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Entre o presente e o passado

Espaço Cultural Correios, no Centro de Niterói, recebe a partir deste sábado a exposição ‘Morada’, do artista plástico friburguense Bê Sancho

As obras apresentam o contraste entre pinturas vibrantes e coloridas posicionadas no exterior da estrutura, e, no interior, objetos rústicos, artesanais em tons pastel

Foto: Divulgação

O Espaço Cultural Correios Niterói recebe a partir deste sábado (15), às 15h, “Morada”, exposição do artista friburguense Bê Sancho. De curadoria própria, a exposição tem a intenção de despertar memórias relativas aos diferentes sentidos de casa, lar e acolhimento, através de uma estrutura de madeira com pinturas em óleo sobre tela, objetos e fotografias que remetam a estas sensações. 

As obras apresentam o contraste entre pinturas vibrantes e coloridas posicionadas no exterior da estrutura, e, no interior, objetos rústicos, artesanais em tons pastel. As pinturas dialogam com o presente vibrante, vivo e cheio de expectativas; os objetos de memória fazem referência às raízes, ao passado, ao tempo e ao pertencimento.  

Neste paralelo entre presente e passado, onde a morada conecta estes dois extremos, os visitantes são convidados a olhar para o futuro e nele reconhecer direitos fundamentais ao acolhimento, à proteção e à dignidade de viver e conviver em sociedade. 

O artista de influência cubista começou a desenvolver a “Morada” a partir do interesse de abordar o tema da memória. Relacionou sua trajetória artística com o pensamento do filósofo Gaston Bachelard, que diz ser no acolhimento do espaço da morada, a origem da memória. 
 
“Sempre procurei trazer referências da cultura popular no meu trabalho. O lírico, o poético e o popular permearam outras exposições de minha autoria. Percebi que a memória sempre esteve presente nas pinturas ou nos objetos usados para despertar sentidos nos visitantes. Busquei então, partir de referências rurais e rústicas da morada e fui ampliando, buscando uma dimensão patrimonial, coletiva e social. Não podemos perder nossas origens, pois elas nos permitem ampliar nosso ser no mundo”, revela o artista. 

Na pré-história, os seres humanos já buscavam proteção, segurança e abrigo nas cavernas e nas construções rupestres, onde deixaram provas de que já compartilhavam uma vida coletiva. Na natureza, animais e insetos possuem diversas formas de se manterem em um ambiente protetor. Todos nós temos um lugar onde possuímos um sentimento de pertencimento em relação ao ambiente, aos objetos que ali estão, e, claro, nas pessoas. 

O artista de influência cubista começou a desenvolver a “Morada” a partir do interesse de abordar o tema da memória

Foto: Divulgação

“O meu lar ateliê é meu refúgio, mas também me sinto acolhido quando estou em meio à natureza. Espaços culturais e museus também me afetam de forma muito singular”, conta. 

Além das obras que nos remetem ao ambiente de casa, no qual nos sentimos confortáveis e acolhidos, Bê também traz em obras como: “Morada das Letras”, o sentido dos livros serem um lugar onde moram o saber e a educação. Em “Religare” e “Enamorados”, a morada é apresentada no âmbito do sagrado – tema já visitado pelo artista em obras passadas.  

Embora a exposição possua um teor lúdico, afetivo e poético no processo de idealização e criação da “Morada” – que durou quase um ano –, o artista não deixa de fora questões sociais e ambientais, expressando através de fotografias e objetos situações cotidianas como: moradores de rua, ambulantes, animais de zoológico, pássaros em gaiolas, etc.  

“Não conseguia me desligar do tema, e via a morada por muitas dimensões. Resolvi registrar por fotografia aquelas que me afetavam e que me causavam indignação. Há responsabilidade em se ocupar um espaço para comunicar a arte. Há um sentido pedagógico que não deve ser negligenciado. Não apenas como artista, mas como cidadão, percebi que deveria trazer também essa questão para a exposição”, observa o artista.  

“A morada que vive em mim convida a morada que vive em cada um que estiver aberto a compartilhar suas memórias. Fica o convite para que as pessoas venham e construam narrativas próprias sobre a casa, o lar e o acolhimento da morada. Espero que as pessoas se apropriem dos diversos elementos simbólicos e poéticos que trouxemos para o Espaço Cultural Correios Niterói, e de alguma forma se afetem com sentidos ali depositados”, finaliza. 

O Espaço Cultural Correios Niterói fica na Avenida Visconde do Rio Branco, 481, Centro, Niterói. Sábado, às 15h. Entrada franca. Classificação livre. Telefone: 2622-3200.

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