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Muito além de boas histórias

Dupla estreia no mercado de livros infantis aos 50 anos e explora narrativa sobre os desafios e dramas da infância

As escritoras Lili Lili e Margarete Amaral formaram o Dueto Literário – projeto que leva até as escolas da região, espaços públicos e eventos para a criançada histórias que popularizam saberes acerca da diversidade

Divulgação

Histórias que ensinam valores para criançada de forma lúdica e divertida podem ir além de entreter e acabar incentivando o gosto pela leitura.

Quando autores decidem explorar uma narrativa com protagonistas que se distanciam de princesas ou super-heróis e abordam situações comuns vividas por meninas e meninos que já sofreram bullying ou enfrentam outros dilemas sociais, as crianças se veem representadas, passam a exercitar o autoconhecimento e verbalizam com mais facilidade seus sentimentos.

Foi por esse motivo que as escritoras Margarete Amaral e Lili Lili, autoras estreantes no mercado de livros infantis que depois dos cinquenta anos encontram a tão sonhada realização profissional na literatura, se uniram e deram origem ao que elas chamam de Dueto Literário.

O projeto consiste em levar até as escolas da região, espaços públicos e eventos para a criançada histórias que popularizam saberes e ensinamentos acerca da diversidade, boas práticas e cuidados com os animais, meio ambiente, entre outras questões da vida em sociedade.

Pós-graduada em Arteterapia, Margarete Amaral colocou suas histórias a serviço da Biblioterapia, terapia através dos livros, e organiza rodas para o público infantil. Já Lili Lili, massoterapeuta e autora do livro “A Menina que libertava passarinhos”, resolveu contar a história de Duda, uma menina que vivia inconformada ao se deparar com passarinhos presos em gaiolas e, por isso, solta o pássaro de sua tia. 

 

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A maturidade traz a vontade de compartilhar? Por que começar a escrever aos 50?

Margarete Amaral – Na verdade, quando se chega aos 50, sua vida, em tese, já está mais estabilizada. Sua vida emocional e financeira está estável, podendo dar lugar para seus sonhos mais secretos. Não comecei a escrever com 50, publiquei aos 50. Acessei meus escritos e tomei coragem de publicar... Sim, porque publicar é um risco. Você não tem ideia se realmente será lida, se irão 10 ou 100 pessoas em seu lançamento, então estar nessa fase mais estável ajuda nesses conflitos todos que se instalam... Mas penso que tem uma outra questão até bastante sutil, mas, aos 50, a ideia de finitude da vida se instala. Então, pensei: ou é agora, ou é agora. Não dava mais para esperar para publicar meus textos.

Como tem sido abraçar uma nova profissão?

Margarete Amaral – O fato de escrever para crianças me coloca perto delas, o que é uma delícia! Criança é sincera, é crítica, é espontânea e o resultado do livro é percebido no momento em que estou contando a história. Então, o retorno é mais imediato. Quando vou a uma escola, estou em contato direto com meus pequenos leitores e saber o que eles acham, ver seus olhos brilhando e atentos, é o melhor pagamento.

Lili Lili – É desafiador e prazeroso. Desafiador porque tenho que conciliar com outras atividades profissionais, mas fazer o que a gente gosta é sempre prazeroso, por isso vale muito a pena. Eu me sinto plantando uma sementinha no mundo.

A literatura infantil traz uma carga de responsabilidade maior para o autor?

Lili Lili – Todo artista é formador de opinião, a responsabilidade é igual. Entretanto, pelo fato de as crianças serem mais vulneráveis às informações que chegam a elas, talvez, o autor precise, digamos, ser mais cuidadoso com o que escreve. 

Boy Erased – Intrínseca  Livro de autor americano submetido a terapia para “reverter” homossexualidade que deu origem a filme com Nicole Kidman e Russell Crowe. Filho de um pastor bastante influente, Garrard vivenciou um doloroso conflito que colocou sua orientação sexual e sua formação religiosa em colisão. Após ser violentado por um colega de faculdade, seu segredo é cruelmente revelado a seus pais.

Os grandes julgamentos da história – Ediouro Repleto de lições oportunas para os dias atuais. Figuras importantes do mundo jurídico se voltam, cada qual à sua maneira, para alguns dos julgamentos mais notáveis de todos os tempos a fim de esclarecer para o leitor de hoje as circunstâncias em que aconteceram, suas complexidades e, sobretudo, as lições que podem nos oferecer sobre nossa capacidade de acertar e errar.

O que aprendi com Hamlet – Leya Novo livro de Leandro Karnal revela as lições deixadas pela principal peça de William Shakespeare, numa combinação entre a experiência de um homem do século XVI e outro do século XXI. Tendo lido e relido a obra muitas vezes, o autor refletiu sobre as lições que seu protagonista, o príncipe melancólico da Dinamarca, deixou, e, mesmo nesta era de selfies felizes, continua a deixar.

Cat Person – Cia das Letras  Kristen Roupenian era uma autora desconhecida até a publicação de “Cat Person”, em dezembro de 2017, no site da revista New Yorker. Narrando o encontro de Margot, de vinte anos, com Robert, de 34, a história toma rumos inesperados ao abordar as expectativas frustradas, as questões de gênero e as relações pautadas pelas dinâmicas digitais. O amor em nossos tempos.

Do cinema para livros

Publicado pela Intrínseca, na “Coleção Pipoquinha” – cuja proposta é adaptar grandes clássicos do cinema para livros direcionados ao público infantil –, o livro “E.T. – O Extraterrestre” traz a clássica história do menino Elliott, que encontra uma criatura muito diferente e descobre que seu novo amigo veio, na verdade, de outro planeta. 

A partir deste encontro inusitado, eles nutrem uma bela amizade, enquanto buscam uma maneira de mandar o amigo E.T. de volta para sua casa. Toda a emoção e drama do filme de 1982 dirigido por Steven Spielberg foi mantido, desde o laço afetivo criado entre o menino e a criatura, a corrida com o E.T. na bicicleta e o resgate do amigo das mãos dos cientistas.

Com tradução de Giu Alonso, a adaptação e ilustrações do livro são de Kim Smith, ilustradora que já trabalhou em diversas publicações com a mesma proposta, como “Buffy, a Caça-vampiros” e “De Volta para o Futuro”. 

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