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Quando a poesia usa outros canais

Atriz e poetisa, Betina Kopp estreia o espetáculo ‘Beco’ no Teatro da UFF de 17 a 25 de outubro

Com supervisão de Hamir Haddad e direção de Adressa Koetz, espetáculo mistura poesia, música eletrônica, dança e arte cênica

Foto: Divulgação

Existe um preconceito ligado ao senso comum sobre a poesia, que a define como monótona, triste, antiquada, chata, uma lamentação atenuada por palavras bonitas e meio sem sentido. Exatamente para quebrar essa falácia que a atriz e poetisa niteroiense Betina Kopp criou o espetáculo “Beco” – um misto de poesia com música eletrônica, dança e arte cênica. Depois de cinco anos de trabalho, a estreia nacional será dia 17 no Teatro da UFF, em Icaraí, e a temporada vai até dia 25, sempre às quartas e quintas, às 20h.

“Fiz muitas pesquisas e estudos para o espetáculo e, agora, estou realizando do jeito que eu gosto de fazer poesia: alegre, animada, pra cima. Vejo poesia como algo presente em toda a nossa arte. Ela está em todo nosso olhar. Ela vai além até mesmo do próprio poema. Através dela, temos liberdade de escrever como a gente quiser. Acho que a poesia é capaz de nos libertar, traz um olhar afetivo. Falo meus poemas como conversa na montagem. Uma das performances é da “Mulher Cavala”, por exemplo, que une a questão do empoderamento feminino e das mulheres que habitam um mulher”, acentua Betina. 

Com supervisão de Amir Haddad – que define a atriz como “feminina sem levantar a bandeira da delicadeza” – e direção de Adressa Koetz, o espetáculo reúne poesias que Betina escreveu de 2007 a 2016 para publicar em seu blog. No meio do caminho, para o amadurecimento e montagem e antes mesmo de nascer, “Beco” deu origem a um livro de poesias, publicado há dois anos. Nesse tempo todo, a atriz fez apresentações por 13 estados brasileiros, uma forma de testar e experimentar suas performances, quando participou do coletivo Voluntários da Pátria – projeto em parceria com Tico Santa Cruz que incentivava o protagonismo juvenil para que os jovens colocassem para fora o que sentiam. 

“Como no início eu tinha vergonha das minhas poesias, acabou que do compilado para o livro veio a valorização da minha própria história. Quase montei esse espetáculo com poesias de outras pessoas, eu como intérprete. Que bom que enxerguei em tempo e pude abusar da minha liberdade criativa: vou de mulher cavala a borboleta. Uso de múltiplas plataformas para me expressar. A música eletrônica vem de batidas por minuto (BPM) e nosso coração é assim também, tem o pulso, por isso fiz essa conexão”, avalia.

Depois de cinco anos de trabalho, a estreia nacional será dia 17 no Teatro da UFF, em Icaraí

Foto: Divulgação

Imprimindo sua personalidade, as poesias falam muito sobre as questões do ser humano e a contemporaneidade.

“Temos muitos sentimentos sobre diferentes situações e sabemos que nosso emocional conta demais em relação ao que está dentro e fora. Embora eles tenham me dado muita base, nem preciso mencionar no espetáculo os movimentos femininos que vemos crescendo agora, é uma questão de sensibilidade e força, ao mesmo tempo. É realmente difícil costurar poemas para criar uma dramaturgia teatral. Me preocupei em não deixar ficar como um sarau, um recital, quando falam o poema e as pessoas batem palma. Tem que ter um bom fio condutor entre uma performance e outra. Por isso, fiquei tanto tempo pesquisando e experimentando com o público até a finalização e estreia”, explica Betina. 

Para a diretora Adressa Koetz, que conduziu Betina em parceria com Amir Haddad, o espetáculo “Beco” vai emocionar e também divertir. 

“Este trabalho é muito autoral, então, me vejo como uma facilitadora. É mais lapidar, provocar, conduzir para chegarmos no melhor da Betina. Quem já conhece curte muito. É envolvente”, elogia Adressa.
O nome “Beco” vem lá de trás, quando Betina fez o blog homônimo. 

“Fui percebendo que os becos são lugares que têm saída. A palavra ainda tem, mesmo que sonoramente, as minhas iniciais. Além de tudo, consegui viabilizar o projeto através da captação de ISS, graças ao primeiro edital da Secretaria de Cultura de Niterói voltado para pessoa física. São anos de batalha para essa lei municipal sair, já acompanho há um tempo e rolou. Estou muito feliz”, enfatiza, lembrando que toda a multimidialidade (projeções, dança e música eletrônica) serve para expressar sua poesia e não descaracterizá-la: “A poesia está presente em todas as artes. Quando coloco cada elemento é para unir ainda mais isso à poesia. Você pode fazer poesia dançando ou se inspirar em uma poesia para pintar um quadro”. 

O Teatro da UFF fica na Rua Miguel de Frias, 9, Icaraí – Niterói. Dias 17 e 18, 24 e 25 de outubro de 2018. Quartas e quintas, às 20h. Preço: R$ 20 (inteira). Classificação etária: 14 anos. Telefone: 3674-7515.

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