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Fora da Caixa

Marcelo Maia Vinagre Mocarzel é doutorando em Comunicação (PUC-Rio) e Mestre em Educação (UFF). Diretor do Instituto Maia Vinagre e professor da UFF e do UNILASALLE-RJ. Membro do Conselho Estadual de Educação do Rio de Janeiro. Contato para esta coluna marcelomocarzel@gmail.com

Arquitetura da educação

Na recente visita que realizei às escolas portuguesas, houve um aspecto que prendeu muito a minha atenção: a arquitetura das escolas. Especialmente em duas delas, ficou claro como o espaço pode (e deve) educar. A arquitetura da escola deve ser pensada pedagogicamente, de modo que as atividades sejam facilitadas pelo espaço físico. O que temos, em sua maioria, são atividades que ocorrem apesar da estrutura e isso dificulta um pouco as coisas. 

A Finlândia, notoriamente um polo de inovação em educação, vem repensando a arquitetura de suas escolas, com base nas mudanças que vem sendo introduzidas há décadas e que têm surtido um efeito valoroso. Cada vez mais as instituições se organizam por projetos, ao invés dos tradicionais conteúdos e disciplinas. Os alunos aprendem os conteúdos colocando a mão na massa, utilizando interdisciplinarmente competências e habilidades de todos os componentes curriculares, enquanto cooperam em busca de um objetivo final. 

Essa metodologia não dialoga bem com salas de aula quadradas, carteiras enfileiradas e sinais para trocas de professores. Ao contrário, o que se propõe cada vez mais são os espaços de plano aberto, com mesas grupais e por onde diversos professores atuam como orientadores de projetos. Os alunos e alunas interagem o tempo inteiro, por meio do método socrático, em que as aulas expositivas são substituídas por estudos prévios e debates in loco.  

Os espaços precisam encantar os estudantes. Na região de Reggio Emilia, na Itália, referência universal em Educação Infantil, desde o fim da segunda guerra mundial, as primeiras escolas construídas já tinham em si uma preocupação arquitetônica clara: os espaços precisavam ser relacionais. Além de oferecer às crianças espaços abertos, locais tradicionalmente renegados, como a cozinha da escola, passaram a ser espaços educativos. 

No Brasil, há algumas iniciativas de subversão da estrutura física das escolas, passando por mudanças pedagógicas. Mas a realidade das escolas públicas e privadas ainda é majoritariamente tradicional, até mesmo por falta de entendimento de pais, professores e gestores. Nossa memória afetiva nos trai, muitas vezes, criando padrões imutáveis, tanto nas metodologias, como na estrutura. Mas nada é para sempre, nada é tão bom que não possa ser melhorado. 

Pequenas adaptações espaciais podem modificar para melhor a educação de nossas crianças e jovens. O importante é começarmos a mudar, mesmo que timidamente, com reorganização das carteiras, novos mobiliários, espaços voltados para o fazer, sempre vislumbrando a escola que queremos como um horizonte a ser alcançado. 

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