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Ela tem algo a dizer

No ar como protagonista de ‘Malhação’, a niteroiense Jeniffer Dias fala do sucesso na telinha

No ar como protagonista de ‘Malhação’, a niteroiense Jeniffer Dias fala do sucesso na telinha

Foto: Divulgação/Karina Friedrich

Se você ligar a televisão todo dia no fim da tarde para assistir à novela “teen” da TV Globo, “Malhação”, conseguirá acompanhar a niteroiense Jeniffer Dias (27) interpretando sua primeira protagonista, dando vida à personagem Dandara. A temporada que está no ar se chama “Malhação - Vidas Brasileiras” e, na trama, Dandara é filha do diretor do Colégio Sapiência, Marcelo, interpretado por Bukassa Kabengele. 

Dandara é uma jovem empoderada, que questiona o mundo ao seu redor e sabe muito bem o que diz e defende. Questões como feminismo, machismo e racismo são levantadas pela jovem, que, assim como sua intérprete, faz questão de impactar o mundo de forma positiva, fomentando mudança.  

“O convite surgiu em junho deste ano. Foi incrível porque eu estava em casa e a produtora de elenco me ligou perguntando: ‘Vai rolar teste para ‘Malhação’, você quer fazer?’ Eu pensei: será? Pois tenho 27 anos e a galera que faz a novela é bem mais nova, mas acabei aceitando, principalmente depois que recebi o texto, que foi quando eu vi que aquele papel era pra ser meu. A Dandara tem muito a ver comigo e com minha trajetória de vida”, conta a atriz, que sempre assistiu à novela teen.

Para ela, entretanto, ter esses temas ganhando foco foi algo que nunca teria imaginado que aconteceria: “Eu nunca tinha visto uma personagem em ‘Malhação’ que falasse tão abertamente sobre racismo, machismo, e que fosse tão empoderada. Foi muito legal ver que seria possível fazer uma personagem assim em uma novela que existe há tanto tempo”, admite. 

Jeniffer nasceu na comunidade Coronel Leôncio, em Niterói. Diferente do que se possa imaginar, a carreira de atriz não era sua primeira opção.  

“Não fiz teatro antes porque achava que era uma realidade muito distante da minha. Nasci em uma família humilde. Quando ligava a TV, não tinha ninguém parecido comigo, nas revistas, também não, nos jornais até tinha, mas era contando o pior sobre a gente”, revela.  

Estudou até a oitava série em escola pública, quando conseguiu bolsa integral na escola particular em que era atleta de ginástica rítmica. Com o objetivo de ter um emprego estável, se formou em Gestão Ambiental, começou a trabalhar e emendou no curso de Engenharia Ambiental para crescer na empresa. 

Leonardo Bittencourt, Jeniffer interpreta a estudante Dandara, cheia de atitude

Foto: Divulgação/Karina Friedrich

Sua vida começou a mudar quando foi vista pela atriz e apresentadora Regina Casé em uma roda de samba, que a convidou para seu programa de enorme sucesso na época, “Esquenta”. Abandona o curso de Engenharia, que, segundo a atriz, foi uma decisão muito difícil, uma vez que era uma garantia de futuro e a carreira artística pode ser muito instável - principalmente para alguém com sua realidade. 

“Depois disso, entrei para a Escola de Atores Wolf Maya e, em 2016, entrei para a ‘Trupe Cena’, um projeto interno da emissora em que eles convidam atores que estão começando e são desconhecidos para montarem uma peça e apresentarem para os diretores da casa. Fiz parte da primeira turma. Acho muito interessante ter teatro dentro da emissora e teatro é base, né!? Acho que todo ator deveria fazer teatro”, afirma a atriz, que também fez parte do “Afrobrasilidade”, workshop ministrado por Lázaro Ramos e Kiko Mascarenhas, também na emissora.

Logo depois, fez a personagem Luana na novela “Novo Mundo”: “Era pra ser apenas uma participação de quatro dias, mas a personagem cresceu e acabei ficando no elenco”.

Projeto 111 - É um projeto de resistência artística onde a arte é respeitada e valorizada, a partir do encontro de vários artistas, da periferia e Zona Sul, formando um intercâmbio cultural. Nele são realizados debates, exibição de filmes, shows musicais, performances e tudo o que valorize a arte. Em 11 de novembro, o projeto fez 1 ano, completando cinco edições.

“Veio de uma necessidade de ver os ‘meus’ em cena. Fazer a galera que veio da periferia e se parece comigo sendo vista. É muito gratificante, quando acaba uma edição, ver as pessoas felizes, saindo de lá transformadas”, finaliza. 

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