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Investigando a primeira infância

La Casa Incierta traz neste sábado e domingo à UFF a peça ‘A Gruta da Garganta’, destinada a crianças de 0 a 5 anos

Quem levar seus filhos estará diante de uma reflexão sobre os mistérios da comunicação, iluminada por projeções de vídeo lúdicas

Foto: Divulgação
 

A primeira infância é uma etapa essencial para o desenvolvimento do ser humano, o papel dessa época da vida no desenvolvimento mental, emocional, de aprendizagem e de socialização da criança talvez seja tão ou mais importante que a evolução física e neurológica. Levando essa fase da vida como prioridade, a companhia hispano-brasileira La Casa Incierta apresenta neste sábado (03) e domingo (04), no Teatro da UFF, em Niterói, o espetáculo “A Gruta da Garganta”, uma obra lírica destinada a crianças de zero a cinco anos. As sessões acontecem em dois horários, 11h e 16h, ambas com tradução para libras. Após a segunda sessão deste sábado, a companhia organizará uma palestra sobre processo criativo e arte para a primeira infância.

A peça tem direção de Carlos Laredo e traz as atrizes e cantoras Clarice Cardell e Aída Kellen no palco abordando o surgimento da linguagem humana. Uma criação inédita de teatro lírico que mostra esse momento específico onde, na garganta, surgem as primeiras palavras através de balbucios – um processo de experimentação que se tem com a fala.
O recém-nascido escuta, vê, sente pela pele, pelo cheiro, pelas mais diversas formas de vibração. Muito mais do que qualquer pessoa tenha passado na puberdade. Cabe indicar que uma criança faz mais sinapses neurais nos três primeiros anos de vida que no resto da vida.

“Diante dessa afirmação científica, caberia se perguntar se a criança está fazendo conexões comunicativas no seu cérebro em altíssima velocidade, estaria ela mais ou menos capacitada para a comunicação que o adulto? A nossa experiência tem nos demonstrado que aqueles que estão limitadíssimos somos nós, adultos. Somos nós que temos que fazer grandes esforços para tentar acompanhar minimamente os bebês. Nesse sentido, eles são gigantes”, explica o diretor Carlos Laredo, que revela o processo de concepção do espetáculo: “Para idealizar o projeto, partimos de um paradoxo, que poderia ser visto até como uma contradição. Tanto a origem da palavra ‘infância’, que significa ‘aquele que não tem uso da fala’, como a origem da palavra ‘bebê’, que assinava aos povos bárbaros estrangeiros que não falavam grego – ambos os termos estão relacionados com o fato de definir a primeira infância como aquela que não sabe e não é capaz de falar. Porém, as pesquisas dos últimos 20 anos em matéria de neurociências confirmam o que vários artistas sabiam há muito tempo: que os bebês de 8, 9, 10 meses são autênticos gênios da linguagem. Para comprovar esse fato, bastaria escutar a um estrangeiro como eu que aprendeu a falar em português na idade adulta e cujo sotaque delata que não escutou as canções de ninar, os contos e primordial da linguagem nos primeiros anos de vida”. 

“A Gruta da Garganta” faz parte de uma trilogia, sequência das obras “En La Punta de la Lengua” e “A Caverna Sonora”. Os responsáveis que levarem seus filhos estarão diante de uma reflexão sobre os mistérios da comunicação. Iluminada por projeções de vídeo que ampliam sua atmosfera lúdica, a cenografia sugere os labirintos do crânio, a caverna da boca e a cova da garganta por onde as atrizes guiarão o público numa viagem pelas ressonâncias da linguagem. O pianista ucraniano Mikhail Studyonov criou as composições eruditas exclusivamente para o espetáculo. 

A peça tem direção de Carlos Laredo e traz as atrizes e cantoras Clarice Cardell e Aída Kellen no palco abordando o surgimento da linguagem humana

Foto: Divulgação

“Trabalhar para a primeira infância é essencial, porque a primeira infância é mais de 10% da população brasileira, é um público majoritariamente privado do acesso à cultura, um público que, muito diferente do que se possa imaginar, não é um público com limitações em que se tenha que fazer um produto ou criação de uma menor qualidade. Logo, é um privilégio poder fazer arte para este público. A grande necessidade do teatro para bebês é de integrar a primeira infância à sociedade, e também integrar esses pais e professores que estão carentes deste espaço de convívio cultural”, confessa Clarice Cardell, que também é uma das diretoras da companhia. 

Durante os ensaios da peça, o filho da atriz Aída Kellen, que, na época, tinha poucos meses, estava na fase de balbuciar sons e acabou contribuindo para a criação da peça.

“O espetáculo é uma mistura de cores, de línguas e sons. É uma imersão na cinestesia e no universo dos bebês”, conta Aída. 

A companhia La Casa Incierta é pioneira no campo das artes cênicas para a primeira infância. Criada em 2000 por Carlos Laredo e Clarice Cardell. Ao longo dos anos, a companhia idealizou inúmeras criações e atividades artísticas, além de conferências e workshops para crianças, adolescentes, pais e professores.

Em sua trajetória, a cia. tem trabalhado e pesquisado uma linguagem poética em busca das capacidades infinitas com que nascem os seres humanos. Seus espetáculos foram apresentados em países como França, Espanha, Itália, Bélgica, Holanda, Martinica, Portugal, Israel, Finlândia e em diversas cidades do Brasil.

O Teatro da UFF fica na Rua Miguel de Frias, 9, Icaraí, Niterói. Sábado e domingo, às 11h e 16h. Entrada franca. Classificação livre. Telefone: 3674-7515.

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