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Um niteroiense na luta árdua contra a intolerância religiosa

Gabriel Sorrentino lança documentário sobre o tema

O jornalista (acima) entrevistou nomes como Mãe Margareth de Oxum, o delegado Gilbert Stivanell, Pai Gilmar de Iansã e Muniz Sodré

Divlugação

O nosso País é imensamente rico em diversidade cultural. Porém, essa pluralidade muitas vezes não é reconhecida e respeitada, sobretudo a ancestralidade africana. Com o objetivo de levantar o debate sobre estes temas, o jornalista niteroiense Gabriel Sorrentino produziu o documentário “Cárcere dos deuses - magia ou memória em tempos de opressão”, que denuncia a intolerância religiosa cometida pela polícia, ainda que seja uma ação inconstitucional.

O filme mostra as dificuldades da campanha “Liberte Nosso Sagrado”, do deputado estadual Flávio Serafini (PSol), que luta para recuperar cerca de 200 peças religiosas detidas no Museu da Polícia Civil, no Centro do Rio. Os artefatos foram apreendidos pela corporação no início do século passado, quando as religiões de matrizes africanas ainda eram criminalizadas. Neste sábado (20), as práticas religiosas de qualquer natureza são protegidas por lei, um fato que não é respeitado. 

“Mesmo com tantos avanços sociais, as religiões continuam sendo perseguidas. O que eu quis focar no documentário foi que elas não são apenas perseguidas nas ruas, mas pelo próprio Estado. Neste sábado, muitos anos depois da criminalização da intolerância religiosa, continua agindo como órgão opressor, o que acaba incentivando o preconceito na população. E o fato de haver leis que denunciem isso não evita que isso aconteça, pois a lei precisa ser interpretada por um juiz ou delegado que se deixa levar pelas suas crenças”, comenta o jornalista.   

Praticante da Omoloko (junção do candomblé com umbanda), Gabriel sempre sentiu vontade fazer algo relacionado às religiões de matrizes africanas. Ele conta que, desde a escola, sempre sofreu preconceitos por fazer parte da religião. Esse preconceito institucional o motivou a trabalhar neste projeto, que conta com depoimentos de 11 pessoas, entre elas o deputado Flávio Serafini; o babalorixá niteroiense Pai Gilmar de Iansã; a yalorixá Mãe Margareth de Oxum; o professor e candoblecista Muniz Sodré; o delegado Gilbert Stivanello; entre outros. 

Toda essa intolerância religiosa, que pesa principalmente nas religiões de matrizes africanas, vem do racismo estrutural que assola o mundo. Segundo Gabriel, seu documentário “Cárcere dos deuses” é uma maneira de levantar o debate sobre o assunto, fazendo com que as pessoas conversem sobre isso.

“Tive vários convites para exibi-lo dentro de terreiros, casas sociais, e também casas culturais, o que é extremamente importante, que exista um movimento junto com os terreiros, de levar para fora das nossas casas de santo a nossa doutrina. Então, é uma responsabilidade muito grande abordar estes temas, mas ao mesmo tempo é muito prazeroso ver que ele é pauta dentro de conversas que antes não tinham espaço”, conclui. 

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Comentários

Elson Luiz
Mesmo não sendo adepto de religião de matriz africana vejo como muito importante esse documentário ainda mais nos momentos atuais!!!!!!
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