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Luz sobre pegadas da África

Continente africano é o ponto de partida da mostra fotográfica exibida no Espaço dos Correios

Inspirado no trabalho de Sebastião Salgado, Frederico Figueiredo mostra mudanças na paisagem africana provocadas pelo homem

Frederico Figueiredo

O Espaço Cultural dos Correios em Niterói inaugurou ontem uma nova exposição, “Pegadas: África”, que ficará em cartaz até 2 de dezembro. É o primeiro de uma série de trabalhos do fotógrafo Frederico Figueiredo, que tem como ponto de partida o continente africano.

As imagens são inspiradas nas obras de um dos maiores artistas do segmento, o brasileiro Sebastião Salgado, objeto de seus estudos por muitos anos. Segundo o artista, “Pegadas: África” é o oposto do projeto “Gênesis”, do Sebastião, que mostra lugares intocados pelo homem civilizado, naturezas virgens, remanescentes do avançar territorial dos povos. Figueiredo, por sua vez, joga luz sobre regiões que o homem civilizado povoou, exibe a natureza de forma clara, que vêm sendo apagadas pela natureza em sua luta pela existência e as pegadas deixadas pela interferência do homem civilizado. 

A exposição conta com a curadoria de Edu Martins, que foi quem ajudou a construir o conceito, e toda a narrativa do projeto “Pegadas”, já que o fotógrafo voltou do continente africano, em 2012, com mais de 6 mil fotos e seria necessário uma seleção dos trabalhos para serem expostas. 

“Não é simplesmente um trabalho de edição, é também uma narrativa. Ele cria isso, além dos textos da exposição que foram feitos por ele, estudando o material, é claro. Eu fiquei um mês e meio na África, e essa exposição é um projeto de 10 anos, cada ano vou para um lugar e faço os costumes, gente, comida do local. E comecei com o continente africano, fiz África do Sul, Namíbia e Moçambique. O ano que vem será ‘Pegadas: Indochina’, no caso Tailândia, Vietnã, Laos, Camboja e Myanmar. O lançamento do projeto ‘Pegadas’ é esse da África”, adianta Frederico.

Nem sempre o fotógrafo se aventurou nessa área, denominada Fine Art, que é o cuidado para ser uma reprodução fiel da imagem, com qualidade e durabilidade própria e que tenha uma exigência superior às confeccionadas de qualquer outra forma. 

“No museu é só uma exposição. O que depreciava muito uma obra de arte fotográfica de uma pintura é que uma pintura não tem como ser pintada duas exatamente iguais, a fotografia, como a gente parte de um arquivo, seja ele negativo ou digital, posso reproduzir ela quantas vezes quiser. Além de tudo que agrego na técnica, eu uso papel 100% algodão, livre de acidez, com reserva alcalina, todo material vem vedado em relação a isso. Então eu consigo ter uma durabilidade da obra por muito tempo, antes com a fotografia analógica, e química isso não era possível, porque as químicas utilizadas tinham solventes muito abrasivos e com o tempo curto acabam perecendo”, comenta o fotógrafo, que ainda adianta que na exposição serão cerca de 50 obras, para o público admirar, com fotos tanto em tecido, quanto papel fotográfico. O artista levou cinco anos na elaboração do projeto, desde a primeira sessão de fotos até os trabalhos serem finalizados. 

Para o trabalho do artista foram percorridos vários pontos do continente africano

Frederico Figueiredo

Para o trabalho foram percorridos vários pontos do continente africano na busca dos clicks perfeitos, além de contato direto com animais e grandes experiências.   

“Fui de Joanesburgo até o Vale da Morte na Líbia, rodei de carro, e a pé, fiquei em hotel, em barracas e em tribos, em vários lugares. Dois amigos foram comigo, mas só que eles a passeio, diferente de mim, que fui para o projeto fotográfico. Eles tiveram que ter paciência, muita paciência comigo, até que eu chegasse a meu objetivo. Além de correr riscos: cheguei a mergulhar com crocodilos para conseguir ter uma foto de frente pra ele. Há muitas fotos que são bem emblemáticas nesse aspecto”, concluiu Figueiredo.

O Espaço Cultural Correios fica na Avenida  Visconde do Rio Branco, 481, no Centro de Niterói. Até 2 de dezembro, segunda a sábado, das 11h às 18h. Entrada franca. Telefone: 2622-3200.

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