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O blues vai tomar conta da cidade

Festival Tudo Blues reúne ícones do gênero no Teatro da UFF a partir desta sexta-feira

De cima para baixo: El84 Rock’n’Blues Band, Blues Etílicos, Ticão Freitas, Daniel Cheese, Rosa Marya Colin e Colorado Country

Divulgação

Cento e sete apartamentos, duas quadras de tênis, dança, música e muito jogo. Point da noite fluminense. Esta é a descrição do Hotel Balneário Casino Icarahy, os mais velhos certamente se recordam. O espaço já foi palco de grandes festas e shows de artistas da época, como Josephine Baker, Pedro Vargas, Carmen Miranda, Grande Otelo, Francisco Alves, entre tantos outros. No dia 30 de abril de 1946, por ordem do presidente Dutra, que proibiu o funcionamento de todos os cassinos do País, suas roletas pararam de girar. Ainda assim, o entretenimento e o lazer que lá existiam continuaram, pois, em 1967, instalou-se no prédio a Reitoria da Universidade Federal Fluminense e, 15 anos mais tarde, foi inaugurado o Teatro da UFF. Daí em diante, a agenda cultural nunca mais parou, mantendo a qualidade de sempre. O Festival Tudo Blues, que já se encaminha para sua quarta edição, faz jus à história do teatro. A partir desta sexta-feira (17), sempre às 20h, o palco do teatro recebe algumas bandas e cantores nacionais do gênero, que originou tantos outros. 

“Desde a primeira edição, a base sempre foi o blues, até por causa do nome do festival. O gênero advém das canções ‘Spirituals’, originadas pelos afro-americanos. Do blues vieram vários ritmos, como o jazz, o rhythm’n’blues, a soul music, boggie woogie, rock, country blues, blues zydeco, entre outros. O blues é uma das raízes da música brasileira por consequência da dança e do ritmo africano. Tirando o blues zydeco, todos os outros estilos musicais citados aqui já passaram pelo Tudo Blues, até o ritmo nordestino já esteve presente. Então, como se pode notar, os tantos gêneros musicais estão presentes no festival”, comenta Luiz Cláudio.

O festival traz em duas semanas de evento oito bandas no total, sendo uma apresentação por dia. Apesar da ênfase no blues, o evento abre portas para outros ritmos que vieram através dele, com artistas do jazz, rhythm’n’blues, rock, country blues, entre outros. 

“O sucesso é uma soma de vários motivos. É por consequência da qualidade e diversificação das atrações; é de não estar focado somente no blues e, sim, nas ramificações sonoras que ele proporciona; é pelo Teatro da UFF, que é uma referência em qualidade de som e conforto, além de fazer parte do Centro de Artes UFF, referência cultural no Estado do Rio, contribuindo para dar mais credibilidade ao festival”, acrescenta o produtor, que já cultiva uma relação de anos com o teatro, relação esta que pretende manter por muito tempo, sempre variando na escolha dos artistas.

“A parceria com o Centro de Artes UFF e a direção do teatro vem fluindo harmoniosamente bem durante esses quase quatro anos de festival, porque o que foi acordado está sendo mantido. A curadoria é minha, mas pode ter a opinião e sugestões da direção do teatro. Outro item que está alinhado é de evitar repetir atrações que já se apresentaram no Tudo Blues em um curto intervalo de tempo, e a mesma observação vale para as participações especiais convidadas pelas atrações, para que não venham a se repetir assiduamente. Isso não é desmerecer quem já passou pelo festival. O importante é dar oportunidade para outros”.

A agenda desta sexta ao dia 20 segue com os seguintes artistas e bandas: Laranjeletric, do Rio; Daniel Cheese, artista de trabalho autoral com inspiração em Led Zeppelin, Aretha Franklin e Freddie King; Rosa Marya Colin, com 50 anos de carreira, interpreta grandes clássicos; e Colorado Country, banda niteroiense, fechando a semana. 

A segunda semana, que começa no dia 24 e termina 27, segue com El84 Rock’n’Blues Band, que raramente se apresenta, apesar de ser composta por músicos com bastante bagagem nacional e internacional; Ticão Freitas, que traz um pouco de jazz, blues, soul e algumas pitadas de bossa funkeada; Blues Etílicos, que vai mostrar o seu 13º álbum, o EP “digital 3000”. Por fim, The Al Pratt Blues Session, única banda estrangeira do line-up, comandada pelo americano Al Pratt, traz algumas releituras de músicas clássicas, demonstrando as raízes e as influências do blues.

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