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Mudanças em Hollywood

‘Green Book: O Guia’, de Peter Farrelly, sai vitorioso em cerimônia do Oscar 2019, que também consagrou ‘Roma’, do mexicano Alfonso Cuarón. Sete estatuetas foram entregues a profissionais negros e 15 para mulheres

O diretor de “Green Book”, Peter Farrelly, junto com os roteiristas do filme, que acabou sendo a “zebra” da nonagésima primeira edição do Oscar

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Rami Malek, Olivia Colman, Regina King e Mahershala Ali: atores premiados

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Com um quadro geral de premiações bem imprevisível, o Oscar 2019 foi uma edição muito polêmica, que dividiu opiniões e impressões das mais diversas vertentes da crítica especializada. Em termos de representatividade, os resultados apontam para uma mudança muito significativa na indústria cinematográfica, visto que sete estatuetas foram entregues nas mãos de profissionais negros, e 15 para mulheres, sendo três negras. São 22 prêmios que representam um grande salto para camadas que, durante anos, foram ofuscadas pela hegemonia social e racial hollywoodiana. 

A produção que conquistou o título de Melhor Filme - prêmio máximo da noite - foi a comédia dramática “Green Book: O Guia” - de Peter Farrelly - que, assim como seu concorrente, “Infiltrado na Klan” - de Spike Lee -, tem a questão racial como tema central da narrativa.

A decisão não foi bem recebida por Lee, que, segundo a revista estadunidense Deadline Hollywood, desaprovou o resultado e ameaçou se retirar, mas foi convencido pelo diretor Jordan Peele - de “Corra” (2017) - a não fazê-lo. Porém, mesmo tendo ficado, Lee ficou de costas para o palco no momento dos responsáveis por “Green Book” receberem a premiação. Lee e Peele não aplaudiram o discurso. 

Segundo Paulo Máttar, programador do Cine Arte UFF, a decisão foi injusta frente aos concorrentes, principalmente diante dos favoritos “Roma” - de Alfonso Cuarón - e o próprio “Infiltrado na Klan”. 

Alfonso Cuarón levou os prêmios de Direção, Fotografia e Filme Estrangeiro

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“Temos um monte de prêmios e indicações apontando num certo sentido de diversidade, de inclusão, com muitos negros; jovens; mulheres; representantes de outros países, como vários brasileiros, que passaram a votar; mas, no fim das contas, o recado principal é dado pelo prêmio de Melhor Filme. E o recado principal foi: ‘continuamos conservadores’. Para mim, é isso. Eu, particularmente, acho ‘Green Book’ um acinte. Conheço muita gente, tenho lido muita coisa e tenho visto muita gente revoltada, inclusive através de críticas muito boas. O filme é muito bem produzido, uma ‘sessão da tarde’ gostosinha, emocionante, mas o que está por trás disso tudo é lamentável. Em um ano com ‘Infiltrado na Klan’ e até ‘Ponto Cego’ - que nem chegou a ser indicado -, você premia um filme de brancos sobre racismo?”, lamenta. 

O diretor mexicano Alfonso Cuarón, de “Roma”, um dos filmes mais comentados deste ano, levou três prêmios das sete indicações: Melhor Diretor, Melhor Fotografia e Melhor Filme Estrangeiro. Apesar de ser um filme muito intimista, que trata das memórias de Cuarón, em seu último discurso, ele agradeceu à Academia por ter reconhecido um filme que tem como protagonista uma mulher indígena, que representa, simbolicamente, “uma das 70 milhões de empregadas domésticas sem direitos trabalhistas”. 

Lady Gaga abocanhou o prêmio de Canção Original

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O filme mais premiado da noite foi “Bohemian Rhapsody” - biografia cinematográfica da banda Queen -, com quatro estatuetas das cinco indicações: Melhor Ator para Rami Malek - que interpretou Freddy Mercury; Melhor Mixagem de Som e Melhor Edição de Som; e Melhor Montagem. Queen também teve seu momento de homenagem na noite, abrindo a cerimônia com uma apresentação da própria banda, tendo como vocalista Adam Lambert. 

Spike Lee, que carregava cinco indicações por “Infiltrado na Klan”, levou seu primeiro Oscar vencendo na categoria de Melhor Roteiro Adaptado - isso, sem contar o Oscar Honorário que recebeu em 2006. Em seu discurso - um dos mais expressivos da noite -, ele enfatizou o respeito que sente por sua ancestralidade, além de ter ressaltado a importância da diversidade na construção de um país melhor - se referindo, em tom crítico, ao conservadorismo do governo Trump. 

Uma das surpresas da noite foi “Pantera Negra”, que levou três estatuetas nas categorias de Melhor Trilha Sonora, Melhor Direção de Arte - o primeiro a ser dado para uma mulher negra - e Melhor Figurino - o primeiro dado a um profissional negro, conquistado por Ruth E. Carter, que já havia sido indicada na mesma categoria por “Malcom X”, em 1992; e por “Amistad”, em 1997. 

Spike Lee levou Roteiro Adaptado

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“Nasce Uma Estrela”, que concorreu em sete categorias, levou a de Melhor Canção Original, marcando o primeiro Oscar da cantora pop Lady Gaga - consagrando “Shallow” como a canção mais premiada da história, com 32 estatuetas ao todo. 

Na categoria de Melhor Atriz, a escolhida foi Olivia Colman por seu papel em “A Favorita” - de Yorgos Lanthimos -, em que interpreta a Rainha Ana, que governava a Inglaterra no século XVIII. Já nas categorias de Melhor Atriz e Ator Coadjuvante, dois negros foram agraciados com os prêmios: Regina King, por seu papel em “Se a Rua Beale falasse”, de Barry Jenkins; e Mahershala Ali, em “Green Book: O Guia”. 

“Green Book” também ganhou na categoria de Melhor Roteiro, produzido por Nick Vallehonga, Brian Currie e Peter Farrelly. 

Com uma transformação impressionante do ator Christian Bale em Dick Cheney, “Vice” levou a categoria de Melhor Maquiagem e Penteado. 

“O Primeiro Homem”, de Damien Chazelle, foi o vencedor da categoria de Melhores Efeitos Visuais.

Em Melhor Animação, como já era de se esperar, o favorito “Homem-Aranha: No Aranhaverso” foi o ganhador; e o Melhor Curta-metragem de Animação foi o canadense “Bao”. 

A produção que conquistou a categoria de Melhor Documentário foi “Free Solo”; e o Melhor Curta-metragem de Documentário foi “Period. End of Sentence”. 

Por fim, “Skin” acabou levando a categoria de Melhor Curta-metragem em Live Action.

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