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A poesia que vem do violão

De 8 a 12 de junho, a cidade será sede do ‘Ciclo Violonístico de Niterói’, que este ano homenageia Carlos Barbosa-Lima

Marco Pereira, Marcílio Lopes e Maurício Carrilho, Fabio Zanon e Trio madeira Brasil são algumas das atrações do evento

Foto: Divulgação

O Teatro Municipal de Niterói abre as portas para um dos festivais mais importantes de violão no Brasil, o Ciclo Violonístico de Niterói. O evento, que começa nesta quarta-feira (08) e vai até o dia 12 de junho, contará com uma série de shows de músicos conceituados no mundo inteiro. 

Segundo Paulo Targino, idealizador do evento, a ideia surgiu a partir da consciência de que, no Brasil, 99% de produção musical foi composta no violão. Apesar disso, existem pouquíssimos festivais do instrumento e apenas duas séries de concertos regulares no Brasil: Movimento Violão de São Paulo e o Ciclo Violonístico de Niterói.

“O País é uma terra de violonistas extraordinários. Criar um festival, um evento de violão, tornou-se urgente para a cidade de Niterói, pois fomenta a cultura no seu momento mais elevado, através dos concertos, e propicia ao público a chance de conhecer artistas de reputação internacional, que moram fora do Brasil e se apresentam aqui com raridade”, conta. 

A primeira edição do evento aconteceu em 2007. Nos anos de 2013, 2014 e 2015, o festival não ocorreu por falta de recursos. Durante as seis edições do festival já se apresentaram nomes importantes como: Turíbio Santos, Hélio Delmiro, Yamandu Costa, Guinga, Duo Siqueira Lima, entre outros. 

Além disso, em todas as edições, uma grande lenda do violão brasileiro é homenageada. Jodacil Damaceno, Nicanor Teixeira, Hélio Delmiro, Turíbio Santos, Léo Soares já foram alguns dos prestigiados. Esse ano o homenageado é o renomado músico Carlos Barbosa-Lima.

“Para mim é uma satisfação especial ter esta homenagem. Quando Paulo Targino, excelente organizador do evento, me sugeriu esta ideia, aceitei, me sentindo honrado”, diz Carlos Barbosa-Lima, que participou pela primeira vez do Ciclo Violonístico em 2011. “Percebi a excelente organização e alto nível do evento”, completa.

Barbosa-Lima se apresenta no primeiro dia do Ciclo Violonístico

Foto: Divulgação

No primeiro dia de concerto, o próprio homenageado sobe aos palcos para se apresentar. O repertório conta com obras de Tom Jobim, Ary Barroso, Villa-Lobos, Alberto Dominguez, Agustin Bárrios, Leo Brouwer, George Gershwin, além dos arranjos de Carlos Barbosa-Lima. 

“O público terá um programa dedicado à música das Américas, onde o violão é parte da grande tradição ibérica como instrumento predileto do povo latino-americano, também adotado com entusiasmo nos EUA em décadas recentes”, conta o artista. 

Em comum com a série de 2011, a apresentação terá a participação do bandolinista Marcílio Lopes, que colaborou com Carlos Barbosa-Lima em vários CDs para o selo Zoho, dos Estados Unidos, para o qual o artista grava. O público poderá conferir, também, os arranjos mais recentes de “Sabor a Mi” (Alvaro Carrillo) e “La Bikina” (Ruben Fuentes).

“Também apresentarei uma genial versão do grande cubano Leo Brouwer recriando o tema andino ‘El Bailecito’ e acrescentei uns efeitos percussivos como adornos, incorporados ao arranjo de Brouwer, que me estimulou a realizar esta expansão da versão dele que intitula ‘Danza del Altiplano’’’, confessa. 

Morando há mais de 40 anos fora do Brasil e com mais de 50 anos de carreira, Carlos Barbosa-Lima continua realizando projetos inovadores e recriando obras de raízes populares com uma vestimenta sofisticada levando a um público clássico e heterogêneo.

“Sempre afirmo que me sinto em grande afinidade com descobridores portugueses que iam ao grande oceano e vislumbrando um novo mundo rico em que as culturas nativas se incorporam às novas. Minha vida tem sido sempre muito rica com experiências novas, que expandem o panorama da arte musical”, diz. 

