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Quando a imaginação dá o ritmo

Estreia hoje a exposição ‘Esther Moreira: Memória’, no Centro Cultural Correios, no Rio, uma homenagem póstuma

Obras da década de 1990 estarão pela primeira vez reunidas: nove pinturas de grandes formatos e 19 desenhos e gravuras

Foto: Divulgação

A partir de uma provocação familiar, Marcelo Frazão teve a ideia de montar “Esther Moreira: Memória”, que abre hoje ao público no Centro Cultural Correios, no Centro do Rio.

De acordo com ele, que assina a curadoria, a montagem se constitui em uma homenagem e um desafio irmanados: celebrar a artista, por meio de um recorte mais amplo de sua obra, e discutir a ideia da permanência, que vai da memória individual à coletiva.

As obras expostas – todas produzidas durante a década de 1990, em Londres (Inglaterra) – compõem uma coleção que é unida pela primeira vez. São nove pinturas de grandes formatos e 19 desenhos e gravuras. 
“Resolvemos mostrar um recorte mais abrangente da artista, que vai além da pintura. A história nela contada é a da imaginação e tem o objetivo de manter um determinado ritmo e facilitar a leitura e o entendimento.

A oportunidade de ocuparmos duas salas no Centro Cultural Correios, no Rio, tornou possível dividir a mostra em dois blocos distintos tecnicamente. Porém, o espectador perceberá que, apesar de utilizar meios de expressão distintos, Esther Moreira apresenta um universo próprio de representação inteiramente conectado”, afirma Marcelo. 

Esther Moreira (1958-2015) foi exaltada pelo jornal The Independent, que publicou: “se Gabriel García Márquez fosse um pintor, ele provavelmente pintaria estas obsedantes (atormentadoras) imagens de metamorfose espiritual, nestes exatos verdes amazonenses e dourados desérticos”. Para o curador, embora a artista tenha nos deixado muito cedo, o visitante mais atento observará que existe uma unidade tanto das obras coloridas quanto dos trabalhos em preto e branco. 

“No caso de Esther em particular, a cor ou a falta dela não interfere quando a artista materializa sua intenção plástica. Suas obras são atemporais, principalmente por retratarem o universo dos sonhos, do inconsciente. O seu olhar rompe com a coerência da realidade e traz à luz um universo que é atemporal e ao mesmo tempo agencia o que há de mais humano em nós. O estranhamento que a obra de Esther apresenta encontra eco na vivência do espectador e se transforma em algo novo. Esther propõe, através de seu trabalho, a ruptura com o racional e, assim como os surrealistas, prega a renovação de todos os valores”, ressalta. 

O Centro Cultural Correios fica na Rua Visconde de Itaboraí, 20, no Centro do Rio. Telefone: (21) 2253-1580. Abertura: 20 de junho, nesta quinta (19), às 19h. Até 4 de agosto. Entrada franca.

 
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