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Vinhos para todos os pratos

Com cerca de 1,3 mil harmonizações, ‘Feitos um para o outro’, de Celio Alzer, chega nas livrarias

Celio é professor da Associação Brasileira de Sommeliers (ABS), onde foi presidente por três anos, foi produtor e apresentador de programas musicais durante mais de 28 anos em rádio

Foto: Douglas Macedo

Considerado um dos maiores especialistas de vinho no Brasil, Celio Alzer está lançando seu quarto livro intitulado “Feitos um para o outro – Os vinhos perfeitos para combinar com 1.304 pratos”, pela editora Máquina de Livros. Trata-se de um livro com conteúdo inédito no País, sobre harmonização de centenas de vinhos com uma extensa variedade de pratos, que vão desde escargots à la bourguignonne até sanduíche de mortadela. De leitura fácil, fugindo de teorias e termos técnicos, o livro é um guia prático que irá ajudar o leitor nas escolhas de vinhos tanto para consumir em casa quanto em um restaurante.

Celio é professor da Associação Brasileira de Sommeliers (ABS), onde foi presidente por três anos, foi produtor e apresentador de programas musicais durante mais de 28 anos em rádio, já escreveu três livros sobre vinhos e lançou um jogo de tabuleiro também sobre vinho.

Confira, abaixo, o bate-papo com Celio Alzer sobre seu novo livro e sobre uma das bebidas mais antigas do mundo. 

Conte um pouco sobre a idealização e a realização do livro.

A ideia surgiu há cerca de dez anos, quando percebi que cada vez mais as pessoas estavam se interessando por gastronomia: fazendo cursos, comprando livros de receitas, cozinhando para os amigos, passando a ter um bom conhecimento sobre o assunto. Entretanto, na hora de escolher um vinho para acompanhar o prato, tinham dificuldade. Foi aí que comecei a registrar minhas experiências: primeiro com os resultados dos jantares harmonizados que faço há muitos anos, e depois pesquisando bons autores, especialmente estrangeiros. Eu fazia isso sem pressa, mais como distração e exercício do que com a intenção de publicar. Este ano, meu filho Luiz André e Bruno Thys criaram a Editora Máquina de Livros e se interessaram em publicar o trabalho. 

Este é o seu quarto livro publicado, o que o diferencia dos outros e o que os leitores podem esperar?

O primeiro livro, “Tradição, Conhecimento e Prática dos Vinhos”, foi escrito em parceria com Danio Braga, fundador da Associação Brasileira de Sommeliers. É um livro genérico, contendo os assuntos tratados no primeiro curso da ABS. É o livro base da associação, que os alunos recebem no primeiro dia de aula. O segundo, “Falando de Vinhos”, ainda em parceria com Danio, é resultado de um programa de rádio. O terceiro é só meu, e chama-se “O Passo a Passo da Degustação”, no qual ensino em 100 passos como degustar vinhos. Os leitores podem esperar deste novo livro um guia absolutamente prático, indicando os melhores vinhos (espumantes, brancos, rosés ou tintos, secos ou doces) para acompanhar pratos tipicamente brasileiros e clássicos estrangeiros.

Quais são os maiores mitos a respeito da harmonização de vinhos e refeições? Eles podem não combinar?

Não creio que exista propriamente um mito, mas, sim, o medo de escolher o vinho errado e, por isso, estragar uma refeição. Porque uma escolha não tão bem-sucedida não chega a ser um desastre. Acho que deve ser encarada como um exercício, uma experiência no sentido de procurar saber o que deu errado. Existem, sim, alimentos que não combinam com vinho. Tem um capítulo chamado “Casamentos difíceis”, em que esses alimentos estão relacionados, entre eles: beterraba, frutas cítricas, iogurte, jiló e vinagre.  
 
Quando e como você começou a se apaixonar por esta bebida?

Eu já gostava de vinho desde os vinte e poucos anos, mas bebia sem qualquer critério ou conhecimento. Na verdade, nunca fui muito de cerveja ou uísque. Mas só passei a me interessar depois que descobri a ABS, em 1983. Aí fiz o único curso que era oferecido. Em 1985, comecei a dar aulas, o que faço até hoje. Sou o professor mais antigo em atividade na ABS.

Dentre os diversos ofícios que você exerce em relação a vinhos, qual te dá mais prazer?

Certamente, o de professor. Embora faça consultoria, cartas de vinhos e palestras, meu palco é mesmo a sala de aula. Gosto muito também de fazer jantares harmonizados, um exercício importante para mim e um prazer para os participantes – tanto gosto, que levei esse modelo para a ABS, onde faço eventos de harmonização em que eu mesmo cozinho.

As vendas de vinhos subiram 18% no início deste ano, sobretudo vinhos brasileiros. A que você atribui o aumento do consumo da bebida e a qualidade de vinhos nacionais estarem aumentando cada vez mais?

Atribuo a vários fatores, mas especialmente à determinação dos produtores em trilharem seu próprio caminho, perseguindo sua própria identidade, ao invés de tentar copiar modelos estrangeiros. Isso está evidente na elaboração de espumantes, em que o Brasil só atingiu o nível alto em que está hoje, quando desistiu de querer ser champanhe e parou de copiar o prosecco. Gostaria de lembrar que o Brasil, na média de qualidade dos seus produtos, é o melhor produtor de espumante das Américas (estou falando de todas as Américas). Mas também acho que se deve destacar o trabalho da nova geração de enólogos, que começou a surgir no final dos anos 1980. Ao contrário dos descendentes de italianos que produziam vinho por experiência e tradição familiar, os jovens enólogos têm uma ótima formação técnica e começaram a dar uma “cara nova” ao vinho brasileiro. 

Você morou por muito tempo em Niterói e hoje assina por aqui a carta de vinhos de restaurantes, além de participar de eventos de degustação na cidade. Qual a sua intimidade com Niterói?

A minha relação com Niterói vem dos tempos de menino, porque tinha dois tios que moravam na cidade. Morei primeiro em Icaraí e depois em Piratininga. Meus netos – a quem dediquei este livro – nasceram e sempre moraram na cidade. Também dei aulas no curso de gastronomia do La Salle, e hoje faço eventos na Premier Wine. Embora seja carioca, Niterói é minha segunda cidade.

 

 

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