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O lado bom de estar só

Acompanhada apenas do violão, Zélia Duncan se apresenta no Teatro Municipal nesta sexta, às 20 horas

No palco, a cantora e compositora relembra sucessos e canções de seu repertório afetivo

Divulgação: Cristina Almeida

Entre todos os artistas que nasceram em solo niteroiense, uma em especial, nascida em 1964, é considerada uma das maiores vozes da música brasileira. Zélia Cristina, hoje conhecida pelo nome artístico Zélia Duncan, caminha pelo pop, folk e até pelo samba com sua voz contralto, eternizada em hits como “Catedral”. Nesta sexta, às 20h, ela tem um encontro intimista marcado com os fãs no palco do Teatro Municipal de Niterói, no show “O lado bom da solidão”, no qual relembra seus sucessos e canções de seu repertório afetivo – que ela só revela na hora – acompanhada apenas de seu violão.

Até o mês passado, Zélia se dividia entre ensaios e o musical “Alegria, Alegria”, dirigido por Moacyr Goes, no qual estreou como atriz de musical. Agora, retoma a turnê do seu último trabalho de samba – “Antes do Mundo Acabar”, com parcerias de Arlindo Cruz, Ana Costa, Zeca Baleiro e Xande de Pilares – e as apresentações do show solo, que o Municipal recebe hoje.

“É um show que chama para perto e mostra um pouco como as canções são feitas. Me sinto bem confortável, e por que não? Meus shows sempre tiveram esse momento violão, mas, agora, é a espinha da apresentação. Na nossa terra (Niterói), a plateia ainda canta junto, baixinho, é uma delícia cantar aqui nesse formato. A vida anda muito barulhenta e dispersa”, pondera. 

O interesse da niteroiense pela música, que deixou a cidade rumo a Brasília em 1971, começou muito cedo, ainda aos 12 anos, quando decidiu que queria aprender a tocar violão. Aos 16, Zélia foi selecionada para um concurso da Sala Funarte Brasília, onde fez o seu primeiro show. Desde então, nunca mais deixou os palcos. A repercussão de sua primeira apresentação foi excelente e chegou a abrir um show do carioca Luis Melodia – que faleceu no último dia 4 – e a viajar o País com o projeto Pixinguinha.

“Foi ali que comecei a ter experiências, dimensões, responsabilidades. Tinha muita obsessão por fazer aula de canto. Era caro, eu dava tudo o que tinha. Fiz aulas em Brasília e no Rio durante um bom tempo, junto com os palcos, bares e jingles”, relembra. 

De volta ao Rio, aos 22, montou o seu primeiro show com guitarra, baixo acústico e clarinete e um repertório que caminhava entre Itamar Assumpção, Caetano, Beatles, Police, entre outros. Com a chegada ao Brasil da diretora de teatro Ticiana Studart, que trouxe ideias irreverentes e arrojadas de Nova Iorque, saiu o show “Zélia Cristina no caos”, que, mesmo fora da mira da grande mídia, esgotou os ingressos das apresentações na Laura Alvim e no Mistura Fina. Deste show surgiu o convite do Estúdio Eldorado para gravar o seu primeiro disco, “Outra Luz”, que, no entanto, não satisfez a cantora. 

“Tentaram me impor muitas coisas que não eram o som que eu fazia nos palcos”, confessa a artista, que completa: “Mesmo assim teve a faixa com o ‘Melô’, que voltei a ouvir esses dias, por conta da perda enorme. E também a primeira parceria com Christiaan, música de Lhuli e Lucina, que rendeu minha primeira indicação ao Prêmio Da Música como revelação”, lembra. 

Mas o sucesso em escala nacional chegaria em 1994 com o álbum homônimo produzido pela WEA. Com apenas seis meses de lançamento, “Catedral”, que não havia sido escolhido como single, entrou na trilha sonora da novela “A Próxima Vítima”, da Rede Globo, e caiu no gosto popular, tornando-se um de seus maiores sucessos até hoje. 
“Ali eu entendi que o momento mudou, que seria outro patamar de responsabilidade e evidência. ‘Catedral’ era a mais pedida até em rádios de música eletrônica, onde nem era tocada”, conta. 

Desde então, com pouco mais de 35 anos de carreira, várias canções suas viraram tema de novelas e Zélia, hoje, possui 11 CDs, 5 DVDs lançados e parcerias memoráveis. Uma delas, a turnê com o retorno do grupo Os Mutantes, e a gravação de um histórico show em Londres. 
“Foi uma experiência excelente, um presente do destino que eu nunca esperei”, confessa.

O Teatro Municipal de Niterói fica na Rua Quinze de Novembro, 35, no Centro de Niterói. Nesta sexta, às 20h. Preço: R$ 80 (inteira). Censura: livre. Telefone: 2620-1624. 

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