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Sentindo o tempo passar

Vladimir Valente estreia hoje no Espaço Cultural Correios Niterói a exposição ‘Anacrônico’

Exposição inaugura neste sábado no Espaço Cultural Correios Niterói

Foto: Divulgação

Fortemente influenciado pelos filósofos Nietzsche, Epicuro e Diógenes, o artista plástico carioca Vladimir Valente traz um pouco da sua concepção sobre o mundo através da exposição “O Anacrônico”, que inaugura neste sábado, das 16h às 18h, no Espaço Cultural Correios Niterói. Com 19 obras, entre pinturas a óleo e acrílico sobre tela e estudos à grafite, o artista imprime uma temática simbólica e reflexiva acerca do tempo linear e seus significados etéreos.

     “Em ‘O Anacrônico’ eu falo sobre os ciclos de humanidade. Ciclos de muita emoção e técnica. O rock, por exemplo, começou com dois acordes, e foi evoluindo até que chegou o momento das músicas muito bem elaboradas e das bandas com integrantes que tocavam cinco instrumentos. Logo em seguida veio o punk, e trouxe de volta o rock com dois acordes, só que de uma forma diferente. Situações similares que aconteceram, e acontecem em vários momentos na humanidade”, explica Vladimir.

    O artista conta que a exposição, que vinha sendo planejada há 20 anos, tinha outras ideias centrais. Originalmente “Anacrônico” era só o nome de um quadro que ele estava trabalhando, mas, a partir do momento em que percebeu que tinha ligações com tantas questões filosóficas da vida – até mesmo pessoais – decidiu adotar como título da exposição.

“A exposição não é sobre o Vladimir em si, mas tem muito a ver com minha vida também. Por exemplo, sou ‘obsoleto’ quando expresso ser um cara que forja aço e pinta muro em afresco, em contrapartida não mexe no computador e não dirigi”, conclui.

    Amante da filosofia e astronomia, teve como inspiração os simbolistas do século XIX para compor a linguagem de seus quadros, além, claro, do conhecimento científico tradicional, ao qual ele acredita nortear sua vida.

   “Meu trabalho envolve dois processos: o técnico e o temático. O processo técnico vai depender do tema. Em um retrato, por exemplo, se eu quero retratar uma mulher muito lânguida e calma, uso técnicas mais apuradas e delicadas. Se eu quero retratar um homem estressado, uso um carvão. Quanto ao processo temático, nas minhas obras, em geral, uso muitos simbolismos de todas as eras, inclusive dos textos sagrados, porque apesar de eu ser um ‘cara da ciência’, tive a oportunidade de lê-los no decorrer da minha vida”, filosofa.

    Outro elemento extremamente presente em “O Anacrônico” é a reflexão sobre o pensamento acadêmico. Seu método consiste em romper com o paradigma temporal da concepção da arte contemporânea através do retorno aos valores estéticos tradicionais da pintura.

   Apesar de ter optado por não cursar a educação formal na faculdade, começou sua relação com a pintura muito cedo, com apenas 12 anos. Desde então, foi construindo sua forte e madura personalidade artística sob a influência de seus “mestres”. Vladimir foi aluno do Marlon Silli na Tijuca até os 17 anos. Depois, foi de aluno a professor da escola do realista Renato Ferrari e, atualmente, teve a oportunidade de aprender com Lydio Bandeira de Mello a arte do afresco – técnica clássica e rara, que foi usada na pintura da Capela Sistina. Seu histórico o leva a, ironicamente, se auto-rotular um “Conde Drácula” das artes contemporâneas.

     Com essa bagagem, o artista já fez de tudo, mas sempre buscou o envolvimento com atividades que tivessem a ver com arte. Foi tatuador, trabalhou no carnaval, restaurou o Theatro Municipal do Rio de Janeiro, o Palácio da Guanabara, o Museu de Arte do Rio, e pintou quatro Igrejas Católicas, devido sua habilidade com o afresco.  

     “Sou um grande fã do astrônomo Carl Sagan, e tenho um quadro em homenagem ao trabalho que ele prestou à humanidade. Meu objetivo com a arte é fazer o que ele fez com a ciência. Quero fazer com que as pessoas voltem a se interessar por arte”, pondera Vladimir.

O Espaço Cultural Correios Niterói fica na Av. Visconde do Rio Branco, 481, no Centro de Niterói. A partir deste sábado à 31 de março, das 11h às 18h. Entrada franca. Classificação: livre. Telefone: 2622-3200.

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