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Por um novo ângulo

Pedro Varella inaugura neste domingo instalação que permite o acesso à cobertura do MAC

Feita em colaboração com o Grupo de Arquitetos (Gru.a), a instalação oferece a oportunidade de “estar” no MAC de uma maneira diferente das experiências usuais

Foto: Divulgação / Leo Zulluh

Por Daniel Malafaia
daniel.malafaia@ofluminense.com.br

Desde sua fundação - há 21 anos -, será a primeira vez que o público terá acesso à vista privilegiada da cobertura do Museu de Arte Contemporânea de Niterói (MAC). Isso graças à instalação “De onde não se vê quando se está”, idealizada pelo arquiteto e professor Pedro Varella, que abre neste domingo (10), a partir das 10h. O projeto nasceu com a aspiração do arquiteto em participar do Prêmio Reynaldo Roels Jr., da Escola de Artes Visuais (EAV) do Parque Lage, que, desde 2015, incentiva a produção de experimentalismos artísticos para além dos lugares tradicionais, conseguindo o primeiro lugar e o financiamento no valor de R$ 20 mil para produzir a instalação.

Pela primeira vez público terá acesso à vista privilegiada da cobertura do MAC

Foto: Divulgação / Leo Zulluh

“Estudei na EAV do Parque Lage, paralelo à minha formação como arquiteto na UFRJ, então eu já conhecia a escola. Frequento lá até hoje. Tinha visto o resultado da primeira e segunda edições do prêmio e achei bastante interessante. Como já tenho um trabalho que se desenvolve nesse sentido de ocupar um espaço entre os campos da arquitetura e da arte, me pareceu uma boa oportunidade para experimentar um projeto novo”, comenta Pedro.

A instalação possui a colaboração do premiado Grupo de Arquitetos (Gru.a), escritório que surgiu em 2012 com a parceria entre Pedro Varella, Caio Calafate e Sergio Garcia-Gasco, que desenvolve projetos e obras em centros culturais, teatros, exposições, residências, instituições da área da saúde, instalações artísticas, intervenções em bens protegidos e outros. 

Apesar de não ser um termo muito comum no cenário artístico do Brasil, “instalação” foi incorporado ao vocabulário das artes visuais na década de 1960, e caracteriza um tipo de intervenção artística que busca estimular o público a sair de uma atitude puramente contemplativa e adotar uma apreciação crítica do espaço que acolhe a obra de arte.

Pedro explica que a ideia surgiu ao perceber que a imagem do MAC se faz presente muitas vezes antes da experiência espacial. Ele usa como exemplo as pessoas que se engalfinham no térreo só para tirar uma “selfie” com a famosa silhueta do museu. A partir daí, o arquiteto começou a pensar em uma forma de simultaneamente livrar um pouco o público dessa imagem impregnante e icônica e, ao mesmo tempo, proporcionar a experiência de estar no museu.

“Para mim, o trabalho de subir na cobertura tem a ver com perder de vista os contornos dessa forma icônica e, ao mesmo tempo, estar sobre ela. O propósito é esse, oferecer ao público a oportunidade de ‘estar’ de uma maneira totalmente diferente das experiências que as pessoas já puderam ter.” 

Segundo o arquiteto, inicialmente ele apresentou um projeto que aconteceria na praça do MAC, mas se tornou inviável por questões técnicas, o que o fez considerar outras opções. Pesquisando mais sobre a história do MAC em seu processo de construção, que começa em 91 e acaba em 96, ele viu pela primeira vez as fotos dos operários trabalhando na laje de cobertura. Isso despertou o interesse em achar um modo de viabilizar a mesma subida para o público visitante.

“O projeto de execução, que é o projeto detalhado, durou um tempo de um mês a um mês e meio de desenvolvimento e foram três dias de montagem. Foi uma montagem muito rápida e muito intensa, porque durou de oito a dez horas por dia”, explica Pedro.

Diretor do MAC, Marcelo Velloso espera que a obra traga aos visitantes a oportunidade de refletirem sobre questões pertinentes ao espaço urbano.

“Minha expectativa é que isso possa trazer às pessoas reflexões sobre o prédio, o entorno, e relação da arquitetura com o espaço urbano”, pondera.

A instalação ficará no MAC até o dia 23 deste mês. O público terá acesso nos horários de 9h30, 11h30, 13h30 e 15h30. As pulseiras serão distribuídas para quem tiver adquirido o ingresso para entrar no museu e as visitas serão realizadas em grupos de 15 pessoas com 15 minutos de duração. Em caso de chuva, não haverá abertura. De qualquer maneira, o restante da programação do MAC estará aberta.

O MAC fica no Mirante da Boa Viagem, s/n, Boa Viagem, Niterói. Neste domingo (10), a partir das 10h. Preço: R$ 10 (inteira). Classificação: 14 a 18 anos acompanhados por responsáveis. Telefone: 2620-2400. 

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