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Uma história para ser contada

Grupo de pesquisadores de Niterói e São Gonçalo busca voluntário para trabalhar em pesquisa sobre a atuação da Portela nos dois municípios

Os pesquisadores Romulo Narducci, Ana Machado e Jordão Pablo de Pão são alguns dos nomes por trás do projeto de resgate da história da participação da Portela em Niterói e São Gonçalo

Foto: Lucas Benevides

No ano em que a Portela promete fazer mais um carnaval que vai entrar para a história do samba carioca, um grupo de pesquisadores de Niterói e São Gonçalo está em busca de voluntários e parceiros para ampliar um trabalho que pesquisa justamente a atuação da agremiação no território fluminense. Batizado como “Portela – Berço das Nossas Fantasias”, o projeto surgiu a partir de pesquisas de resgate da produção cultural e fomento de tradições inseridas através do carnaval na região. 

Para o grupo, o samba faz parte da história do Rio e do País, no entanto, pouco se tem de registro desse período. É uma história que persiste apenas na memória e que precisa ser resgatada, contada e preservada como parte da cultura das festas carnavalescas, sobretudo de São Gonçalo. A finalidade do projeto é justamente resgatar aspectos que constroem essa história, assim como produzir material para pesquisas posteriores sobre esse recorte cultural da região, em formato de livros convencionais ou outras mídias. O grupo também estuda formas de parcerias para viabilizar uma apresentação roteirizada para audiovisual do trabalho.

Vale destacar que a Portela atuou na região de São Gonçalo por cerca de 10 anos – no início da década de 1980, com o Baile Azul e Branco, realizado no Clube Mauá. Uma presença que influenciava produções artísticas e setores de comunidades do local e também de cidades como Niterói e adjacências.

Batizado como “Portela – Berço das Nossas Fantasias”, o projeto surgiu a partir de pesquisas de resgate da produção cultural e fomento de tradições inseridas através do carnaval na região

Foto: Lucas Benevides

“A Portela sempre foi pioneira em muitas questões relacionadas ao carnaval e ao desfile das escolas de samba. Promover ensaios fora de sua quadra foi uma dessas ações pioneiras. Inspirado na experiência dos ensaios no Mourisco, em Botafogo, a Diretoria Social do Clube Esportivo Mauá no início da década de 80 trouxe para São Gonçalo os ensaios da Portela. Durante quase uma década foi um grande sucesso pré-carnavalesco da cidade. Os ensaios aos domingos movimentavam os foliões e formaram uma legião de torcedores portelenses na cidade”, revela Almir Barbio, membro do Departamento Cultural da GRES Portela e membro do grupo de pesquisa. 

O Grêmio Recreativo Escola de Samba Portela, ou simplesmente Portela, é uma escola de samba da cidade do Rio de Janeiro que adotou como símbolo uma águia e as cores azul e branco. A escola detém o posto de maior campeã do carnaval do Rio de Janeiro, com 22 títulos. Fundada oficialmente em 11 de abril de 1923 como um bloco carnavalesco chamado Conjunto Oswaldo Cruz, no bairro de Oswaldo Cruz, a Portela firmou-se como um dos grandes celeiros de grandes compositores do samba, tanto que a quadra da escola em Madureira é um dos grandes pontos culturais do Rio e recebe visitações e eventos o ano inteiro.

A iniciativa conta com o apoio do Departamento Cultural da Portela e integra o evento “Roda de Samba Portela de Asas Abertas”, quando nos intervalos das rodas, que acontecem de forma bimestral na quadra da escola, professores, pesquisadores e artistas trazem convidados para um sarau nomeado “Poesia de Asas Abertas”.

No momento, o coletivo segue buscando voluntários, propostas e apoio para desenvolver todo o acervo previsto, captação de material e desenvolvimento da pesquisa.  

“Por causa do período negligenciado da atuação da Portela em território fluminense, especificamente nas festividades do Clube Mauá em São Gonçalo, precisaremos de voluntários que disponibilizem materiais da época e contribuam com histórias orais”, ressalta Ana Machado, pesquisadora e idealizadora do projeto.  
Voluntários interessados na pesquisa, em parcerias ou incentivos podem entrar em contato através do e-mail: memoria.portela@gmail.com

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Comentários

roberto alexandre
Na metade da década de 1980, ninguém era de samba, todo mundo estava fascinado pelo rock nacional, BRock, New Wave, rock brasileiro. Mas era de lei depois da praia, aos domingos, curtir o Portelão no Mauá e era esse o público: adolescente-parafina- new wave que frequentava o sambão, herdeiros do filme Menino do Rio e do Rock in Rio.
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