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Desbravando caminhos na arte

Reestreia nesta sexta (22) no Teatro da UFF a peça ‘Visitando Camille Claudel’, que conta a história da escultora francesa do séc. XIX

A escultora Camille Claudel é interpretada pela atriz Adriana Rabelo desde 2006

Foto: Renato Neto / Divulgação

Histórias de vida de mulheres brilhantes têm sido apagadas por séculos pelo patriarcado, que limita bravuras e posturas heróicas de enfrentamento a homens brancos, em geral influentes e/ou da elite. Com a escultura francesa, Camille Claudel (1864-1943) não foi diferente.

Ela foi uma artista genial, mas o reconhecimento veio apenas nos anos 80, muito tempo depois de sua morte. Para Ramon Botelho, diretor e autor da peça “Visitando Camille Claudel”, que estreia no Teatro da UFF nesta sexta (22), às 20h, a história de Camille Claudel é atemporal e universal porque trata dos grandes temas da humanidade, como amor, solidão, violência, morte, etc.

“Camille lutou para ser reconhecida em uma profissão, na época, estritamente masculina; desafiou os críticos e o mercado de arte; foi amante de escultor francês Auguste Rodin, e esse amor com um homem casado era conhecido e comentado por todos. Ela enfrentou o status quo, o preconceito de uma sociedade machista e pagou um alto preço por isto. Acabou internada, contra sua vontade, em um manicômio por 30 anos até sua morte. O irmão, Paul, escritor e diplomata, tinha vergonha dela e foi vê-la pouquíssimas vezes, a mãe nunca foi visitá-la”, conta Ramon, que completa: “Estreamos em 2006. De lá pra cá, sofremos com um grande retrocesso em questões importantes. Uma portaria do Governo Federal de 2017 liberou investimentos para hospícios e internações, e nunca vimos tantos ataques contra as mulheres, abusos e feminicídios. É alarmante. Então, infelizmente, equidade de gênero e luta antimanicomial continuam sendo temas atuais, e necessários. Salve Camille Claudel e outras mulheres que iluminam nossos pensamentos”. 

A peça conta a história de Camille em três tempos: a infância no interior da França, quando ela brincava com o irmão nos bosques de Villeneuve; a fase adulta e produtiva em Paris, o trabalho em seu ateliê, o amor por Rodin e sua luta para se estabelecer numa profissão estritamente masculina; e a internação e o abandono por 30 anos num asilo de alienados. 

“Camille, já idosa, internada, conta sua história para as pessoas em um dia de visitas, já que seu irmão não aparece para visitá-la. É uma encenação impactante, que valoriza os recursos lúdicos da caixa cênica e o trabalho de uma atriz espetacular: Adriana Rabelo”, pontua Ramon.

De acordo com a atriz e protagonista, Camille é uma representatividade quando se discute o lugar das mulheres no mercado das artes. Contribuiu para que as mulheres tivessem o direito de criar, de liberdade, de obter seu lugar como artista num mercado que privilegia os homens.

“Ela nos inspira com sua coragem, paixão e determinação, a não desistirmos das nossas escolhas”, acrescenta Rabelo.

O Teatro da UFF fica na Rua Miguel de Frias, 9, em Icaraí, Niterói. De 22 a 31 de março, sextas e sábados, às 20h; e domingos, às 19h. Preço: R$ 40 (inteira). Classificação: 14 anos.

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