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Remando contra a maré de crise

Mesmo em um cenário complicado economicamente, setores como os salões de beleza e pet shops conseguiram driblar a recessão

Atualização, novidades, diferenciais e bom atendimento são as possíveis fórmulas utilizadas pelas pet shops, salões de beleza e empresas de cobrança para vencer as dificuldades econômicas

Foto: André Redlich

Mesmo em meio a um cenário de grande instabilidade econômica e crise política, em Niterói alguns setores ainda permanecem tendo lucro. O bom desempenho desses empreendimentos acontece por razões que vão desde prioridades do consumidor, como salão de beleza e pet shops, até setores que se beneficiam justamente com a crise, como no caso do setor de cobranças. Atualização, novidades, diferenciais e bom atendimento são as possíveis fórmulas utilizadas por esses empresários para vencer a recessão.

A economia brasileira passa atualmente pelo seu período mais crítico dos últimos 25 anos. De acordo com dados divulgados pelo IBGE, o Produto Interno Bruto brasileiro encolheu 3,8% em 2015 registrando seu pior desempenho desde 1990. Somente em 2015, por exemplo, foram fechados mais de 1,5 milhão de postos de trabalho, segundo informações do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Ainda assim, a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) mapeou mais de 600 profissões e identificou que, do total analisado, 140 setores pesquisados, ou seja, 23,2% conseguiram registrar um aumento líquido desde o início da recessão.   

Em Niterói não tem sido diferente. De acordo com dados da junta comercial e da Casa do Empreendedor, mesmo em meio a uma conjuntura de instabilidade, algumas atividades continuaram a crescer e contratar, como explica o presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL) de Niterói, Fabiano Gonçalves: “Pet shop e salão de cabeleireiro são exemplo de segmentos que cresceram em Niterói apesar da crise econômica dos últimos meses, e uma possível razão para isso seria que as pessoas estão sendo demitidas, e, por isso, tendo que empreender por uma questão de necessidade”, explica Fabiano.

Há dez anos a empresária Lysiane Silveira administra um salão de beleza em Niterói, que, segundo ela, até 2014 registrou um crescimento contínuo. Com até 90 atendimentos diários e 17 funcionários, a empresária acredita que os bons resultados do negócio ainda se mantêm em função da vaidade que faz parte da cultural da mulher brasileira. “No inicio era só uma esmalteria, mas com tempo, o aumento da procura fez com que o negócio fosse crescendo. No ano passado o negócio não registrou o crescimento exponencial que tinha desde 2006, no entanto, diferente de muitos outros segmentos, nós conseguimos manter o mesmo fluxo de negócios. Mas para isso foi preciso investir. Salão de beleza é um segmento que precisa estar sempre atualizado com as novas tendências. Independente do momento, sempre preciso investir na qualificação dos funcionários”, destaca a empresária.

Lysiane Silveira acredita que os bons resultados do negócio ainda se mantêm em função da vaidade que faz parte da cultural da mulher brasileira.

Foto: Douglas Macedo

Junto com os cuidados com a beleza, o bem-estar dos animais de estimação também é um negócio que tem mantido o fôlego na cidade. Há um ano no mercado e na contração da retração econômica, a Pet Shop Fido, em Icaraí, é uma empresa que melhora seus resultados a cada mês, segundo o veterinário e proprietário Daniel Brancoli. “Como acabamos de comemorar nosso primeiro aniversário, somente agora teremos parâmetros para comparar com o mesmo período no ano passado. Mas é possível afirmar que estamos acima da nossa expectativa inicial. Acho que o sucesso de uma empresa em tempos difíceis passa por cativar o cliente e fazer com que ele sinta suas necessidades atendidas”, explica Brancoli. 

O segmento Pet vem crescendo de maneira geral no Brasil, e Niterói está acompanhando essa tendência, segundo Daniel. Ele conta ainda que, apesar da localização em Icaraí, já atende clientes da Região Oceânica, Pendotiba, Fonseca, São Francisco e até mesmo São Gonçalo e Rio de Janeiro em busca das novidades que sua empresa oferece, como a creche canina e acupuntura para os pets. “Ano passado esse foi o único  ramo do varejo que cresceu acima de dois dígitos no Brasil, e hoje já somos o segundo maior mercado pet do mundo, atrás somente dos Estados Unidos. Isso porque a visão sobre animais de estimação está mudando. Antes eles eram adquiridos para exercer uma função como segurança da residência, mas hoje são verdadeiros membros das famílias e como tal são tratados da melhor maneira possível”, afirma o veterinário. 

Em época de crise, empresas de cobrança lucram com a inadimplência -  O presidente da CDL de Niterói lembra também que alguns setores cresceram na cidade em função da própria recessão. Segundo Fabiano, um exemplo de quem teve lucro como consequência da crise são as empresas de cobrança, que por conta da alta inadimplência passaram a ter mais clientes. “Acredito que os call centers e setores de cobrança também estejam contratando. Além disso, um segmento que tem surgido com diversos empreendimentos nesse período, acredito que também como alternativa ao cenário econômico, é o de negócios voltados à culinária e gastronomia”, afirma Gonçalves.

Com a demanda maior em função da crise, chega a 10 por cento o aumento da procura por empresas de cobrança no último ano como explica a gerente da Garante Niterói Serviços de Cobrança, Marta Dantas. “A taxa de condomínio, por exemplo, é uma despesa que, quando o orçamento aperta, as pessoas costumam deixar para depois. Ao mesmo tempo, a maioria dos gestores não tem tempo de se dividir entre suas atribuições e correr atrás de receber dos devedores. Por causa disso, tive inclusive que contratar mais um funcionário para dar conta do aumento de clientes”, revela a gerente.

E se uma contratação de serviço pode representar a diminuição das despesas, o momento também tem se mostrado favorável, como no caso da Frisegur Segurança e Serviços, que oferece mão de obra terceirizada. “Como a terceirização de serviços pode representar uma economia de despesas e encargos de até 20 % para os condomínios, nesse período de crise nosso segmento chegou a ter um aumento de até 25% na procura. Tanto que, no nosso caso, atuamos em Nova Friburgo já há 15 anos, e por causa do aumento na demanda, há 3 meses decidimos expandir os negócios e abrir uma filial em Niterói, onde já contratamos 12 funcionários”, conclui Adriano Correa, sócio da empresa. 

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