teste de elenco, Carol soube que teria de cantar na novela. Na ocasião, ela precisou interpretar uma cena em que cantava ao mesmo tempo em que chorava.

“Só que não foi um teste normal por ser com o Luiz Fernando. Tinha um jogo de sombras, a gente tinha de dançar e era uma cena muito emocionada que foi feita só para o teste”, lembra. Depois de aprovada, a atriz fez aulas de canto com Agnes Moço, da equipe da novela. Mas não chegou a ter dificuldades porque esta não é sua primeira experiência musical. Ano passado, Carol já havia feito aulas de canto para o musical “Nine”.

“É impressionante como a música está, de certa forma, chegando na minha vida. Jamais imaginaria cantar em uma novela e calhou de acontecer”, surpreende-se. 

(Luana Borges/TV Press)

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