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A História passada a limpo

A ditadura militar tem motivado diretores brasileiros, que vêm lançando produções sobre o período

“Pastor Cláudio”, documentário de Beth Formaggini

Divulgação

Desde o ano passado, o cinema nacional tem se mostrado uma fértil fonte de informação sobre a ditadura militar brasileira e dos anos que sucederam, período que ficou conhecido como a “segunda redemocratização do Brasil”.

De lá para cá, foram lançados 10 filmes – a maioria deles documentários – que reúnem materiais inéditos sobre aspectos políticos e sociais, além de personagens conhecidos e inusitados que compartilham um ponto em comum: tiveram o rumo de suas vidas definidos pelos “Anos de Chumbo”. 

Essa safra não acabou. No dia 14 de março, os cinemas brasileiros recebem o documentário “Pastor Cláudio”, escrito e dirigido pela historiadora e cineasta Beth Formaggini, que mostra a conversa entre o líder evangélico Cláudio Guerra – um ex-delegado do Departamento de Ordem Política e Social, responsável pela morte e incineração de muitos brasileiros que se opunham ao governo – e o psicólogo e ativista Eduardo Passos – que trabalha atendendo vítimas de violência do Estado.

“Marigghella”, estreia de Wagner Moura na direção

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“O primeiro contato que eu tive com esse personagem foi com o livro ‘Memórias de uma Guerra Suja’, do Rogério Medeiros e do Marcelo Netto, lançado em 2012, em que o pastor Claudio relata para os jornalistas várias violações que ele tinha cometido. Normalmente, ouvimos as pessoas que sofreram a violência do Estado. No caso do Claudio, é um ponto de vista completamente oposto.

Preparei uma pauta de 12 páginas com mil questões, não só sobre a atuação dele naquela época até os dias de hoje, e convidei um psicólogo para que o entrevistasse”, explica a diretora. 

Outro filme que ainda não foi lançado, mas já causa grande repercussão mundial, é “Marighella”, primeiro trabalho de direção do ator Wagner Moura. O longa, que foi ovacionado no Festival de Berlim este ano, é uma adaptação do livro “Marighella – O guerrilheiro que incendiou o mundo”, escrito por Mário Magalhães, que conta a história do ex-deputado e revolucionário negro e baiano, militante ativo contra o governo militar até seu assassinato, em 1969. 

O filme ainda não tem data prevista para lançamento. 

De cima para baixo: “Terra em Transe” (1967), “Zuzu Angel” (2006), “Marcos Medeiros: Codinome Vampiro (2018)” e “O que é isso, companheiro?”(1997)

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A atenção do cinema brasileiro para este período não é um fenômeno atual. Na era do “Cinema Novo”, “Terra em Transe” (1967), de Glauber Rocha, marcou época ao criticar o governo por meio de uma metáfora que retrata a jornada política do jornalista e poeta Paulo Martins na fictícia República de Eldorado.

Anos depois, em 1997, o Brasil pôde ver a adaptação cinematográfica do livro de Fernando Gabeira, “O que é isso, companheiro?”, que acompanha os integrantes guerrilheiros do MR-8 e da Ação Libertadora Nacional, que sequestraram Charles Burke, então embaixador dos EUA, em 1969. Em meio a produções e mais produções, o cinema continua exercendo uma função didática para elucidar, através da representação de fatos, a realidade que assolou milhares de brasileiros durante décadas.

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