Assine o fluminense

Música livre

Cena independente de Niterói resiste e mostra todo o seu potencial

Destaque na nova geração da MPB, Daíra acaba de lançar o CD “Amar e Mudar as Coisas”

Foto: Carolina Muait / Divulgação

Niterói não para de ser presenteada por novos talentos musicais da cena independente. A produção cultural, seja do estilo que for, tem ganhado forças nesse cenário. Os artistas vêm ampliando seu espaço de atuação e estabelecendo seus nomes no mercado nacional. Como tudo na vida, nada é fácil. O começo é sacrificante e, muitas vezes, desestimulante. As dificuldades da cena independente são inúmeras, mas há perspectivas positivas. 

“Vejo o mercado independente muito forte em Niterói. Os artistas estão se dedicando cada vez mais. A movimentação, principalmente no cenário musical, está crescendo. Não é à toa que nossa cidade está sempre estampando excelentes artistas Brasil afora”, afirma o DJ Thai, destaque no cenário da música eletrônica carioca, que usa seus conhecimentos como rapper para se projetar na atual função de DJ, dando um novo passo na sua carreira.  

Já a cantora niteroiense Daíra, pensando a longo prazo, migrou-se para o Rio visando ampliar seu público, mas sempre que pode participa ou organiza eventos em Niterói.

A banda de rock Overdrive Saravá

Foto: Juliana Novais / Divulgação

“O mercado independente em Niterói é muito rico no que diz respeito a artistas que estão batalhando e levando seus trabalhos. No entanto, é muito pobre em relação à locais e pautas de cultura para que esses trabalhos apareçam na cidade. Acho que os locais que têm espaço para música poderiam, principalmente, abrir mais para os novos compositores e não colocar o cover como prioridade”, diz Daíra.

Criada em uma família musical, Daíra é uma das artistas mais promissoras da sua geração na MPB. A cantora acaba de lançar o disco “Amar e Mudar as Coisas”, que presta homenagem à Belchior. O álbum, aliás, foi muito elogiado por Elba Ramalho. 

“Amo a obra e a figura do Belchior. O Rodrigo Garcia (diretor musical) pescou isso e chamou para fazer um show só de versões dele, em 2016. Encaixou como uma luva no que eu queria dizer para o meu público. Esse ano, foi conturbado, devido a morte do nosso poeta cantador de porão. Agora, estou buscando aprender com isso tudo, e vendo que a mensagem dele se torna cada vez mais necessária”, conta Daíra.

DJ e antigo rapper Thai

Foto: Guilherme Vespa / Divulgação

A banda niteroiense Gragoatá, formada por Rebeca Sauwen (voz), Fanner Horta (violão/ukulelê) e Renato Côrtes (violão/guitarra), lançou o primeiro álbum como fruto de financiamento coletivo.

“A gente tem muita banda de talento querendo aparecer, mas não tem mercado. Não tem uma casa de show média. É uma dificuldade absurda para conseguir tocar nos lugares: ou você pega um espaço muito grande ou muito pequeno. Acho que falta a galera chegar mais junto para fazer eventos, além de um espaço em que a gente possa ter uma regularidade de bandas autorais tocando aqui na cidade, com equipamento de som de qualidade”, declara Renato Côrtes.

O trio niteroiense já acumula mais de um milhão de visualizações no YouTube, com a música “Passarinho”, e acredita que a internet é uma forma de divulgação certeira. 

“A internet é nossa aliada. Está mais fácil se autodivulgar. Apesar da remuneração não ser a ideal nela ou nas ferramentas de streaming, ambas oferecem as melhores oportunidades”, diz Renato.

Com o objetivo de transbordar música e pluralizar arte, a banda Overdrive Saravá – composta por Gregory Combat (voz), Lucas Botti (guitarra), Thiago Henud (guitarra), Matheus Freire (baixo) e Renan Carriço (bateria)–, acredita que atualmente é necessário utilizar o poder da internet como base para qualquer trabalho de interlocução entre o público e o artista.

Banda Gragoatá, que faz sucesso no YouTube

Foto: Bárbara Medeiros / Divulgação

“Não existe pensar hoje a divulgação de quaisquer trabalhos dissociada da internet. O artista deve, ao elaborar a sua obra quanto conceito, pensar como ela irá vir ao mundo e ser lançada em diferentes nichos e redes dentro da internet. Esta deixou de ser somente uma interface onde o público pode encontrar material do artista, mas se transformou também em uma espécie de realidade virtual onde o artista coexiste nas plataformas, e isso vale para tudo, desde a concepção até a execução”, diz Gregory Combat, vocalista da Overdrive Saravá. 

Militantes da cultura, eles acreditam nas mudanças a serem realizadas na cena independente.

“É válido ressaltar um grande marco para a nossa cultura que é regulamentação da Lei de Incentivo Fiscal, intitulada: Lei da Cultura. Prevê 20% do IPTU e do ISS, no caso de empresas, para projetos culturais na cidade. É inédito quanto política cultural se analisado em âmbito nacional, já que o próprio artista agora poderá também buscar formas de capitalizar e financiar seus projetos”, diz Gregory. 

Em nota, de acordo com a Secretaria Municipal de Cultura e a Fundação de Arte de Niterói, o Edital da Lei de Incentivo pode alavancar ainda mais investimentos para toda a cadeia artística da cidade. Estão sendo promovidos diversos encontros para orientar e capacitar os interessados em participar do processo. Os investimentos no setor cultural em Niterói prometem um salto ainda maior com a regulamentação do Sistema de Financiamento à Cultura. 

Os interessados no edital, com inscrições abertas até dia 6 de novembro, podem encontrar mais informações no site culturaniteroi.com.br. 

Faça seu login ou cadastre-se para enviar seus comentários

Comentários

Scroll To Top