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Revisitando a arte do mestre

Zélia Duncan e Jaques Morelenbaum trazem ao Municipal ‘Invento Mais’, show com canções de Milton Nascimento

Com 15 canções, o repertório não vai se prender a cronologias, e traz músicas como “Canção Amiga”, “Caxangá”, “Encontros e Despedidas”, “Cravo e Canela”, “O que foi feito deverá”, “Ponta de Areia”, “Mistérios”, “Canção da América”, “Travessia”, entre outras

Foto: Divulgação

Como revisitar a obra de Milton Nascimento, homenagear esse ícone da MPB e, ainda assim, se distanciar das versões originais de suas canções tradicionais? Isso pode ser conferido no palco do Teatro Municipal de Niterói, que recebe sexta (23) e sábado (24), às 20h, Zélia Duncan acompanhada do maestro Jaques Morelenbaum, apresentando “Invento Mais”, um show com repertório inteiramente baseado na obra de Milton Nascimento. 

A ideia que originou o disco nasceu há cerca de três anos, quando Zélia foi convidada por André Midani para participar do projeto “Inusitado”. Com 15 canções, o repertório não vai se prender a cronologias e traz músicas como “Canção Amiga”, “Caxangá”, “Encontros e Despedidas”, “Cravo e Canela”, “O que foi feito deverá”, “Ponta de Areia”, “Mistérios”, “Canção da América”, “Travessia”, entre outras. 

“Nos sentimos desafiados a fazer o que estamos fazendo. Quando me falaram a palavra inusitado, pensei logo em perigoso. O André chegou para mim e perguntou: O que é perigoso para você? Falei que seria interpretar Milton no palco. Durante a minha carreira, tenho conseguido agradecer às minhas influências e, com esse show, tenho a oportunidade de fazer essa homenagem ao Milton. Tanto eu como o Jaques temos uma memória afetiva recheada pelo repertório do Milton, e este foi o critério que adotamos para a seleção das músicas. A obra do Milton é tão intocável para nós que os arranjos estão no seu coração. Cantar Milton sem instrumento de harmonia, essa foi a graça que descobri com o Jaques. É quase que um truque cantar com ele, porque você está diante de só um instrumento, mas é um cara que corresponde a uma orquestra”, afirma Zélia, que, com esse projeto, ganhou o Prêmio de Melhor Cantora na categoria MPB na 29ª edição do Prêmio da Música Brasileira deste ano. 

“Fiquei muito feliz com o convite da Zélia para participar deste trabalho. O Milton tem fundamental importância na minha formação musical, vivenciei o Clube da Esquina e sempre me identifiquei com aquele movimento. Comecei na música popular com o grupo ‘A Barca do Sol’, que bebia diretamente naquela fonte. Tenho um carinho especial por este repertório, e tive a oportunidade de acompanhá-lo durante a turnê de ‘Geraes’, em 1978. É muito interessante e desafiador fazer um show inteiro somente em voz e cello. Uma coisa minimalista e essencial”, finaliza Jaques Morelenbaum. 

Como a obra de Milton é extensa, houve uma certa dificuldade para escolher quais músicas tocarão no show. Morelenbaum diz que foi feita uma seleção que trazia o gosto dos dois artistas e, mesmo assim, houve uma pequena divergência.

“Cada um de nós trouxe uma lista própria e, num delicioso consenso, uma a uma cada canção era apresentada e imediatamente aceita pelo outro, até completarmos um repertório suficiente para nosso primeiro concerto, que foi na Cidade das Artes, no Rio de Janeiro. A única exceção aconteceu com ‘Travessia’, canção tão emblemática de uma primeira fase da carreira do Milton, tão datada, gravada e conhecida, que a Zélia pensou duas vezes antes de aceitar fazê-la”, revela.

A afinidade do duo com o cantor Milton Nascimento não é de agora. Zélia Duncan já havia gravado “San Vicente” em um DVD de Milton Nascimento. Por sua vez, nos anos 70, Jaques participou da banda de Milton na turnê do álbum “Minas”, formada, entre outros, por mestres como Nelson Ângelo, Novelli, José Roberto Bertrami, Azimuth, Nenê, Nivaldo Ornelas, Danilo Caymmi e Paulo Jobim.

A partir do show, eles gravaram um disco com o mesmo nome. O título “Invento Mais” foi extraído da letra de “Cais” (Milton Nascimento e Ronaldo Bastos, de 1972), uma das 20 músicas do roteiro original do show. O repertório do álbum inclui músicas como “Caxangá” (Milton Nascimento e Fernando Brant, de 1977). O show é fiel ao disco, portanto Zélia canta “Ponta de Areia” (Milton Nascimento e Fernando Brant, de 1974) com ternura, em tom suave, pavimentando o caminho de afeto fraternal que pauta “Canção Amiga” (Milton Nascimento e Carlos Drummond de Andrade, de 1978).

O Teatro Municipal de Niterói fica na Rua Quinze de Novembro, 35, no Centro. Sexta-feira e sábado, às 20h. Preço: R$80. Classificação: 12 anos. Telefone: 2620-1624.
 

 

 

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