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Paulo Gustavo passado a limpo

Depois de um hiato de dois anos, o ator niteroiense está de volta com ‘Minha mãe é uma peça’, em duas sessões dia 5, no Caio Martins

O ator fala sobre os projetos futuros e como lida com o assédio em tempos de hiperconectividade, quando todo mundo tem um smartphone à disposição

Foto: Divulgação

O segredo do sucesso é uma busca constante em inúmeras áreas, não apenas na artística e cultural. Se existe um brasileiro (niteroiense, ainda por cima) que possa estar entre os detentores da fórmula secreta, esse é Paulo Gustavo. O ator vai apresentar no Estádio Caio Martins, em Icaraí, a peça que o fez famoso e reconhecido em todo Brasil: “Minha mãe é uma peça”, dia 5, em duas sessões: às 19h e às 21h30. O espetáculo foi lançado há 11 anos, levou 2 milhões de espectadores aos teatros e 15 milhões aos cinemas, com os filmes Minha Mãe É Uma Peça 1 e 2. Agora, volta aos palcos, depois de uma parada de dois anos, com novidades: cenário de Zé Carratu, figurino de  Reka Koves, iluminação de Marcos Olivio e a parceria renovada com a trilha sonora de Zé Ricardo. A direção continua nas mãos de João Fonseca. O criador de Dona Hermínia concedeu a entrevista direto de Nova Iorque, arrancando risadas da jornalista que vos escreve. Talvez o segredo seja esse: dar vasão à sua verdade, ser você mesmo, a mais humana e real versão de si entregue ao mundo e às pessoas à sua volta. 

Embora o espetáculo seja solo, você está muito bem acompanhado, tendo em vista a equipe técnica e criativa ao seu lado.

Fiquei dois anos com a peça parada e estou amando voltar. Dei uma repaginada linda de morrer. Amo essa equipe que trabalha comigo, me deixa muito seguro e me sinto um privilegiado. O João Fonseca, chamei para dirigir minha peça lá atrás, em Niterói, quando estava começando. Fui na casa dele e li a peça para ele, deixando as folhas cairem no chão de tão nervoso. João virou um amigo/irmão eterno, um parente. Nosso trabalho e nossa amizade estão entrelaçados. 

Como é para você se apresentar no estádio de futebol da sua cidade natal, onde tudo começou? 

Tem um significado tão grande. Primeiro que é o de voltar a Niterói, onde nasci e fui criado, morei mais de 30 anos... Fiz meu espetáculo já na UFF, no Eduardo Kraichete, no Abel e, agora, estar no Caio Martins, não tenho nem como expressar minha alegria e felicidade de chegar a um ginásio de futebol no coração de Niterói. Meu coração é todo dessa cidade, acho que muito do que me tornei devo à minha cidade. Essa cidade é pé quente, milhões de artistas saíram daí, meus maiores e melhores amigos moram aí. É muito, muito, muito incrível. É um sonho. 

Com cenários, figurino e iluminação repaginados, Dona Hermínia, a mãe mais famosa do Brasil, volta ao local onde tudo começou: Niterói, para uma plateia de 10 mil pessoas

Foto: Divulgação

O espetáculo está mais do que lapidado nesse momento, mas, quando vai reestreá-lo, você ainda faz modificações?  Ela é alterada conforme sua fase na vida ou não, “não se mexe em time que está ganhando”? 

Mudei o texto, mas são alterações muito pequenas. É exatamente como você disse do time que está ganhando. Mas gostei de dar uma repaginada em alguns momentos. Atualizei. Posso dizer que 90% do espetáculo é o original, até porque acho que esse é o grande barato, até para eu mostrar para o público que, mesmo após esses anos, é possível ser fiel à primeira montagem, que foi a que mudou minha vida.

O que o roteiro de ‘Minha mãe é uma peça’ representa para você? 

Ele é uma homenagem à minha mãe, uma homenagem à minha vida, à vida, à minha familia e à família brasileira. Quando escrevi, eu tinha certeza de que estava homenageando a minha mãe, mas também todas as mães. Claro que elas são parecidas em milhões de aspectos. Acho um texto sensível, uma grande brincadeira, mas, ao mesmo tempo, como pano de fundo, tem a solidão, porque eu acho a D. Hermínia muito sozinha. Minha mãe é uma mulher que batalhou sempre por mim, pelo meu sucesso, para criar eu e meus irmãos, já foi porteira do prédio em que morávamos, já vendeu quentinha – eu entregava para ela na Gavião Peixoto -, ela já cantou na noite... É muito legal poder celebrar isso tudo que eu vivi com ela na peça.

