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Estreia amanhã, no Teatro da UFF, espetáculo que traz um Vinicius de Moraes engajado e atento aos acontecimentos de seu tempo

A montagem da peça foi idealizada por Hugo Sukman e Marcos França, que interpreta Vinicius

Foto: Divulgação/Rarael Blasi

Além do que conhecemos, Vinicius de Moraes era um poeta consciente, engajado politicamente, e sua obra comprova suas diversas facetas, dentre elas a do artista preocupado com os rumos que o Brasil tomaria. A peça show “Com amor, Vinicius – Ou como sobreviver nesta selva oscura e desvairada” retoma as composições de Vinicius de Moraes utilizando-se do modelo de espetáculo em que o artista se apresentou durante 13 anos: “O poeta, a moça e o violão”. O Teatro da UFF será palco da terceira temporada da montagem, de sexta-feira (18) a 27 de janeiro, sextas e sábados, às 20h, e domingos, às 19h.

“Desde novinha, sempre escutei Vinicius. Não se para nunca de ouvir, de ler Vinicius, você conhece na escola, se apaixona e procura conhecer mais. Sempre fez parte da minha vida e, agora, poder dirigir um espetáculo sobre ele é um prazer”, revela Ana Paula Abreu, diretora do espetáculo.   

A montagem da peça foi idealizada por Hugo Sukman e Marcos França, que interpreta Vinicius. Amigos de longa data, já adaptaram para o teatro outros dois espetáculos: “Deixa a dor por minha conta”, sobre Sidney Miller, e “Nara – A menina disse coisas”, sobre Nara Leão. 

“Escrevi um livro anos atrás sobre o Martinho da Vila, uma discobiografia. Marcos leu e me convidou para adaptar. Descobrimos no meio do trabalho que havia uma peça prestes a estrear com o mesmo tema. Tive outra ideia e começamos a trabalhar juntos e funcionou. Sou jornalista, e pesquiso sobre música brasileira e Marcos também sempre trabalhou com música no teatro. Juntamos o lado de pesquisa e o lado dramatúrgico e deu certo. A nossa peça é baseada num tipo de show que Vinicius fazia a partir dos anos 60. Genericamente chamamos de ‘O poeta, a moça, e o violão’”, explica Sukman. 

No musical, Marcos França divide a cena com a cantora Luiza Borges, com o violonista Victor Ribeiro e com o percussionista e baterista Matias Zibecchi. O modelo de apresentação consagrado por Vinícius, que assim se apresentou até o momento de sua morte, não era algo imutável. Em certos momentos, apareciam os improvisos e, em meio às canções, recitava poemas e conversava francamente com o público sobre diversos temas. Vinicius era acompanhado sempre por uma voz feminina de timbre marcante. E no violão, Toquinho foi um de seus parceiros musicais mais frequentes. Cantoras como Maria Bethânia, Maria Creusa, Clara Nunes, Marília Medalha, Joyce e Miúcha já subiram ao palco em sua companhia. Muitos desses encontros originaram LPs. 

Peça retoma as composições de Vinicius utilizando-se do modelo de espetáculo em que o artista se apresentou durante 13 anos: “O poeta, a moça e o violão”

Foto: Divulgação/Rafael Blasi

“Contamos uma história ambientada nesse show, situamos em vários momentos, um período, sobretudo, de ditadura militar. Vinícius conta como foi sobreviver à ditadura, como foi fazer arte, como foi amar. Acreditamos que isso pode inspirar outras pessoas. Artistas de outra época continuam nos ensinando, revelando coisas da nossa atualidade, principalmente sobre política. Queremos mostrar a leveza, a graça que o show do Vinicius proporcionava, trazer a poesia, a prosa e a força do poeta, mostrando a história do Brasil”, aponta Sukman.  

Interpretar Vinicius no palco era uma vontade antiga do idealizador e ator Marcos França, que já atuou como outros poetas brasileiros: Drummond, Manuel Bandeira e Mário Quintana. 

“A proposta de fazer um espetáculo que lembrasse o show que Vinicus fazia apresenta o artista a pessoas que não o conhecem. O artista estava preocupado com os rumos do Brasil na época. Ele começou a fazer shows, e o Itamaraty não queria que um diplomata cantasse e tocasse violão bebendo uísque. Vinícius chegou a ser cassado e passou a percorrer o Brasil com esse modelo de show. Foi um poeta muito consistente, falava do amor pelo próximo, sua preocupação com a sociedade, tinha uma visão igualitária, pensava nos direitos humanos. Apresentamos isso na peça. Depois que começou a cantar, todo o mundo reconhecia mais o Vinicius boêmio. Inclusive alguns poetas na época ficaram chateados quando ele começou a fazer essas apresentações porque achavam que isso diminua a força da poesia. Isso de fato aconteceu. Conhecemos ele mais pela obra musical, pelos poemas de amor, do que por esse lado engajado”, admite Marcos França. 

O Teatro da UFF fica na Rua Miguel de Frias, 9, Icaraí, em Niterói. De sexta-feira (18) a 27 de janeiro. Sextas e sábados, às 20h, e domingos, às 19h. Preço: R$ 50 (inteira). Classificação: livre. Telefone: 3674-7512.

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