Segundo o músico, eventos como o Ciclo Violonístico de Niterói são muito importantes para a cultura brasileira e servem como grande incentivo para as novas gerações se familiarizarem com a atual evolução do repertório violonístico.  

“O violão  é parte intrínseca de nossa cultura como instrumento essencial em vários estilos como os choros e a bossa nova. A técnica clássica é essencial para projetar as nuances desta música de grande riqueza”. 

Carlos Barbosa-Lima está ansioso para o reencontro do público carioca. 

“É sempre um prazer compartilhar minha arte musical com o público, em especial no Rio de Janeiro, onde sempre fui recebido com grande carinho desde meu début em 1958. Neste evento será um prazer especial ter a participação do amigo e grande músico Marcílio Lopes com seu bandolim mágico, que expande a rica tradição dos choros com um vínculo especial ao grande Jacob do Bandolim a quem conheci no início de minha carreira e me incentivou muito. O passado e presente podem se integrar com um sentido muito especial”, finaliza. 

As apresentações acontecem no Teatro Municipal de Niterói às 20h

Foto: Divulgação

Músicos renomados 
Além da apresentação de Carlos Barbosa-Lima, a programação do Ciclo Violonístico de Niterói apresentará diversos artistas conceituados. Na quinta-feira sobe ao palco o instrumentista, compositor e arranjador Marco Pereira. Nascido em São Paulo, o artista recebeu o título de Mestre em Violão Clássico pela Université Musicale Internationale de Paris, além de dois prêmios em importantes concursos internacionais: Concurso Andrés Segóvia (Palma de Mallorca) e Concurso Francisco Tárrega (Valência), ambos na Espanha. Marco também defendeu a tese sobre a música de Heitor Villa-Lobos no Departamento de Musicologia da Universidade de Paris-Sorbonne, o que resultou no seu livro “Heitor Villa-Lobos, sua obra para violão”.

Na sexta-feira o violonista e arranjador Maurício Carrilho e o bandolinista Marcílio Lopes se apresentam no palco do Teatro Municipal. Maurício é filho do músico e flautista Álvaro Carrilho e sobrinho do também flautista Altamiro Carrilho. Fez sua estreia musical no disco “Os Carioquinhas no Choro”, do grupo Os Carioquinhas, em 1977. Já Marcílio é Bacharel em Composição, Mestre em Musicologia e Doutorando pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio), e aluno de composição do Maestro Guerra-Peixe. Com cinco CDs lançados, o mais recente trabalho é inteiramente dedicado à obra do grande amigo e bandolinista Joel Nascimento. 

No sábado o show fica por conta de Fabio Zanon, graduado em música pela Universidade de São Paulo (USP). Em 1996 venceu dois dentre os maiores concursos internacionais de violão: o Concurso Tarrega, na Espanha, e o GFA (Guitar Foundation of America) nos EUA. Em 2010 recebeu o Prêmio Bravo! de Melhor CD Erudito do Ano por sua gravação da obra de Villa-Lobos pela Biscoito Fino, e foi indicado para o prêmio “Artista Prime do Ano”. Além disso, seu CD com a estreia mundial do Concerto para Violão e Orquestra de Francis Hime, em que toca acompanhado pela Orquestra Sinfônica de São Paulo (OSESP), foi indicado para o Grammy Latino na categoria Melhor CD de Música Clássica.

Para fechar, no domingo, o Trio Madeira se apresenta no Ciclo Violonístico de Niterói. Formado por Ronaldo do Bandolim, Zé Paulo Becker e Marcello Gonçalves, o  conjunto participou do Free Jazz Festival de 1999 e o CD “Trio Madeira Brasil”, lançado em 1998, foi indicado nas categorias Melhor Disco e Melhor Grupo no Prêmio Sharp. O álbum reúne de composições raras de Jacob do Bandolim e Ernesto Nazareth a contemporâneos como Chico Buarque e Edu Lobo, e recebeu elogios da imprensa especializada e de músicos.

O Teatro Municipal de Niterói fica na Rua Quinze de Novembro, 35 – centro da cidade. De 08 a 12 de junho, às 20h. Preço: R$ 20,00 (inteira). Censura: livre. Telefone: 2620-1624.

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