Para você, há diferença entre se apresentar em um espaço de 50 lugares e em um estádio de 10 mil? 

Apresentar em um lugar pequeno é muito mais difícil. Obviamente, o peso de você segurar a plateia de 10 mil pessoas é grande. Graças a Deus, faço isso há um tempo e quase tiro de letra. Cada dia que passa, vou aprimorando. Quando você apresenta para 50 pessoas e você vê cada uma delas te olhando nos olhos, é mais difícil. É igual você sentar numa sala com 10 diretores e fazer um teste. A gente fica uma pilha. Fico nervosíssimo com teste, saio dele com H1N1 de tão ruim que eu fico. Eu, por exemplo, nunca passei em teste na minha vida. Fiz poucos, graças a Deus, porque sou um cara que cria projetos. Escrevo meus filmes, minhas peças, meus seriados, eu dirijo, produzo, invisto um dinheiro. Estou em todas as etapas, participo de tudo. Meus projetos são quase todos artesanais. 

Você é muito querido por todos e conquistou por esforço próprio uma admiração nacional. Faz questão de mostrar nas redes que é gente como a gente. O que é mais difícil e o que dá mais prazer na vida de uma estrela? 

Adoro alimentar minha rede social. Acho super importante nessa era de internet e conectividade. Hoje em dia, a gente faz tudo pela internet, né? A gente paga as contas, já fiz até análise pelo face time! Outro dia, foi com o endocronologista, perdi o horário, ela me ligou e fizemos a  consulta. É bom a gente aproveitar a oportunidade de mostrar quem a gente é. 

Quando a gente dependia só da imprensa para intermediar isso, a gente ficava na mão do jornalista e a gente sabe que existem “mil imprensas” dentro da imprensa. Acho esse um ponto forte da internet, mostrar quem a gente é. E eu sou um cara de verdade. Não acredito muito no sucesso. Não vivo esse conto de fadas de que eu sou um fenômeno, que estou acima de tudo, do bem e do mal. Herdei esse meu jeito da minha mãe, ela é uma pessoa muito pé no chão. Essa base familiar é muito importante para mim e para a construção dos meus personagens. Sou um cara observador, que gosta de viver o dia a dia, ir ao supermercado, padaria, restaurantes, viajo. É quando eu entro em contato com meus próprios personagens. Se eu viver numa bolha, eu acabo, não acredito nisso como artista, nem como ser humano.

Acho que andar na rua, trocar ideia, conversar, faz a gente evoluir como ser humano e como artista. Agora, eu também passo por mil situações que eu poderia te contar até amanhã. Em relação a tirar foto com as pessoas é uma. Tiro mil fotos, mas com uma pessoa que não consigo, ela pode achar que eu sou arrogante. Tem muita gente que acha que a gente é obrigado a fazer foto. Uma vez, eu estava chegando de uma viagem no aeroporto, 24 horas sem dormir, tinha perdido minha prima de Niterói, estava voltando do Piauí, e três pessoas não gostaram na minha cara na foto e disseram que tinham ouvido falar que eu era metido. Eu nem contei da morte e da minha tristeza. Em outra ocasião, tinha ido ao CTI visitar minha irmã, que tinha capotato o carro, e tive que fazer selfie com todos os enfermeiros. Eu estava passando por um perrenge absoluto. Esse lado do assédio é muito complicado. Hoje em dia, todo mundo tem uma câmera e nem sempre a gente consegue corresponder às expectativas. Isso não quer dizer que eu seja menor. Sou muito grato aos meus fãs por tudo. Claro que isso que eu mencionei vem de uma parcela infinitamente menor se comparado aos que são incríveis e educados, que compreendem nossa rotina. Tenho amigos artistas que são incríveis e não gostam de tirar foto. As pessoas dizem: “Então não seja artista”, mas não é assim. Esse é um comentário injusto e equivocado. Porque,  na vida pessoal, todos nós somos pessoas comuns.  

Nessa vida tão agitada,tem algum algum projeto a caminho? 

Dei uma desacelerada, até para conciliar a agenda em outros lugares. Meu maior projeto desse ano é o “Minha vida em marte”, com a Mônica Martelli, com data prevista para estrear em 28 de julho. A direção é de Susana Garcia. É a sequência do “Homens são de Marte...”. Vivo o Aníbal, melhor amigo da Fernanda, a protagonista, que é a Mônica. É uma comédia romântica linda, sensível. Estamos fazendo uma dupla muito maneira. Eu amo a Mônica e contracenar com ela. A gente fica muito bem juntos. No ano que vem, teremos “Minha mãe é uma peça 3”. 

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